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Sexta-feira, 03 de junho de 2005 - 09h54m

Agroecologia > Agroecologia

Desenvolvimento Sustentável Verdade ou Utopia



* Por Jorge João Lunardi


Por muitos anos estamos ouvindo, falando, lendo e opinando sobre desenvolvimento sustentável. A nível de agricultura o assunto tem vindo à tona, inclusive já por uma década faz parte da missão da Emater/RS. O conceito tem sido muito discutido, mas sempre tem explicitado algumas questões, tais como: a sustentabilidade está relacionada como a melhor maneira de garantir as necessidades de desenvolvimento atuais, sem comprometer as gerações futuras em aspectos ambientais, sociais, culturais, econômicos e éticos.

Embora isto seja colocado, faltam parâmetros claros e indicadores de sustentabilidade em relação a biodiversidade, pobreza, qualidade de vida, tamanho e consumo dos recursos existentes nos agroecossistemas, tecnologias disponíveis, fatores socioculturais, solos, clima, controle de resíduos, entre outros.

Na prática, o desenvolvimento sustentável se apresenta como uma utopia, pois o mundo se apresenta complexo, com idéias e ações diversificadas e às vezes antagônicas, a exemplo do que acontece, geralmente, na relação competitiva entre economia e ambiente.

Obviamente, que várias ações são propostas pela sociedade e governos, mas que ao mesmo tempo em que se insere uma pequena quantidade de agricultores em busca de sua sustentabilidade, retira-se uma grande parcela deste sistema. Isto é plenamente identificado quando se anda pelas estradas rurais, que mostram o desencanto da maioria por este meio, que é valorizado em verso e prosa e em discursos, mas que pouco recebe em relação ao muito que dá para a sociedade. Isto se verifica na baixa percentagem dos orçamentos destinados para a agricultura, nos três níveis de governo, embora estejam à disposição, programas como Pronaf, RS Rural, Funasa, Consulta Popular, Fundos Rotativos, Feaper entre outros, na baixa renda percapita ( menos de 500 dólares) e, também quando se observa agricultores receberem benefícios de bolsas disto e daquilo.

Quando se entra na observação da realidade nua e crua, observa-se aqui mesmo na Região Noroeste do RS, uma agricultura muito pouco sustentável, onde: o jovem não demonstra interesse de continuar na colônia; o êxodo rural tanto do jovem como do velho continua; a exclusão é evidente em tudo; a pobreza se acentua; há exclusão evidente em todos os sentidos; o solo se degrada; as construções e maquinários tornam-se obsoletos e exigem reposições caras; as moradias estão caindo aos pedaços; muitas comunidades estão virando taperas; o desflorestamento é visível; existem baixas produtividades nos diferentes sistemas de produção; os agricultores dependem cada vez mais dos governos para empréstimos, subsídios, proteção com seguros...

Da mesma forma, o clima em suas intempéries traz frustrações, o governo não garante preços competitivos, a produção recebe embargo de outros países.

Por outro lado, embora se trabalhe em agroecologia, produção orgânica e permacultura, os biocidas estão sendo usados cada vez mais, os estercos estão sendo jogados no ambiente, o lixo aumenta surgindo inúmeros vetores perigosos à saúde pública e como conseqüência os alimentos apresentam-se contaminados tanto no aspecto toxicológico como bacteriológico, trazendo inúmeras doenças ao humanos e aos animais, que entram num ciclo de doenças, exigindo em contrapartida, doses cavalares de remédios e uma grande rede hospitalar.

Observa-se o Governo Federal fortificando o sistema de globalização neoliberal, usando bilhões de dólares para pagar dívidas a países ricos, deixando o povo ser espoliado através de leis e impostos cada vez mais nocivos ao desenvolvimento sustentável, dispensando poucos recursos para sustentar a agricultura familiar.

Na verdade, a sustentabilidade faz parte do complexo mundo em que vivemos e que exige a busca de forma organizada, integrada entre governos, povo, entidades, leis e outros mecanismos, conselhos, fóruns de debates existentes para as seguintes ações:
1. utilização de recursos naturais como solo, água e clima, de forma a manter a racional capacidade produtiva a longo prazo;
2. ruptura nas dependências que põem em perigo as condições social, econômica, política e de ambiente;
3. utilização adequada das fontes energéticas, como exemplo as rodas d’água, secadores de grãos com energia solar, biodigestores e outras alternativas simples já existentes;
4. utilização dos conhecimentos locais para melhoria de qualidade de vida, respeitando quem ensina, mas valorizando também quem tem saberes históricos;
5. construção de fatores que possam recuperar e regenerar os agroecossistemas, preservando a diversidade biológica e cultural.

Esperamos pois, que cada um possa entender esta questão de desenvolvimento sustentável e passe, na sua área de atuação, colocar em prática questões que possam melhorar as condições de bem-estar da população rural como um todo, da produção de alimentos limpos, com abrangência da riqueza regional, da manutenção do ambiente viável e que sobretudo, dentro de todos os agroecossistemas, possamos fazer deste pedaço de terra em que vivemos, não um deserto de desânimo, mas sim “Jardim de Éden”.

Só haverá sustentabilidade se todos trabalharmos e mudarmos juntos.

O escritório regional da Emater, dispõe de um plano estratégico regional com diagnóstico rural da região, perspectivas e estratégias de ações em busca da sustentabilidade rural.
No dia 5 de junho - dia mundial do meio ambiente -, é importante que se reveja e se discuta esta questão.

* médico veterinário da Emater/RS


Fonte: Conceição Andréa Lima Salomão
















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