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Sexta-feira, 08 de abril de 2005 - 15h47m

Agroecologia > Ecológico

O impacto da introdução de espécies



Por Márcia Divina de Oliveira *


Espécies de plantas, animais ou microorganismos introduzidos a um ecossistema do qual não fazem parte originalmente são chamados de exóticos, e, se adaptam, propagam e exercem dominância, prejudicando processos naturais e espécies nativas, são chamadas espécies exóticas invasoras. Então, nem toda espécie exótica é invasora.

O mundo globalizado tem favorecido a introdução de espécies e, consequentemente, a sua homogeneização ao longo dos continentes, sendo a introdução de espécies uma das maiores causas de perda de biodiversidade no planeta.

Os impactos das introduções sobre a biota nativa podem ser imperceptíveis, sendo a espécie incorporada ao novo ambiente de tal forma que passe a ser vista como nativa, como espécies de mangueira e limoeiro, comuns nos nossos quintais. Por outro lado, estes impactos podem ser catastróficos, uma vez que estas espécies podem causar profundas alterações na estrutura dos ecossistemas ou mesmo danos econômicos.

O Instituto Horus tem cadastrado 73 espécies de plantas e 71 de animais exóticos no Brasil, embora nem todas se transformem em pragas. Um caso recente de praga terrestre é do caramujo africano Achatina fulica, introduzido como criação para alimentação humana, que se alastrou por quase todo o Brasil, se tornando praga agrícola, especialmente no litoral. Atacam e destroem plantações de pequena agricultura, como a mandioca, batata-doce, carás, feijão, amendoim, abóbora, mamão, tomate e verduras diversas.

Uma forma de dispersão de espécies é pela navegação marítima ou de águas interiores. No Brasil, são transportados por via marítima aproximadamente 95% de todo o comércio exterior. As transferências de organismos nocivos através da água de lastro dos navios têm sido desastrosas e têm crescido alarmantemente, causando danos aos ecossistemas marinhos, prejuízos à saúde humana, como no caso do Vibrio Colerae, responsável por inúmeros casos de cólera no mundo, à biodiversidade, às atividades pesqueiras e de maricultura, resultando em um problema global, em virtude do impacto ecológico e econômico nos vários ecossistemas.

Dentre as espécies introduzidas através da água de lastro, duas alcançaram os ecossistemas de água doce causando grandes danos ambientais e econômicos, tornando verdadeiras pragas: o mexilhão zebra (Dreissena polimorpha), que se estabeleceu na região dos Grandes Lagos dos Estados Unidos, e o mexilhão dourado (Limnoperna fortunei) na América do Sul, incluindo as bacias do Alto Paraguai e Alto Paraná. O efeito da incrustação do mexilhão dourado tem sido observado em estações de captação e tratamento de água (tubulações e bombas), sistema de resfriamento das hidrelétricas, sistema de refrigeração de barcos, aumentando o custo de manutenção na indústria e geradoras de energia elétrica. O mexilhão dourado pode incrustar sobre as conchas e partes moles de bivalves e gastrópodes, eliminando as espécies nativas.

A aquacultura é uma das principais portas de entrada de espécies exóticas, podendo ser a introdução de espécies de forma intencional ou acidental. Atualmente, registra-se no Brasil por volta de 13 espécies de peixes introduzidos, sendo a maioria espécies de tilápia e carpa. A tilápia é um peixe pouco seletivo, come de tudo, desde material vegetal até outros peixes. Assim, uma espécie nativa que tenha hábitos alimentares semelhantes irá sofrer concorrência.

Peixes como o tucunaré (Cichla sp) e o tambaqui (Colossoma macropomum), originários da bacia Amazônica também foram introduzidos no Pantanal, e juntamente com o mexilhão dourado podem alterar a estrutura das comunidades de peixes no Pantanal.
É preciso alertar para o perigo da introdução de espécies, as quais podem passar desapercebidas ou causar grandes impactos ambientais e econômicos.

As soluções para erradicação e controle de espécies introduzidas não devem nunca passar pela introdução de outra espécie como controladora. E, a principal forma de combater a introdução indesejável de espécies é a conscientização da população, que é o principal vetor na disseminação de espécies, principalmente para uso ornamental ou cultivo.

* Pesquisadora da Embrapa Pantanal - Corumbá-MS
e-mail: mmarcia@cpap.embrapa.br


Fonte: Embrapa Pantanal
















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