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Quinta-feira, 07 de julho de 2005 - 16h35m

Agronegócio > Suínos

Ciclos econômicos da suinocultura: tendências para 2006



Por Alessandro Crivellaro*

Em 2006, a expectativa é de que ocorra uma redução nos custos de produção para a suinocultura. Este fator deverá compensar a queda prevista no preço do suíno vivo. O cenário para o setor e as tendências de mercado dependem das ocorrências no trinômio representado pelo preço dos commodities, custo do milho e da soja e a flutuação de preços do suíno.

Preço dos grãos
Quanto aos grãos, dependemos sempre do comportamento da safra americana e do comportamento do agricultor brasileiro quanto às tendências de plantio. Outro fator é o estoque de passagem, que corresponde à sobra da safra de grãos de um ano para o seguinte, após descontado o consumo interno e o volume exportado, influenciando nos preços praticados durante o ano corrente.

Soja
Na passagem de 2004 para 2005, a informação é de que o estoque de passagem de soja nos Estados Unidos foi de onze milhões de toneladas, contra apenas dois milhões de toneladas da passagem 2003/2004, um recorde portanto. A safra americana de 2005 prevê uma área plantada de 73 milhões de acres americanos, com uma pequena tendência de redução dos 75 milhões de acres americanos de 2004.

No Paraná, haverá redução da área plantada, com uma redução de safra 2005/2006 prevista de trezentas mil toneladas, correspondente a carga de onze mil carretas. Esta tendência deve ocorrer também no Rio Grande do Sul e em outros importantes estados produtores. Os criadores brasileiros estão desestimulados com a queda do preço da soja, após a alta histórica que levou a saca a mais de R$ 50,00, em 2004.

Com este cenário, com a ocorrência normal prevista da safra americana, não deveremos ter surpresas em 2006, quanto ao preço da soja e consequentemente a um dos principais ingredientes das rações consumidas na suinocultura: o farelo de soja.

Milho
Em contrapartida à soja, o milho terá aumento da área plantada nos Estados Unidos, de 81 para 82 milhões de acres americanos. No Brasil, a área de redução do plantio da soja migra automaticamente para o milho, o que deve garantir uma maior safra do grão em 2006, embora o estoque de passagem previsto para 2005/2006 seja apenas de 1,3 milhão de toneladas, devido a quebra de safra pela última estiagem, contra as 4 milhões de toneladas do estoque de passagem 2003/2004.

Outro fator preocupante do milho, no Brasil, é que a produção e a demanda do grão estão muito próximas, o que nos faz analisar que o Brasil não poderia ser um país exportador de milho, como observamos todos os anos. Com este cenário, a tendência do milho é de baixa nos preços, o que motiva muito a redução dos custos na suinocultura para 2006.

Preço do suíno
Atualmente, o menor custo de produção da suinocultura ocorre em Mato Grosso do Sul, um dos estados que tem menor custo com os grãos, pela sua produção e pela proximidade de estados produtores, como Mato Grosso e Goiás. O oposto ocorre em São Paulo, tradicional importador de grãos e suínos dos demais estados brasileiros e o que apresenta o maior custo de produção.

Ressaltamos ainda que, embora a atividade esteja com saldo positivo, o preço do suíno vivo poderia estar mais elevado. A atual oferta de suínos é baixa. Não está sendo obedecida a lei de oferta e de demanda, pela simples razão de que existe uma conveniência especulativa do mercado. Mas já é possível prever matematicamente que haverá um novo choque de oferta, devido à retomada do alojamento de novas matrizes, ocorrido logo após o término da última crise, em junho de 2004.

O ciclo de um suíno de abate é de cerca de doze meses, desde o alojamento, preparação e cobertura da nova matriz, passando pelas diversas fases da criação até a obtenção do peso de abate. Baseado no ciclo do suíno de abate, podemos prever o novo choque de oferta para o final deste ano e início de 2006, o que influenciará decisivamente na redução dos preços.

Conclusões
Com base nos cenários expostos, podemos concluir que a tendência da suinocultura para 2006 é favorável aos criadores. Também acreditamos que deverá haver uma redução nos preços do suíno vivo, porém com baixo custo de produção, com a redução dos preços dos principais insumos, sobretudo do milho, garantindo a sobrevivência da atividade, embora com menores ganhos.

* coordenador-técnico da Nuvital Nutrientes S/A, médico veterinário (UFSM), especialista em suínos (UFPR), com pós-graduação em Gestão Empresarial (MBA) pela Fundação Getúlio Vargas


Fonte: Enfoque Comunicação & Eventos
















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