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Segunda-feira, 08 de agosto de 2005 - 10h31m

Política Agrícola > Agricultura Familiar

Sistema Regeneração: uma realidade



Por José de Ribamar Costa Veloso *

Outro dia, numa reunião do Grupo Coordenador de Estatísticas Agropecuárias – GCEA surgiu a seguinte afirmativa: “ A produção de grãos do estado do Maranhão, safra 2004/2005, atingirá 2.200.000 toneladas, sendo 50% de soja e 15% de milho produzidos através de tecnologia de ponta, voltada para a exportação”. A partir dessa informação fazemos os seguintes comentários:

- a agricultura familiar contribui com apenas 35% da produção, mesmo ocupando aproximadamente 70% da área plantada;

- considerando que apenas 35% da produção está voltada para alimentar uma população de aproximadamente seis milhões de habitantes, mesmo sendo um Estado com grande potencial agrícola, o Maranhão é sem dúvida importador de arroz, de milho e de feijão.

- a produção do agricultor familiar é baixa porque 90% dos cultivos são realizados por meio da tecnologia do fogo, também chamada de “roça no toco” ou de agricultura migratória.

Feito esses comentários, mesmo já tendo explicado em artigos anteriores, vale a pena repetir: roça no toco é o cultivo feito de forma primitiva, herança do início da colonização brasileira. É um sistema de plantio itinerante, onde a cada ano novas áreas são incorporadas ao processo, cuja tendência é diminuírem, em função do uso de todas as fronteiras agrícolas, o que significa dizer, estamos aumentando os desmatamentos e as queimadas, em que pese as campanhas educativas feitas pelo Ministério da Agricultura, por intermédio da Embrapa.

E o que fazer ? É preciso acabar com a agricultura migratória. Para tanto é necessária a introdução de tecnologias, mesmo das mais simples, para fixar o homem ao seu local de trabalho e aproveitar melhor os recursos disponíveis na propriedade.

No Piauí, a Embrapa desenvolveu um sistema que deu certo e expandiu-se para outros estados nordestinos. Trata-se do Sistema Regeneração, que consiste em pequenas mudanças no processo produtivo, aproveitando os recursos disponíveis na propriedade, de forma participativa (pesquisador/extensionista/produtor), onde se aprende a fazer, fazendo.

Inicia-se elaborando um diagnóstico da situação atual das unidades familiares e de seus sistemas de produção, logo após vem a proposição de melhorias tecnológicas, com a participação do produtor, de modo a permitir a adoção de tecnologias simples, de fácil compreensão e utilização. Geralmente desenvolve-se um sistema integrado com as culturas básicas (arroz, milho, feijão e mandioca) e a criação de pequenos animais (aves caipiras e caprinos).

No Maranhão, o sistema foi implantado nos municípios de Chapadinha (povoado Vila União), Itapecuru Mirim (povoado Filipa) e Alcântara (povoados Primirim e Só Assim) e os resultados positivos foram bastante evidenciados nos dias de campo realizados nos meses de maio e junho, nessas comunidades.

É preciso conhecer de perto para sentir o entusiasmo dos agricultores familiares envolvidos. Alguns secretários municipais de agricultura de outros municípios próximos participaram dos eventos e têm procurado a Embrapa para levar também essas ações para suas áreas de trabalho.

Para finalizar é importante lembrar as palavras do Ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, ao conhecer o Sistema Regeneração em 2003: “Esse é o resultado de um trabalho sério, dedicado e que traduz o compromisso e as possibilidades de melhorar a vida do agricultor familiar. É possível fazer um trabalho integrado entre prefeituras, governos federal e estadual, e principalmente o produtor”.


* Pesquisador da Embrapa Meio Norte


Fonte: Embrapa Meio Norte
















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