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Sexta-feira, 27 de agosto de 2010 - 11h28m

Agronegócio > Economia

Infraestrutura é coisa séria



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Leo Togashi

Foto: Divulgação



Por Leo Togasghi

Com safras recordes de grãos, a competência dos produtores brasileiros vai desenhando um novo país, solidificando a imagem de “celeiro do mundo” para o Brasil. Apesar de tantos problemas que sobrevieram à economia em 2008 e 2009, a agricultura está saudável e vai bem, obrigado.

Mas a infraestrutura estrangula o crescimento da riqueza agrícola do Brasil, pela necessidade de transporte, que basicamente é o rodoviário, aumentando consideravelmente os custos dos produtos agrícolas dos estados do Centro-Oeste brasileiro.

Tirar a soja, milho e algodão das lavouras do cerrado hoje quase não compensa; uma pequena flutuação nos preços dá prejuízo ao produtor.

As alternativas passam por melhorias na malha rodoviária (claro); mas outras opções como o transporte fluvial saindo pela Amazônia, e as interligações ferroviárias com o sul e o norte do país são cogitadas pelos especialistas do governo.

O que fica bem evidente é que a infraestrutura do país não tem acompanhado o crescimento da economia, em especial da atividade agropecuária, com sucessivos recordes de produção que não preciso dimensionar aqui.

Uma recente matéria sobre os aeroportos, com vistas à Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, alertava para a saturação da capacidade dos aeroportos brasileiros, impedindo qualquer expansão em número de vôos, e conseqüentemente, de passageiros transportados. Um problema que se avizinha.

Prega um cenário sombrio, com 30 a 40 anos para tirar o atraso sem entrar em colapso. Os aviões evoluem, os passageiros necessitam, o mercado cresce, mas sem infraestrutura que acompanhe tal crescimento, vamos criando verdadeiros gargalos de desenvolvimento, em áreas estratégicas, impedindo o país de capturar valor através da riqueza que produzimos.

Eis que os produtores rurais reclamam há mais de uma década por melhores estradas, para escoar sua produção, que tantos dólares traz em divisas para o país. O que vemos, no entanto, ano após ano, na época de colheita da safras, são carretas carregadas de grãos andando a 10, 15 km/h em estradas que não mereceriam ser chamadas por tal nome; filas quilométricas para descarregar a safra nos portos de embarque para o estrangeiro, ávido pelos grãos brasileiros.

Os princípios de sustentabilidade, tão em moda nos dias de hoje, pregam que devemos manter viva a nossa “galinha dos ovos de ouro” (só perceberam agora!), para que nossos filhos e netos possam herdar um mundo melhor. Empresários de visão já mudam seus conceitos de exploração dos seus negócios para a manutenção e crescimento de mercados visando a perpetuação de suas empresas. Iniciativas louváveis, porém movidas mais por necessidade, pela competitividade dos mercados globais, e talvez menos por altruísmo ou pela busca de um bem comum.

As estratégias elaboradas por tais companhias não estão levando em consideração a defasagem governamental. A eficiência empresarial deixa a máquina pública literalmente “no chinelo”, sem capacidade de acompanhar os pensamentos de uma sociedade cada vez mais globalizada, conectada e digital.

Homens públicos que não conseguem enxergar estrategicamente além dos quatro anos de mandato, nunca vão enxergar 40 anos à frente!


Publicitário, dirige o Núcleo Agro da F3 Agência, especializada em Comunicação Inteligente para o Agronegócio.
E-mail: Leo.togashi@f3agencia.com.br


Fonte: Página Rural










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