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Quarta-feira, 07 de setembro de 2005 - 20h40m

Agronegócio > Bovinos

Otimismo justificado



Por Anna Luiza Sampaio Quinto di Cameli *

O interesse de investidores em comprar fêmeas e a venda de reprodutores sempre foram sinalizadores de que bons ventos vão impulsionar a pecuária. Pois é isso o que está voltando a ocorrer no Rio Grande do Sul. A cotação do boi continua a envergonhar os que trabalham e dependem do setor, mas parece que os primeiros sinais de recuperação começam a ser dados.


O retorno de clientes para os tradicionais remates de bovinos serve como indicador para a melhora do mercado pecuário nos próximos meses. E foi justamente isso que se viu na Expointer 2005. A venda de reprodutores durante a feira internacional, seja em remate organizado por associações de raças seja em leilões particulares de renomadas cabanhas, apresentou um significativo incremento, se comparado ao ano passado. Foram negociados R$ 6,1 milhões em exemplares das diferentes raças participantes, contra o total de R$ 4,7 milhões de 2004.

Tudo resolvido, então? O mapa de vendas demonstra que o produtor está com dinheiro para investir e portanto o setor vai muito bem. Ledo engano. Se dependesse do preço pago pelo boi no Rio Grande do Sul atualmente, não dava nem para sair de casa, quanto mais comprar touro. Mas como no setor pecuário há muitos criadores com visão empresarial, a venda de boa genética tem se mantido, apesar dos percalços. Eles apostam na eterna lei da oferta e da procura.

A penúria dos últimos anos fez os pecuaristas lançarem mão da última e desesperadora forma de se obter liquidez: o abate de fêmeas. A diminuição de matrizes no campo tem como resultado a queda no número de terneiros e a redução na oferta de carne bovina nos próximos anos. Esse triste cenário se reflete na diminuição das exportações de carne e no aumento do preço do produto para o consumidor.

Desde o ano passado o governo brasileiro comemora a conquista do almejado posto de maior exportador de carne do mundo. Pois bem. Muito em breve os problemas do setor primário, sempre tão distantes dos gabinetes de Brasília, poderão provocar dor de cabeça em quem tem que se preocupar com a balança comercial. Péssimo para o país.

O segundo reflexo negativo da crise da pecuária será no bolso do consumidor. Com a redução do plantel para a produção de terneiros, logo logo nossos frigoríficos estarão com falta de produto e tendo que pagar mais pela carne bovina. Bom para o produtor, que tem sido massacrado nos últimos anos com preços acachapantes. Ruim, muito ruim, para o consumidor, que com certeza sentirá uma disparada no preço da carne "nossa de cada dia". Provavelmente, um aumento várias vezes superior ao que será pago ao produtor, com reflexo no custo de vida, na inflação, no cesto básico. E de novo: Péssimo para o país.

Teoria do caos? Sim, se pensarmos que tudo isso poderia ser evitado se houvessem políticas claras para o setor e nossas lideranças soubessem o quanto o setor primário é importante para o Brasil. Não, se pensarmos que o pecuarista poderá em breve ser recompensado por anos de trabalho sem retorno financeiro.

Não também, se pensarmos que a maioria dos criadores tem demonstrado profissionalismo e, mesmo num período de crise, busca manter em seus campos genética de qualidade. É a aposta num futuro promissor para a pecuária gaúcha que motivou as vendas em Esteio e deve impulsionar as feiras de primavera do interior do Estado.

Sorte. Sorte do governo, dos frigoríficos e do consumidor que os pecuaristas gaúchos, muito em breve e com uma remuneração justa para o seu produto, estarão repovoando os campos do Rio Grande do Sul com fêmeas e oferecendo carne de qualidade. Como sempre.


*engenheira agrônoma, pecuarista e franqueada da CFM Leachmann para a produção de gado Montana


Fonte: Página Rural
















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