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Segunda-feira, 06 de junho de 2005 - 09h01m

Agricultura > Trigo

Os desafios do trigo gaúcho



* Por João Batista Marques

O plantio do trigo encontra-se na fase inicial no Rio Grande do Sul, contando com condições de umidade de solo favoráveis devido a diminuição das precipitações pluviométricas nos últimos dias. Mudanças estão acontecendo no mercado e podem influenciar a decisão do produtor quanto a área a ser plantada.

Em 2004, o estado atingiu uma área de 1,12 milhão de hectares de trigo. A queda no preço internacional no final do ano resultou em dificuldades para liquidez dos negócios com esse tipo de grão, tanto que até agora ainda existe trigo estocado a espera de melhora no preço. Frente a este cenário, instituições como Emater/RS, CONAB e IBGE, prevêem uma redução na área plantada na ordem de 17% neste ano.

O desestímulo do produtor gaúcho é resultado de uma série de fatores, como a seca que derrubou a produção da safra de verão, gerando descapitalização dos produtores e inadimplência; a alta no preço dos insumos; e a supersafra de grandes países produtores de grãos, como EUA, Austrália e Argentina, que levou a baixa na cotação do trigo brasileiro. Além disso, os mecanismos de sustentação do preço mínimo não foram ágeis o suficiente para que a maioria dos produtores de trigo se beneficiassem dos mesmos.

Como se não bastasse o desânimo com relação ao clima e mercado internacional, uma decisão do Governo de São Paulo está gerando polêmica na triticultura brasileira. O executivo paulista determinou a redução do ICMS do trigo e derivados (farinha de trigo, macarrão e bolacha sem recheio) de 7% para 0% no produto que sai do estado. A medida ainda está em discussão quanto a constitucionalidade do texto, mas os atores da cadeia produtiva do trigo no Brasil já começaram a se mobilizar para conquistar benefícios semelhantes em outros estados.

Contudo, é preciso avaliar que, se a medida pode motivar os produtores num primeiro momento - já que beneficia diretamente a indústria paulista, que poderia valorizar um pouco mais a matéria-prima importada para SP enquanto exporta produtos a um menor custo -, não resolve questões estruturais que estão levando ao estrangulamento do trigo. Soluções convincentes seriam rever fatores que permitam baixar custos de produção, além de resolver problemas de logística e armazenagem. Neste sentido, decisões mais abrangentes poderiam beneficiar não apenas a indústria, mas também os demais agentes da cadeia tritícola, resultando no crescimento de todo o agronegócio do trigo no Brasil.

Ano de lavoura fraca, com pouca redução de área, mas com baixa tecnologia devem resultar, dependendo das condições climáticas, num volume menor de grãos ou, pior, com qualidade industrial inferior. Não há motivo para desespero, mas também não teremos muito o que comemorar com trigo em 2005.


*Pesquisador da Embrapa Trigo - Passo Fundo/RS


Fonte: Assessoria de Imprensa da Embrapa Trigo
















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