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Domingo, 05 de março de 2006 - 16h43m

Política Agrícola > Agronegócio

Sensação de im(potência)



Por Julmir Cecon*


Assistir o milho e a soja despencando, sem freio, ladeira abaixo; ver o dólar em cadeira de rodas e sem expectativa de alta; saber que a gripe aviária noutros países abate sem dó nossas exportações e, o que é mais revoltante, testemunhar um governo federal imobilizado diante do caos que se anuncia, dá a sensação de impotência a quem respira o agronegócio brasileiro 24 horas por dia. Juros que demoram uma eternidade para baixar, descompasso tributário entre unidades federativas, queda vertiginosa da renda agrícola, galopada gigantesca da inadimplência e a facilidade com que chegam alimentos de outros países em nossos supermercados, dá a falsa impressão que somos, sem exceção, incompetentes de marca e sinal.
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Os menos informados podem pensar que cooperativas, agroindústrias, lideranças rurais de toda ordem, deputados que representam o agronegócio, e até nosso Ministro da Agricultura, o produtor rural e sensato Dr. Roberto Rodrigues, todos não passam de um bando de omissos que nada fazem diante da caótica situação que se apresenta para a agricultura brasileira. Contudo, essa inércia por parte do setor agrícola não existe. A agropecuária brasileira não é culpada pelo cenário que aí está. Pilhas de dossiês anunciando ao Governo o abismo, viagens e reuniões sem fim e vigorosos reclames feitos na imprensa, parecem não significar nada ao desmaiado comando do nosso Império verde e amarelo, que continua em Brasília com a busanfa achatada sobre o projeto eleitoreiro de 2006, tentando rebrilhar a própria imagem, gangregada por sucessivos mensalões, valeriodutos e outros lixodutos. Bem na cara desse Governo, os bancos lucraram em 2005, R$ 28 bilhões de reais, com o aplauso do incauto Ministério da Fazenda.


O que fazer?

Já que ninguém escuta os gritos da roça, resta-nos o caminho da reversão. Em vez de rumarmos todos para a vala das lamúrias, vamos tirar proveito desse avassalador momento: que tal voltarmos nossas atenções para o fluxo de caixa, aproveitarmos para bisbilhotar os exageros estruturais, reordenar as equipes, re-aprender a cortar custos como tosquiamos as unhas a cada semana; vamos desembrulhar alguns contratos de parceria e expurgar dali preceitos que não servem mais; que tal questionarmos determinados investimentos em tecnologias, afinal, nem sempre vamos à Lua e, portanto, não necessitamos de ‘naves’ espaciais todos os dias; o que acha, prezado(a) leitor(a), de ressuscitarmos a junção de forças com nossos iguais, os famosos e extintos mutirões, prática esta esquecida quando os anos foram de vacas gordas; quão importante seria, nesse momento de aperto geral, substituirmos aquilo que é supérfluo por algo mais simples, porém não menos eficaz. Tudo isso pode servir para robustecer o ânimo e evitar prejuízos, seja no ambiente empresarial urbano ou agrícola.

Se não há meios externos de ampliarmos nosso poder de competitividade, resta a alternativa de cuidar – e bem – daquilo que está aí, ainda em pé; se os investimentos se retraem por algum tempo, vai vagar a agenda para re-engenhar outras peças da casa e isso trará conforto.

Lições de 2006, por favor, não se escondam. Façam-se presentes e sejam todas bem-vindas. A desgraça também educa e os desafios nos tornam mais potentes. Que assim seja, Amém!


* jornalista, MBA em Gestão do Agronegócio pela FGV, assessor de Imprensa Cooperalfa e professor universitário CELER (Cooperativismo) e Faculdade SENAC (Estratégias Competitivas)
E-mail: imprensajc@cooperalfa.com.br


Fonte: Página Rural
















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