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Sexta-feira, 08 de julho de 2005 - 14h43m

Agricultura > Soja

Roraima sem a Ferrugem Asiática da Soja



Por Kátia de Lima Nechet *

Como todos devem ter visto em noticiários ou lido em revistas especializadas, a cultura da soja sofreu perdas de produtividade devido ao ataque da ferrugem “asiática” da soja. Esta doença é causada por um fungo denominado Phakopsora pachyrhizi. O fungo é originado da China e foi constatado pela primeira vez no continente americano no Paraguai em 2001 e meses depois no Brasil, no oeste do Paraná. Desde então, sua expansão pelas lavouras de soja foi rápida e as perdas são estimadas em 8,5 milhões de toneladas de grãos no período de 2001 a 2004. É fato que a doença está disseminada em toda a América do Sul e em 2004 foi notificada em Lousiania nos Estados Unidos. E Roraima?

Roraima é o único local do Brasil onde se planta soja e não foi constatada até a safra de 2004, a ocorrência da ferrugem “asiática”. Entre os fatores que contribuem para este fato está a época de plantio diferenciada do restante do País e correntes de vento, sentido sul-norte, com direção, condições de pressão e temperatura não-favoráveis à sobrevivência e disseminação do fungo. Isso é importante porque o fungo é um parasita obrigatório, ou seja, precisa de um hospedeiro para sobreviver e sua disseminação a longas distâncias é feita pelo vento. Mas a disseminação de doenças de um local para outro não é feita só de forma natural, o próprio homem pode ser um agente disseminador e transportar o fungo por acaso ou intencionalmente.

Em função da importância da doença foi criado pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento o “Consórcio Anti-Ferrugem” que envolve 49 instituições de várias regiões do País. Participam a Embrapa, universidades, fundações, secretarias de agricultura, órgãos de assistência técnica e extensão rural, cooperativas e conta com apoio da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Associação Brasileira de Defensivos Genéricos (AENDA) e empresas do ramo.

O objetivo do “Consórcio Anti-Ferrugem” é treinar produtores e técnicos para diagnosticar e fazer o monitoramento da doença no País. Para isso, conta com o Sistema de Alerta no site www.cnpso.embrapa/alerta . Também objetiva a recomendação de controle e divulgação de resultados de pesquisa.
Embora Roraima não tenha a ferrugem “asiática” da soja, a Embrapa Roraima participa do “Consórcio Anti-Ferrugem” e disponibiliza materiais informativos sobre a doença.

Outra ação complementar foi um folder escrito pelos fitopatologistas da Embrapa Roraima em parceria com o Coordenador da Comissão de Defesa Sanitária Vegetal em Roraima (CDSV/RR), que orienta como evitar a entrada de forma não natural da doença no estado. Todos estes materiais são distribuídos em ocasiões oportunas e podem ser adquiridos na Área de Comunicação e Negócios da Embrapa Roraima.

É importante que produtores e técnicos tenham estas informações e saibam identificar os sintomas e o que fazer em caso de suspeita do aparecimento da doença. Nesta safra de 2005 é fundamental o monitoramento das lavouras, que deve ser iniciado a partir da emergência e intensificado próximo da fase de floração. Os primeiros sintomas da doença iniciam no terço inferior e mediano da planta e são pequenos pontos escurecidos, de no máximo 1 mm de diâmetro.

Para facilitar a visualização deve-se observar a folha contra a luz. Na parte de baixo da folha com o auxílio de uma lupa de 10x a 30x de aumento podem ser observadas pequenas protuberâncias, parecendo bolhas que são as estruturas de reprodução do fungo, chamadas de urédias. Em caso de dúvida, coloque as folhas com suspeita da doença em um saco plástico com um chumaço de algodão molhado, sopre um pouco de ar para dentro e feche o saco. Deixe o saco em temperatura ambiente por 12 a 24 horas. Neste intervalo o fungo irá produzir esporos, o que tornará mais visível a sua estrutura e confirmará o diagnóstico da doença.

Outras doenças podem ser confundidas com a ferrugem, por isso é importante a confirmação por pessoas capacitadas antes da divulgação de notícias sobre a doença em Roraima. Os técnicos da extensão em Roraima foram treinados por especialista em doença de soja para diagnosticar corretamente a ferrugem “asiática”.
Com o conhecimento adequado, monitoramento constante e cooperação de produtores, assistência técnica, pesquisa e técnicos da defesa vegetal podemos manter por tempo prolongado a cultura da soja em Roraima livre da ferrugem “asiática”. Isto é uma responsabilidade de todos nós.


* Pesquisadora Embrapa Roraima, doutora em fitopatologia


Fonte: Embrapa
















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