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Quarta-feira, 07 de setembro de 2005 - 16h22m

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Efeito do déficit hídrico em artemigem



Por Luciana Marques de Carvalho *


Com a demanda crescente por plantas medicinais, seguramente identificadas e com teor de princípio ativo de acordo com o exigido na farmacopéia, para uso na terapêutica ou prevenção de doenças, o cultivo de espécies medicinais torna-se cada dia mais importante. Na produção agrícola há diversos aspectos intrínsecos, ambientais e técnicos que influem na área cultivada e, consequentemente, na produção de princípios ativos pela planta.

Entre os fatores ambientais, a deficiência hídrica destaca-se como fator adverso ao crescimento e à produção vegetal. Detalhes significativos das respostas fisiológicas e metabólicas das plantas cultivadas em ambientes secos são conhecidos, mas sobre o comportamento das plantas medicinais e aromáticas nessas condições pouco se sabe.

O interesse sobre a artemigem (Tanacetum parthenium (L.) Schultz.-Bip) [sinonímia = Chrysanthemum parthenium L. Bern.] (Asteraceae) vem crescendo em função da utilização das suas inflorescências e folhas na profilaxia da enxaqueca. Essa planta é nativa na Grécia e em outros países do Sudeste Europeu e da Ásia Menor, estando bem estabelecida em outras regiões da Europa, na América do Norte e do Sul e no Nordeste da África.

O forte odor, característico da espécie, é decorrente das altas concentrações de terpenos voláteis, constituintes do óleo essencial, encontrado especialmente em folhas e inflorescências. Produz cerca de trinta lactonas sesquiterpênicas, sendo o partenolídeo a lactona sesquiterpênica predominante nessas plantas e princípio ativo característico da espécie.

Com o objetivo de determinar o efeito da disponibilidade de água no substrato dos vasos sobre o teor de partenolídeo na parte aérea das plantas, cultivou-se a artemigem [Tanacetum parthenium (L.) Schultz Bip.] em vasos de 5 L com o substrato dos vasos mantido na capacidade de campo ou com deficiência hídrica (50% da capacidade de campo).

Nos níveis de maior disponibilidade hídrica verificou-se maior altura, número de folhas, área foliar total e teor de partenolídeo. No menor nível de disponibilidade de água no solo verificou-se redução de 16% na altura das plantas, de 13% no número de folhas, de 14% na área foliar total e de 28% no teor de partenolídeo. Além disso verificou-se atraso no início do florescimento nas plantas cultivadas com déficit hídrico. Considerando que a variável mais importante na produção de espécies medicinais é o teor de princípio ativo, e que as plantas cultivadas sob déficit hídrico tiveram menor teor de partenolídeo, concluí-se que os níveis maiores de água no solo são mais indicados à produção de plantas de artemigem.
OBS: Trabalho extraído de tese de Doutorado em Produção Vegetal, realizado na Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG.


* Pesquisadora da Embrapa Tabuleiros Costeiros
E-mail: luciana@cpatc.embrapa.br


Fonte: Samantha Rocha
















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