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Domingo, 05 de março de 2006 - 21h23m

Agronegócio > Economia

O agronegócio brasileiro necessita de socorro



Por Mario Hamilton Villela*


Ao iniciar este texto estou tentado a manifestar minha indignação e repulsa sobre os recentes e lamentáveis acontecimentos promovidos pela Via Campesina e MST, tanto, em Coqueiros do Sul (invasão de Fazenda), como em Barra do Ribeiro, no triste vândalo episódio da Aracruz Celulose, onde três milhões de mudas de eucalipto e um Laboratório de Pesquisa foram destruídos. Esta última, sob o simples argumento de que a monocultura do eucalipto não seja a melhor alternativa para o desenvolvimento da Metade Sul. Isso até pode ser tecnicamente discutido, mas não com atos de selvageria e irresponsabilidade como os praticados. Essas estripulias e barbáries, já foram suficientemente exploradas pela imprensa nacional e abordadas em diversos artigos por articulistas de renomada competência. Nada, absolutamente nada, justificam essas atitudes insensatas e grotescas!


Manifestarei, então, aqui algumas preocupações com a situação de nossa realidade agrícola e que necessitam de uma análise profunda pelos órgãos governamentais, com a urgência necessária.

Pelas informações que estão chegando, o Brasil, este ano, deverá se tornar o maior exportador de soja, despejando no mercado externo 26 milhões de toneladas, ultrapassando em um milhão aos Estados Unidos. A grande maioria dessa exportação ainda é em grãos, portanto, com baixo valor agregado. Coisa semelhante já está acontecendo, há algum tempo, com outros produtos como, por exemplo, o café. Situações essa que devem um exame apurado.

O arroz, também, vem sofrendo a tendência de preços baixos que continua neste início de safra, em função da grande quantidade existente no mercado da safra anterior acrescida, agora, com a nova colheita. Embora com uma estimativa de safra, aqui no Rio Grande do Sul, de dez por cento a mais que no ano passado.

A pecuária, tanto a leiteira (a cotação do leite vive uma instabilidade gritante – a queda da média nacional nos últimos 12 meses chega a quase 25%) como a de corte, vivem momentos de dificuldades. Preços baixos sem reajustes significativos a já bastante tempo. Sem falar nos novos e intempestivos focos de febre aftosa que, novamente, trazem percalços a esse importante segmento exportador de nosso agronegócio.

Na pecuária de corte, o produtor totalmente descapitalizado (por falta de estímulos de apoio oficial), acelera a venda de matrizes. A estimativa prevista para o ano passado (não ainda consolidada) sinaliza com um número de quase treze milhões de ventres abatidos, com números bem acima da média histórica, isto está provado na estatística divulgada recentemente pelo IBGE/SCOT Consultoria.

A situação da avicultura é bastante difícil, a do milho não é diferente. Os sucos cítricos estão sendo sobretaxados (em 9,73%), o que provocou uma queda de onze por cento nas exportações para os Estados Unidos, apesar de sermos o maior produtor mundial de suco de laranja, mas, vendemos apenas nove por cento para os Estados Unidos, o maior mercado externo comprador.

A ovinocultura, apesar das heróicas tentativas de soerguimento, também enfrenta muita dificuldades no atual cenário agropecuário.

Enfim, apesar de tudo, a presente safra de grãos com uma área plantada bem menor que as duas últimas, se o clima não prejudicar, de acordo com previsões iniciais da CONAB deve registra uma colheita recorde de 124,4 milhões de toneladas de grãos (a safra de 2004/2005, segundo a mesma fonte foi de 113,9 milhões de toneladas de grãos).

Todos sabem que o problema gerador dessa descapitalização e desequilíbrio do agronegócio brasileiro está entre outros fatores de menor incidência, básica e fundamentalmente na atual taxa cambial praticada no País. É, sem dúvida, a responsável pelo profundo abalo no poder de competitividade dos produtos do agronegócio brasileiro.

Está mais do que na hora de o Governo Central juntar-se ao setor produtivo do agronegócio e procurar estudar alternativas viáveis e rápidas para o enfrentamento dessas dificuldades que podem levar esse pujante setor da economia nacional que contribui, hoje, com quase 30% do PIB nacional, a uma situação de desestabilização. Esse exame ou estudo deve ser realizado com a devida urgência.

* engenheiro agrônomo e Prof. Me. da PUCRS
E-mail: mhvilela@pucrs.br


Fonte: Página Rural
















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