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Segunda-feira, 08 de agosto de 2005 - 09h33m

Biotecnologia > Transgênicos

A biotecnologia e a segurança dos alimentos: impactos na cadeia alimentar



Por Andrew Chesson *

O uso de alimentos OGMs tem sido discutido extensivamente pela sociedade nos últimos 10 anos, desde a aprovação do primeiro OGM nos Estados Unidos, em 1994, o tomate FlavrSavr. Os cientistas também fizeram os seus trabalhos, investigando com cuidado os riscos potenciais e os benefícios de alimentos GM.

Em maio passado, uma matéria no jornal britânico The Independent gerou manchetes ao redor do mundo. Os "ratos alimentados com uma dieta rica em milho geneticamente modificado desenvolveram anormalidades nos órgãos internos e alterações sangüíneas, levantando temores de que a saúde humana poderia ser afetada ao ingerir-se alimentos geneticamente modificados", diz a primeira frase da matéria publicada no dia 22 de maio. O “milho geneticamente modificado” se refere ao milho MON863, que protege as raízes do milho contra os danos provocados por larvas da broca do milho.

A segurança desse milho transgênico foi avaliado pela Autoridade Européia de Segurança Alimentar (EFSA), que o considerou tão seguro quanto suas contrapartes convencionais. A EFSA é a pedra fundamental para avaliação da segurança de alimentos da União Européia (EU). Em colaboração com autoridades nacionais e em consulta aberta com suas partes interessadas, a EFSA oferece aconselhamento científico independente e uma comunicação transparente sobre os riscos existentes e emergentes. A EFSA aprovou até o momento 18 alimentos geneticamente modificados para consumo na União Européia.

O artigo do The Independent menciona um estudo de 13 semanas conduzido com ratos que consumiram o milho MON863 que foi analisado pelo Painel Científico de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) da EFSA. O Painel notou algumas diferenças nos dados patológicos, derivados de exames microscópios dos rins dos animais de teste e de controle. Mas estas mudanças foram consideradas pelo Painel como lesões espontâneas ou seja, as diferenças são incidentais e não estão relacionadas ao tratamento. Estas anormalidades não são representativas, refletindo variações normais entre ratos – da mesma maneira que nós, seres humanos, não somos absolutamente iguais, mas apresentamos ligeiras variações de indivíduo para indívíduo.

Em junho passado, o departamento de segurança alimentar da Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou um relatório denominado "Biotecnologia Alimentar Moderna, Saúde Humana e Desenvolvimento: um Estudo Baseado em Evidências". O relatório indica que as avaliações de risco pré-comercialização foram executadas em todos os produtos GM onde tais produtos foram introduzidos no mercado. De acordo com este relatório, os alimentos GM são examinados mais detalhadamente do que alimentos normais, em busca de seus riscos potenciais para a saúde e impactos ambientais. "Os alimentos GM atualmente disponíveis no mercado internacional têm sido submetidos a avaliações de risco e não tendem a apresentar riscos para a saúde humana em nenhuma outra forma do que suas contrapartes convencionais" diz o relatório da OMS.

Isto não significa, contudo, que nós não devamos ter cuidados com novas aprovações. Nós devemos avaliar os novos alimentos GM como sempre o fizemos: caso a caso. "Os riscos potenciais associados com os OGMs e os alimentos GM devem ser avaliados, caso a caso, levando-se em consideração a característica do OGM ou as diferenças do alimento GM e as possíveis diferenças dos ambientes de recepção", diz o relatório da OMS.

Assim, os OGMs ou alimentos GM não são intrinsecamente bons ou ruins. São organismos que adquiriram uma nova característica. E, no caso de alimentos GM, a inclusão dessas características oferecem aumentos potenciais na produtividade rural ou características de melhoria na qualidade, nutrição e processamento. Sob a perspectiva da saúde, podem haver também benefícios indiretos tais como redução no uso de agrotóxicos, sustentabilidade realçada da receita da colheita rural e na segurança dos alimentos. Além disso, o consumo de alimentos GM não causou qualquer efeito nocivo à saúde até a presente data.


* Pesquisador da Universidade de Aberdeen


Fonte: Assessoria de Comunicação
















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