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Terça-feira, 03 de janeiro de 2006 - 11h02m

Agronegócio > Carnes

Carne bovina produzida na Argentina: pequena quantidade, grande qualidade



Por Romão Miranda Vidal *

No entender dos argentinos, quando se fala em “Carne”, está-se falando de carne bovina. Não mais do que isso. Outras carnes são identificadas de forma mais direta, como “chancho”, ovino ou “pollo” ( alitas de pollo, uma delícia). A razão pela qual o povo argentino se refere “a la carne” é simples: é a carne mais consumida por todas as classes sociais. O consumo de carne bovina – carne de vacunos – é considerável, podendo se afirmar que os argentinos são os maiores consumidores de carne bovina por pessoa, da América do Sul.

Tecnicamente vamos inicialmente entender que: carne são os diversos músculos – cortes com denominação específica-procedentes de animais criados de forma sadia e abatidos dentro dos mais elevados princípios de higiene e que sofre um processo de transformação bioquímica, após o abate.

Há mais de 100 anos que a carne bovina, produzida na Argentina tem lugar garantido em vários mercados internacionais. Herança ainda do tempo dos ingleses que dominavam o mercado de ponta a ponta, quando eram grandes estancieiros na região do Prata e dos Pampas. Os ingleses se foram, as raças européias ficaram, os frigoríficos muitos deles fechados, outros reformados e o mercado internacional manteve-se por um determinado tempo e depois cresceu e hoje se encontra em franca expansão favorável para a carne argentina.

Porque a carne bovina argentina é tão comentada, aceita e até disputada? Os analistas dizem que é pela forma como são criados os bovinos. Criados de forma natural, em pastagens nativas como: azevem, trevo, cornichão, alfafa ou em pastagens implantadas no período invernal. Outro fato que chama a atenção é a baixa densidade de animais por área de pastos o que permite de certa forma uma considerável oferta de alimentos, aliados ao clima frio na região do pampa argentino e temperado na região da Mesopotâmia Argentina.

Analisemos esta opinião: “A condição extensiva de produção dos países da América do Sul em geral, e da Argentina em particular, constitui, no que diz respeito à saúde animal, uma vantagem comparativa de importância. A baixa densidade pecuária e a abundância de pastagens e forragens constituem um impedimento para o desenvolvimento de agentes infecciosos que se vêem favorecidos nas condições produtivas de alta intensidade que caracterizam os países industrializados. (Aníbal D. Fernández Ministro da Produção da República Argentina - 8 abril 2003)”.

A conclusão é simples. Baixa densidade de animais por área pastoreada, criação uma sensível obediência ao meio ambiente e, sobretudo o manejo empregado. Dificilmente se encontra nas estâncias argentinas movimentação de bovinos de forma apressada. Os cães utilizados são treinados para o aparte e condução, sem conduto latirem ou atropelar o rebanho. Os peões com seus cavalos crioulos absorvem a tranqüilidade e modorra (no sentido figurado da palavra) do gado europeu.

A maioria das explorações realiza-se de forma natural. Poucas as propriedades que empregam suplementos protéicos, como tortas de algodão, farelo de soja ou sal mineral proteinizado. O emprego de ensilagem tem a sua parcela de participação, a alfafa em forma de feno idem.

A carne oriunda deste tipo de criação se apresenta com baixo índice de gordura intramuscular e de colesterol, não bastasse estas duas qualidades a carne argentina tem um elevado grau de proteínas quando comparado com carnes de outras espécies, o que de certa forma estabelece uma condição para um elevado valor nutricional e organoléptico. Os consumidores internacionais agradecem.

O prestígio da carne argentina deve-se também ao fato de ser o “prato” tradicional, assim como arroz e feijão o é no Brasil. O consumo de carne pelos argentinos pode ser e deve ser ligado ao fator cultural, faz parte da sua dieta. Interessante que os argentinos fazem uma comparação muito real: para eles o consumo de carne significa carne bovina é algo natural, que atinge a todas as camadas sociais.

Lógico que existem exceções em especial para com os mais pobres. Enquanto que em outros países o consumo de carne bovina é viável para classes sociais abastadas. Outro fator que chama a atenção: a carne bovina argentina é de um sabor “irremplazable”, o que de certa forma quer dizer : insubstituível? Incomparável? Peculiar? .
Os argentinos valorizam muito “La carne”.

Em alguns países e isso não é generalizado, pode-se medir o seu grau de evolução e de estabilidade econômica, pela quantidade de consumo de proteína de origem animal, em especial a de bovinos. Se este for o caso os argentinos deveriam estar no topo de IDH.

Um dos fatores que chama a atenção com respeito a carne argentina, refere-se a maneira empregada na sua criação. Em geral são animais criados em pastagens naturais, sem o uso de suplementação alimentar e não são confinados em nenhum período da sua existência. Tal situação favorece a formação de camadas de cobertura adiposa com Ácido Linoleíco Conjugado que segundo pesquisadores apresentam características anticancerígenas e o fator Omega 3. Estas vantagens se sobrepõem em relação as outras espécies animais criados de forma intensiva em regime de confinamento.

Pode-se afirmar que a carne produzida na Argentina, em regime de pasto apresenta proteínas de elevado valor biológico e como tal na sua composição das proteínas temos os aminoácidos essenciais:
Leucina, Isoleucina, Valina, Triptofano, Metionina, Fenilalanina, Treonina e Lisina;

Mas também são encontrados aminoácidos não essenciais:
Alanina, Arginina, Ácido aspártico, Aspargina, Ácido glutâmico, Cistina, Glicina, Glutamina, Hidroxiprolina, Prolina, Serina e Tirosina.

Estudos informam também que a carne argentina é de alta digestibilidade, ou seja é absorvida em 95%. O que contradiz que a carne é um alimento de difícil digestibilidade. Ocorre é que este alimento permanece por um período maior de tempo no estômago, fato este que dá uma sensação de saciedade.

Estamos diante a uma situação na qual a Quantidade é deixado de lado e a Qualidade passa a ser o objetivo principal.
Não nos surpreendamos com estas posições em relação a carne argentina.

Nós também temos condições de produzir este mesmo tipo de carne. Se bem que brasileira. Quem viaja pelos campos de Santa Catarina – Lages, Curitibanos, Campos Novos e pelo Rio Grande do Sul, em especial na região de fronteira – Uruguai e Argentina, verá que ali se encontram condições semelhantes as da Argentina, em termos de campos nativos, de clima, solo e raças européias povoando os pampas e as coxilhas.

E a pergunta é a seguinte: Eles tão pequenos e fazem um temendo de um barulho. E nós tão grandes, porque ficamos calados?

* Médico Veterinário
E-mail: romaovet@uol.com.br


Fonte: Página Rural
















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