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Quarta-feira, 07 de setembro de 2005 - 00h41m

Animais > Agronegócio

Sanidade animal e as zonas de excelência em pecuária de corte



Por Romão Miranda Vidal *

Já dizia o velho capataz da Fazenda Umbuzeiro, (o finado Janguta): não adianta apojar vaca morta, pois se tomar o leite, dá caganeira. Desculpas mil. Mas esta é a real situação na qual toda a pecuária de corte brasileira se encontra. Falo de suínos, aves e bovinos, em relação a situação da Febre Aftosa. Situação esta não atribuída aos pecuaristas, conforme um dirigente nacional afirmou no exterior. Lógico que aves não estão afetas a tal enfermidade.


Existem tratativas em nível internacional que reconhecem a regionalização sanitária animal, no Brasil provavelmente a situação se apresenta como 16 estados livres de Febre Aftosa com vacinação e o estado de Santa Catarina, livre sem vacinação.

Esse status sanitário é de difícil manutenção se considerarmos que as nossas riquezas naturais como rios e florestas podem se prestar como elementos que hospedam animais silvestres que migram de outros países lindeiros ao nosso, onde não se pode descartar que a Febre Aftosa possa ser veiculada por tais animais. Exemplo? É caso do javali na região sul que vive livremente entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai. Outro exemplo? Capivaras que vivem naturalmente nos Parques Nacionais. Outro mais? Veados campeiros, que campeiam soltos pelos pampas, pelas coxilhas da região sul americana. Mas temos que levar ainda em conta que o Brasil é um país de dimensões geográficas consideráveis e que neste gigantismo nos apequenamos de forma drástica, quando se trata de implantar e implementar políticas mais concretas de Sanidade Animal.

A situação na qual nos encontramos é fruto de lições não aprendidas com episódios em passado recente: Monte Alegre no Pará e Carreiro da Várzea no Amazonas nos causaram sérios problemas, sendo que neste episódio a Rússia tentou se valer desta situação para tirar vantagens comerciais. Nada mais do que isto. Mas os prejuízos de imagem sanitária e da falta de competência foram maiores que os financeiros. Interessante neste caso que a Rússia reconheceu estes acontecimentos como sendo fatos de cunhos regionais e localizados, mas mesmo assim estabeleceu barreiras as exportações de carnes de aves, suínos e bovinos.

O Brasil deveria estudar uma forma mais prática de blindagem sanitária.

Estamos diante de uma situação muito frágil. Políticas de sanidade animal a serem implementadas com a criação de Zonas de Excelência em Pecuária de Corte deveriam ser o foco das ações e esforços de ora em diante. Por sinal este foi um dos assuntos por nós abordados quando da nossa participação no Seminário “Rastreabilidade de Alimentos: Segurança, Qualidade e Competitividade” realizado pelo Jornal Valor Econômico, no dia 24 de outubro em São Paulo -
http://especiais.valoronline.com.br/seminarios/indice.asp. .

A necessidade de se definir prioridades e metas a serem atingidas, não tem sido a marca destes últimos governos e por que não dizer de governo algum. Lógico que tal situação deve-se ao desconhecimento do potencial instalado do Brasil, no que se refere a produção de carnes. Este status de pais vendedor e fornecedor de carnes, não é tão velho como muitos imaginam, algo em torno de 10 anos, quando muito.

O Brasil deveria adotar uma política de definição específica para as produções de carnes, sejam elas para consumo interno ou externo. Seria a melhor maneira de mostrarmos um pouco de organização e competitividade ante os nossos importadores e, em especial após este vexame.

A criação de Zonas de Excelência em Pecuária de Corte dentre outras prioridades, a sanidade animal. E nesta priorização definem-se práticas sanitárias de extremo rigor.Nenhum produto animal pode almejar atingir o máximo da qualidade, sem o máximo de sanidade. Estas seriam uma das razões: máximo de qualidade e máximo de sanidade é que se busca a criação de Zonas de Excelência em Pecuária de Corte.

Um dos exemplos que costumamos citar é o dos dois aeroportos. Um deles o de Congonhas http://www.infraero.gov.br/sivnet/modelo.php?ai=SBSP&sent=C) com 338 procedimentos diários –pousos e decolagens – e o aeroporto do Sítio da Abadia com 1 procedimento por ano. No aeroporto de Congonhas todos os recursos técnicos e logísticos mais modernos estão disponibilizados: a torre de controle com equipamentos e técnicos; ambulâncias; carros de bombeiros; equipes médicas; equipes para-médicas; socorristas enfim uma série de elementos disponíveis 24 horas por dia. Porque tudo isto? Pelo fato que a concentração de aeronaves é intensa. A média varia de 2 a 3 minutos por procedimento. Feita esta colocação.Poderíamos imaginar esta mesma situação em relação a pecuária de corte – bovinos, aves e suínos -.

Com a criação de Zonas de Excelência em Pecuária de Corte, todos os esforços: financeiros, técnicos, logística, sanitário, ambiental, genético, pesquisas, treinamentos, mão de obra especializada estariam concentrados e alinhados, na busca de um produto final de excelência.

Quantos aeroportos internacionais o Brasil possui? Algo em torno de 31 unidades. Uma das condições essenciais: ISO 9000 e ISO 14000/2000.

Quantas propriedades produtoras de carnes – aves, suínos e bovinos- adotam a ISO 9000 e a ISO 14000/2000?
A comparação pode até soar como grosseira. Mas a idéia central é esta. Aonde se concentram os maiores rebanhos, se concentram os maiores riscos. Mas estes riscos podem e devem ser minimizados ao extremo com adoção de medidas preventivas, com a concentração de recursos financeiros direcionados para atividades específicas e lógico para a obtenção de produtos diferenciados produzidos nas Zonas de Excelência em Pecuária de Corte.

Conclusão: maiores concentrações produtivas, requerem maiores investimentos, não se pode sequer imaginar o contrário. Mas no Brasil isto não ocorre.

Não é nenhum tipo de política excludente, mas sim uma forma de concentrar esforços de todos sentidos buscando a obtenção máxima de resultados positivos, buscando-se obter o máximo de eficácia e eficiência tendo por meta maior a Qualidade de um produto final.

E como ficariam as regiões não abrangidas e classificadas como Zonas de Excelência em Pecuária de Corte? Continuariam dentro dos procedimentos normais e em especial os de ordem sanitária.
Na realidade ficariam iguais ao aeroporto do Sitio da Abadia, um aeroporto homologado sujeito a todas as exigências da INFRAERO.

O Brasil necessita urgentemente definir parâmetros, sistemas, normas, procedimentos e, sobretudo Zonas de Excelência em Pecuária de Corte, para que possamos nos diferenciar de todos os demais produtores de carnes – aves, suínos e bovinos – do mundo. Sejam estas diferenças explicitadas pela sanidade animal, genética, meio ambiente, gestão, administração, alimentação, nutrição e em especial Qualidade.

Mas temos que admitir o que Paul Krugman, falou no seminário da BM&F em Campos do Jordão: “QUANDO AS COISAS NÃO PODEM CONTINUAR, ELAS PARAM”, e provavelmente estejamos muito próximos deste limiar.


* Médico Veterinário
E-mail: romaovet@uol.com.br


Fonte: Página Rural
















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