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Quinta-feira, 07 de abril de 2005 - 16h32m

Agroindústria > Vinho

Bordeaux revela a excelência de seus vinhos



Por Gabriela Hermann Pötter *

A França é o segundo maior país vinícola do mundo e seus vinhos servem de referência para todo o universo vitivinícola. Neste contexto, a região de Bordeaux destaca-se, seja pela tradição e o charme de seus Chateaux, seja pela qualidade e rigidez da produção de seus vinhos. Com aproximadamente 113 mil hectares de vinhedo, situa-se na região sudoeste, na costa Atlântica da Franca, junto à foz do Rio Gironde e se estende em torno da cidade de Bordeaux, que lhe empresta o nome. Os vinhedos distribuem-se em torno de um “y”, formado pelo Rio Gironde e seus afluentes, o Rio Dordogne e o Garonne, e talvez este seja um dos muitos segredos do “imbatible vino” francês.


Em Bordeaux, os vinhos caracterizam-se por serem cortados (com duas ou mais variedades de uva), podendo o corte das variedades ser feito antes ou depois do envelhecimento do vinho em barris de carvalho. O uso dos barris bordalês para o envelhecimento do vinho por 10 a 24 meses também é uma “marca registrada” da região.

Denominação de Origem
Na França, as Appellations d’ Origine Controlée (AOC) cobrem regiões de vinhedos que devem estar em conformidade com os critérios locais. Os viniticultores devem seguir regras como as variedades que podem ser produzidas na região, a produção máxima, expresso em hectolitros de vinhos por hectares de vinhedo (hl/ha), bem como o grau mínimo de álcool que o vinho deve ter. As variedades são aquelas que existiam na região no momento em que a denominação foi definida.

Chateau – um conceito puramente bordalês
Os Chateaux nada mais são do que castelos ou residências imponentes localizadas na sede das propriedades vitivinícolas. Geralmente eles são carregados de história sobre a sucessão das famílias a que pertenceram e todas as tradições que decorrem das mesmas. Então, na verdade o nome Chateau engloba toda a propriedade vinícola, composta pelos vinhedos e a vinícola propriamente dita, sendo que geralmente estas fazendas apresentam uma área total de 20 a 150 ha. O vinho bordalês geralmente leva o nome do seu Chateau, sendo obrigatoriamente engarrafado na propriedade. Outro conceito francês muito famoso é o terroir, palavra que engloba os fatores climáticos e do solo de uma região para caracterizar o local onde as vinhas sao produzidas.

Em Bordeaux, existem quatro regiões vinícolas que se destacam e se distinguem pelo tamanho de sua área e pelas suas peculiaridades. A Região de Medoc, localizada na margem oeste do Rio Gironde, produz o vinho tinto com a variedade Cabernet Sauvignon, predominante, cortada em proporções variadas de Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot. Em 1855, foi feita a primeira classificação oficial dos Chateaux Bordales, a qual somente incluiu as propriedades de Medoc, sendo que essa hierarquia permanece até os dias de hoje. Existem então, os Premiers crus, Segundos crus, Terceiros crus, Quartos crus e Quinto crus. Os Premier crus de Medoc são os seguintes: Chateau Lafite-Rothschild, Chateau Latour, Chateau Margaux, Chateau Haut-Brion e Chateau Mouton-Rothschild.

Outra região de produção de vinho tinto é a Saint-Émillion, localizada na margem direita do Rio Dordogne, um afluente a direita do Rio Gironde. Ao contrário de Medoc, a variedade predominante nesta é a Merlot, seguida de Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon. Nesta região, existe uma classificação que é atualizada a cada dez anos, ao contrário da de Medoc, que parece ser eterna. Ao lado de Saint-Émillion, do outra lado da estrada, se localiza a região denominada Pomeral, que essencialmente utiliza para a produção de vinhas as mesmas variedades de sua vizinha.

Por último, situada à margem esquerda do Rio Garonne, se encontra Graves, a regiao mais antiga de Bordeaux, com propriedades com mais de 700 anos de produção. Graves significa cascalho em francês, e portanto seu solo é constituído por uma série de afloramentos de depósitos sedimentares com pedras misturadas com areia, que garantem uma ótima permeabilidade. Esta região produz sobretudo vinhos brancos bastantes variados, com as variedades Sauvignon Blanc, Sémillon e Muscadelle. Dentro desta região se encontram as denominações Barsac e Sauternes. Esta última é muito conhecida pelos seus vinhos brancos licorosos. É nesta região que a uva é colhida com o fungo Botrytis cinerea (Podridao nobre), pois assim se obtém bagas com acúcar e acidez mais concentrados, necessários para a produção desse clássico vinho de sobremesa.

O desenvolvimento desse fungo é garantido com as condições climáticas que ocorrem na região: o encontro do Rio Ciron, com suas águas frias, com o Rio Garonne, com suas águas mais quentes, resulta em uma névoa outonal que deixa o ar acima das vinhas bastante úmido, propício para o Botrytis. A colheita é feita à medida que os cachos começaam a secar com o mofo, e por isso o vinhedo é repassado três vezes, pois somente se colhe as bagas botritizadas. As variedades utilizadas para fazer este curioso vinho são Sauvignon Blanc, Sémillon e Muscadelle. A grande estrela de Sauternes é o Château d`Yquem, considerado o melhor vinho branco do mundo.

Os vinhedos de Bordeaux apresentam uma idade média entre 25 a 50 anos, são dispostos em espaçamentos variados, de 1,5 x 1 m, 2 x 1 m, com densidade de 5.000 a 7.000 plantas/ha, todos em espaldeiras, com o primeiro fio de arame a aproximadamente 50cm do solo. Os técnicos dos parreirais garantem que usam somente adubo orgânico. Nas entrelinhas o solo é revolvido todos os anos, e as plantas daninhas, em alguns Chateaux, são controladas com herbicida na linha. O manejo com os vinhedos é bastante mecanizado, desde a irrigação das plantas jovens, controle das plantas daninhas até inclusive o plantio de novos vinhedos é feito com tratores em algumas propriedades.

Em geral nas cabeceiras dos vinhedos são cultivadas roseiras, que tem a função de alertar quando há condições propícias para o desenvolvimento de doencas fúngicas, uma vez que esta planta é bastante sensível à elas, mostrando seus sintomas rapidamente. E, claro, as rosas dão um toque final ao charme dos Chateaux.

Mas nem tudo são rosas em Bordeaux. Os vinhos mais comuns da região estão sofrendo uma forte concorrência dos vinhos do novo mundo, como dos Estados Unidos e Nova Zelândia, que aumentaram sua produção nos últimos anos e estão utilizando técnicas bastante avancadas para produzir. Além do que o consumo de vinho na Franca diminuiu significamente nos últimos anos. Por isso, o governo francês está incentivando as propriedades a diminuirem seus parreirais, e dispõe de recursos financeiros para isto.

A vinificação em geral é feita em adegas com tanques da aco inoxidável, sendo as condições dos tanques controladas por painéis eletrônicos. Após a fermentação alcóolica, a fermentação malolática para os vinhos tintos é feita ainda nos tanques de aco inoxidável ou nos barris de carvalho, dependendo do Chateau.

O envelhecimento do vinho em barris de carvalho ocorre geralmente em salas subterrâneas, com temperaturas controladas. Os barris bordaleses sao renovados geralmente todo o ano, sendo que os Chateaux que renovam 100% anualmente garantem que este é um dos segredos do bom vinho. Enfim, o vitivinicultura francesa segue investindo em qualidade e sendo bastante valorizada por isto, apreciada pelos amantes do vinho a admirada pela sua longa e rica história de vitórias que transcendem gerações.


* Engenheira agrônoma


Fonte: Página Rural
















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