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Domingo, 07 de agosto de 2005 - 14h03m

Insumos > Ecológico

Biodiesel e ambiente



Por Daniel Ioshiteru Kinpara *

Há muitos estudos que demonstram a viabilidade técnica do uso do biodiesel como combustível automotivo. Porém, ainda faltam estudos na questão de emissão de poluentes. Essa preocupação existe porque a princípio o programa brasileiro pretende utilizar o biodiesel em motores convencionais de ciclo diesel sem modificações.

Estudos com estes motores alimentados apenas com biodiesel comprovaram que a combustão gerou um baixo nível de emissão de compostos de carbono em comparação com o petrodiesel (diesel obtido de petróleo). Entretanto, esta mesma combustão produziu grandes quantidades de óxidos de nitrogênio. Estes são mais poluente do que os compostos de carbono pois, além de ser um gás de efeito estufa, permanece mais tempo na atmosfera.

A maior emissão de óxidos de nitrogênio é em grande parte causada pela adaptação que o motor sofreu para consumir petrodiesel, tornando-o menos eficiente na queima do biodiesel. É interessante relatar que o motor desenvolvido por Rudolph Diesel, seu inventor, consumia combustível a partir de óleos vegetais.

Existem três formas básicas de se contornar esse problema:

1) a readaptação do motor diesel para consumir biodiesel, garantindo uma queima mais eficiente e menores níveis de emissão;

2) desenvolver catalisadores veiculares específicos para serem mais eficiente na quebra dos óxidos de nitrogênio produzidos, os quais esbarram no problema de preço dado o emprego de metais nobres (como platina, paládio e ródio) e óxidos de metais de transição (como cobre, titânio, vanádio, cobalto, níquel e manganês);

3) utilizar misturas de biodiesel e petrodiesel que garantam níveis de emissão compatíveis com os exigidos pela legislação ambiental. Das três formas, a última é a mais barata e a mais rápida para implementar. Não é surpresa que essa tenha sido a opção adotada pelo programa brasileiro de biodiesel.

Contudo, tal solução não contempla todas as potencialidades que esta fonte de energia de biomassa tem. Uma delas é a “interiorização do desenvolvimento”, termo que significa a possibilidade de levar desenvolvimento a regiões geograficamente distantes dos recursos produtivos e sem infra-estrutura. Um caso típico é a Região Amazônica, não servida pela rede interligada de energia elétrica. Atualmente, grande parte da energia lá é produzida por meio de grupos geradores movidos a diesel.

biodiesel poderia ser produzido por agricultores da região com oleaginosas locais. Com pequenos investimentos, construir-se-ia pequenas agroindústrias para sua produção e se utilizaria os mesmos grupos geradores já existentes. Dessa forma, evitaria-se o altíssimo custo de transporte do diesel. Porém, sem a adaptação dos motores ou o emprego de catalisadores, o uso de 100% de biodiesel como combustível seria uma grande fonte de poluição.

Apesar do biodiesel estar agora focado em seu fim automotivo, é preciso estar atento a outras questões como a social e a ambiental. Além de ter potencial para produzir mais empregos, mais renda e promover o desenvolvimento, é um produto renovável e que emite menos compostos de carbono e de enxofre.

A Embrapa Cerrados, um centro de pesquisa ecorregional, tem condições favoráveis para contribuir em estudos nesse contexto ambiental, não só em termo das ciclagens desses gases, mas de apoiar o desenvolvimento a partir de espécies oleaginosas do próprio Cerrado, o segundo maior bioma brasileiro.


* Pesquisador da Embrapa Cerrados (Planaltina-DF)
E-mail: kinpara@cpac.embrapa.br


Fonte: Liliane Castelões
















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