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Quarta-feira, 07 de setembro de 2005 - 20h32m

Agroecologia > Outros

Incêndios florestais, uma proposta ousada e audaciosa



Por Gilmar Tavares *

“Fazes brotar frutos d’água pelos vales, elas correm pelo meio das montanhas, dão de beber a todas as feras do campo, e os asnos selvagens matam a sede; junto a elas as aves do céu se abrigam desferindo seu canto por entre a folhagem”. (Salmo 104).

Em 1981, fui indicado pela minha Universidade (Universidade Federal de Lavras), na época ainda Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL), para participar do “I Curso de Instrutores de Coordenação de Aviação Agrícola” no CENEA (Centro Nacional de Engenharia Agrícola), Sorocaba – SP; promovido pela EMBRAER em convênio com o MEC.

Durante o curso, um detalhe de Aviação Agrícola chamou-me especial atenção, qual seja, a operação de “alijamento”, que é uma atitude emergencial do piloto, quando diante de um perigo iminente, libera instantaneamente toda a carga do tanque de produtos, aliviando o peso da aeronave em questão de segundos, para ganhar altura e mobilidade de ação.

Ao explicar esta operação, o instrutor falou que a mesma poderia ser utilizada também, para apagar incêndios, enchendo-se o tanque de produtos com água e alijando-a sobre o foco. Aquilo ficou gravado em minha mente, porque sempre estive interessado e envolvido em ações de preservação do meio ambiente, e a problemática de incêndios anuais, em parques nacionais, já me incomodava e revoltava sobremaneira.

Retornando a Lavras, iniciei o ensino de Coordenação de Aviação Agrícola no meu Departamento (Engenharia), treinando várias turmas. Durante os treinamentos, passei a realizar em caráter demonstrativo, o ataque a focos de incêndio usando água, e corante para destacar a ação, gravando-a em vídeo, para posterior divulgação desta ousada e audaciosa possibilidade de combate a incêndios florestais com o avião agrícola.

Em 1995, idealizei e coordenei o “I Workshop de Combate a Incêndios Florestais com Aviação Especializada”. O evento foi um sucesso e pudemos demonstrar e defender a tese de que uma esquadrilha de aviões agrícolas com pilotos bem treinados é a solução para a problemática dos incêndios em parques nacionais. Acontece que, em princípio, este treinamento é caro pelo seu caráter “sui generis”, embora o benefício seja totalmente recompensador. Então nunca pude pôr em prática meu objetivo, que na verdade, passou a ser um sonho acalentado com muita tecnologia e profissionalismo.

Uma esquadrilha de aviões agrícolas com pilotos bem treinados, preparados para a finalidade específica, é a solução para a extinção dos incêndios florestais no Brasil, pelas características da vegetação de nossos parques e porque nosso País tem cerca de mil aeronaves agrícolas espalhadas por todo território nacional, as quais após o treinamento dos pilotos, poderiam entrar em ação rapidamente , tão logo a aviação civil localizasse os focos de incêndio via GPS.

Não é simplesmente o avião jogar água em cima do fogo, como temos visto, mas sim, uma operação cuidadosa, que exige treinamento, tecnologia e coordenação; uma ação tecno-científica profissional bem preparada, em seus vários aspectos.
Espero ter a chance de provar minha teoria, treinando uma esquadrilha e colocando-a em ação no momento oportuno, provando que é possível acabar com estes incêndios florestais, os quais todos os anos destroem, enchem nossas vidas de cinzas, trazendo vergonha e morte!!!

* Professor Titular no Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Lavras, e um dos precursores do ensino de Aviação Agrícola na universidade brasileira


Fonte: UFLA
















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