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Quinta-feira, 05 de janeiro de 2006 - 14h50m

Agronegócio > Economia

Resultados de 2005 e perspectivas para 2006



Por Paulo Ricardo de Souza Dias *

O ano de 2005 foi de extrema dificuldade para a maioria dos produtores rurais do Brasil. Uma conhecida política de descaso do setor primário, a não ser para usá-lo como âncora verde ou como moeda de troca nas transações de comércio internacional. Uma política econômica que privilegia o setor financeiro, com juros altos, dólar artificialmente baixo, prejudicando as exportações e uma absurda carga impositiva, foram determinantes para essa dificuldade. Para piorar a situação, tivemos no Rio Grande do Sul, uma enorme estiagem que arrasou culturas importantes.


Na Metade Sul, nossa mais importante lavoura - a orizícola que é irrigada, teve produção, mas não teve preço. O governo federal não soube e não sabe administrar aumento de produção, aumento esse, reforçado pela entrada de arroz do Mercosul e de terceiros países, sempre a preços mais baixos do que o nosso custo de produção.

Nesta oportunidade, não nos faltou só governo, mas o restante da cadeia calou-se e lucrou com a dificuldade do produtor. Esse tema, entre tantos outros, foram levados a Brasília, na maior manifestação dos produtores rurais brasileiros, pois, uma única e malfadada política, afetava vários setores da produção em quase todos os Estados brasileiros.

Fomos mais uma vez iludidos, pois prometeram e não cumpriram. Fomos enganados como toda a Nação o foi, por um governo que está mais preocupado e ocupado com a pilhagem dos cofres públicos e em fazer caixa II para garantir a perpetuação no poder, do que com o setor que vem cumprindo seus compromissos de geração de empregos e alimentando esse país.

Entre as solicitações do manifesto nacional, estavam a ampliação orçamentária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a liberação imediata dos recursos, orçamento esse de apenas 0,23% do total, ridículo para um país com enorme vocação e potencial agropecuário.

Nos preocupamos sobremaneira as poucas e contigenciadas verbas para defesa sanitária, aliás, não só a nós produtores, mas também, aos técnicos da União Européia, nosso principal mercado da carne bovina, que já haviam alertado ao MAPA de que febre aftosa era questão de tempo.

Em outubro veio o anuncio do foco da febre aftosa, ocasionando perdas de mercados importantes, conquistados com muitas dificuldades, e pior com perda de credibilidade internacional.

Apesar de todas as dificuldades e pelo fato do foco aparecer já no final do ano e por conseguirmos transferir alguns contratos para Estados livres da suspensão, conseguimos fechar o ano com exportação recorde, com 2,35 milhões de toneladas e faturamento superior a 3,1 bilhões de dólares. Mais um ano em que o Brasil consolida sua posição de maior exportador mundial de carne bovina, mesmo exportando 23% de nossa produção, somos responsável por 25% da carne bovina comercializada no mundo.

Porém, mais um ano de números que nos orgulham, mas não nos remuneram, pois não tivemos transferida renda ao produtor. Ao contrário dos países desenvolvidos, que subsidiam a produção primária, no Brasil, nós produtores rurais é que subsidiamos a cadeia, para que possamos ter preços baixos para competir no mercado internacional e nas gôndolas dos supermercados, já garantidas as margens de lucro para os demais.

O cenário para 2006 promete também um ano muito difícil, pois os erros cometidos principalmente pelo governo federal ainda terão seus efeitos. O setor agrícola é o mais atingido porque não foi atendido nas suas principais reivindicações, e quando foi, já era tarde. Estamos muito próximos de um novo endividamento quando muitas culturas terão que pagar compromissos de dois anos, com uma só coleta.

Com relação à carne bovina temos que controlar a febre aftosa e seguir o protocolo apontando pela OIE e convencermos nossos clientes internacionais a suspender os embargos. Para isso, é preciso investir firme em defesa sanitária, tanto em pessoas como em material, nos unirmos e fazer uma êxitosa campanha vacinal e recuperarmos a nossa credibilidade.

O elevado abate de matrizes, o aumento do consumo de carne bovina a nível mundial e também no Brasil, deve ajustar a oferta e a procura, fazendo os preços ficarem mais justo ao produtor. Uma provável queda dos juros e uma elevação do dólar vão dar mais competitividade aos produtos de exportação.

A provável transferência de plantas frigoríficas dos Estados proibidos de exportar para o Rio Grande do Sul deve aumentar a concorrência, equilibrando a cadeia. Por fim, fica a esperança de que possamos também ganhar, como toda cadeia vem ganhando.

Para o país fica a certeza de que pode contar com o produtor brasileiro, pois é justo nos piores momentos que a Nação sempre recorre ao campo. Quanto a nós produtores, fica a convicção de que devemos continuar unidos em torno de nossas entidades e a certeza de que podem contar sempre com a nossa Associação/Sindicato Rural de Bagé.

* médico veterinário e presidente da Associação/Sindicato Rural de Bagé


Fonte: Associação/Sindicato Rural de
















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