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Quarta-feira, 07 de setembro de 2005 - 14h40m

Animais > Búfalos

Búfalos no extremo Sul do Brasil: só vantagens



Por Maria Cecília F. Damé *


Os búfalos são originários do continente asiático e foram introduzidos no Brasil, através da Ilha de Marajó (PA), no final do século XIX, espalhando-se por todas as regiões fisiográficas, predominando na região Norte, com um efetivo de 50% do total nacional, estimado em três milhões de cabeças.


No Rio Grande do Sul, apesar da introdução recente da bubalinocultura (pouco mais de 60 anos) essa atividade pecuária apresenta um crescimento expressivo, contando atualmente, com um rebanho aproximado de 300 mil cabeças.

No Estado, as pesquisas com essa espécie tiveram início em 1982. Os animais experimentais tiveram sua origem dos estados do Pará, Paraná e São Paulo. A partir dessa data, pesquisadores da Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS) com a colaboração de professores da Universidade Federal de Pelotas, vêm desenvolvendo trabalhos de pesquisa em diversas áreas (produção, reprodução, sanidade, alimentação e manejo).

O primeiro estudo teve por objetivo avaliar a viabilidade da bubalinocultura no extremo Sul do País. Para atingir esse objetivo foi montado um sistema de criação extensivo com 40 matrizes e um reprodutor. Dados de quase dez anos de observações mostraram que a exploração dos bubalinos é uma alternativa viável à pecuária da região. A espécie apresentou alta prolificidade e precocidade (taxa de nascimento em torno de 90%; idade à primeira cria de três anos e abate aos dois anos de idade com aproximadamente 480kg de peso vivo).

Também foi avaliado o desempenho da espécie na produção de carne, comparando as três raças criadas no Estado (Murrah, Mediterrâneo e Jafarabadi) e a influência da castração. Os resultados mostraram não haver vantagem no uso dessa prática, no que se refere a peso de abate, rendimento de carcaça e peso dos principais cortes, apenas nos animais castrados foi observado um couro mais leve.

Já o estudo comparativo entre as três raças concluiu que quanto ao peso da carcaça, a Jafarabadi apresentou um peso superior ao da Mediterrânea, enquanto a Murrah não diferiu das outras duas raças. A carne dos bubalinos é similar a dos bovinos, entretanto, apresenta 40% menos colesterol, 12 vezes menos gordura, 55% menos calorias, 11% a mais de proteína e 10% a mais de minerais.

No manejo alimentar foram testados diferentes sistemas de alimentação, incluindo pastagens cultivadas de inverno e de verão, confinamento e suplementação a cocho (ração, silagem, palha de arroz tratada) em várias combinações. Os tratamentos que apresentaram melhores resultados foram os que utilizaram pastagem cultivada de inverno, onde o abate pode ocorrer aos 18 meses de idade, com um rendimento de carcaça superior a 50% e uma produção de mais de 320kg/ha/ano de peso vivo.

Na reprodução foram estudados aspectos fisiológicos como a puberdade e a estacionalidade reprodutiva. Verificou-se que fêmeas bubalinas podem atingir a puberdade e, portanto, conceber pela primeira vez, a partir de um ano de idade com 335kg de peso vivo. Conseqüentemente, o primeiro parto pode ocorrer aos dois anos de idade com 435 kg de peso vivo. Também observou-se que as búfalas podem manifestar cio durante todo o ano nesta região, tendendo a comportar-se como poliestral contínua.

Quanto ao comportamento reprodutivo do macho, houve um aumento da libido, bem como, da qualidade do sêmen no verão e outono. O uso da técnica de inseminação artificial é mais difícil nessa espécie, porque os sintomas de cio na búfala são pouco evidentes, sendo melhor observados com o auxílio de rufiões ou rufiãs. O índice de natalidade, utilizando essa técnica foi de 80%, comparável aos melhores resultados citados pela literatura, para os bubalinos.

Quanto à sanidade foi observado que as doenças parasitárias são as que mais acometem os búfalos. O piolho (Haematopinus tuberculatus) é o principal ectoparasita e a verminose gastrointestinal o que mais atinge os terneiros até a desmama, mas são facilmente controlados através de tratamentos estratégicos.

A principal doença infecto-contagiosa foi a Yersiniose (Yersinia pseudotuberculose), que acometeu principalmente terneiros desmamados e vacas de primeira cria. Os surtos ocorreram de agosto a outubro e os principais sintomas foram: diarréia escura e fétida, desidratação, emagrecimento progressivo e morte. O tratamento seria através de antibióticos, as tetraciclinas.

Também foram destaque as doenças congênitas, dentre elas a dermatose mecanobolhosa descrita pela primeira vez na literatura mundial. É uma enfermidade hereditária, causada por um gene recessivo autossômico que tem como principal sintoma a fragilidade da pele e dos pêlos.

No Estado, a bubalinocultura está voltada quase que exclusivamente para corte, mas a partir de 2000, um pequeno grupo de bubalinocultores vêm ordenhando seus animais. A grande importância do leite bubalino está em proporcionar produtos lácteos de qualidade e com alto valor de mercado, como é o caso da mozarela, que pode atingir até quatro vezes o valor do similar bovino. Como o leite bubalino é mais concentrado que o leite bovino, possui maiores teores de gordura, proteína e minerais, o seu rendimento industrial pode superar o rendimento do leite bovino em mais de 40%.

Na Embrapa foi desenvolvido um trabalho piloto, onde foram ordenhadas 10 búfalas, sete eram de primeira cria e produto de inseminação artificial com sêmen de reprodutor de linhagem leiteira, importado da Bulgária. Esses animais foram mantidos em pastagem natural e no inverno tiveram acesso a pastagem cultivada (azevém x aveia). A produção total média foi de 1.036kg de leite em 259 dias de lactação com uma percentagem média de gordura de 5,48%.

Além da pesquisa, o rebanho bubalino da Embrapa tem por objetivo produzir reprodutores capazes de melhorar os rebanhos da região. Desde 1998, com a primeira participação na Expointer (Exposição Internacional de Esteio) a Empresa tem acumulado prêmios de Grandes Campeões e Reservados de Grandes Campeões, bem como, o prêmio máximo: “Melhor Criatório de Bubalinos”.
Essa gama de informações técnicas que a Embrapa Clima Temperado tem produzido, reconhecidamente contribuíram para o desenvolvimento da bubalinocultura da região.



* Médica-Veterinária - MSc. - pesquisadora Embrapa Clima Temperado - Pelotas/RS
E-mail: cecilia@cpact.embrapa.br


Fonte: Embrapa Clima Temperado
















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