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Domingo, 05 de março de 2006 - 14h25m

Política Agrícola > Cães e Gatos

"Durante o dia somos fiscalizados e a noite roubados"



Por Ivanir Maia*

Os graves problemas que o setor produtivo agropecuário está vivenciando têm causado danos irreversíveis a muitos produtores. As perdas pela estiagem e a desfavorável política agrícola provocará, até o final do ano, uma significativa elevação no êxodo rural.
Esta constatação é visível através do quadro em que se encontra o agronegócio no momento. A falta de apoio está colocando “na parede” o setor que alimenta o país.



Se não bastassem estes problemas, diversos outros fatores estão travando o desenvolvimento deste segmento. Também chamado de pretexto para evitar a expansão e o crescimento de área agrícolas, a legislação tem ficado, a cada dia, mais penosa a quem quer produzir.

Durante o milagre econômico brasileiro, há cerca de três décadas, a expansão foi promovida as custas de crédito favorável e sem critérios ambientais para exploração. Hoje, além do crédito estar disponível em condições restritas, a área ambiental passa pelo martírio da legislação.

Com novas regras estabelecidas, muitos produtores não estão em condições de enquadrar-se nas novas diretrizes. Com isso, multas e burocracias estão sendo administradas como forma de manter-se na atividade. Da mesma forma segue a legislação trabalhista, em que equipara um trabalhador rural ao urbano, criando uma série de entraves no processo.

Diante das condições que se encontram as propriedades brasileiras, em que inúmeros casos nem energia elétrica têm ou mesmo estradas dignas, quantas terão condições técnicas e estruturais para atender a 100% das demandas da legislação trabalhista? Este quadro promove a tecnificação das atividades, elevando o desemprego, como estratégia de sobrevivência do produtor rural.

Se não bastassem os motivos que barram a dinâmica dos empresários rurais, a onda de assaltos urbanos também assola o campo. Grupos armados invadem propriedades e os produtores indefesos assistem ao carregamento de máquinas e insumos sem poder fazer nada. Para completar, o policiamento existente pouco pode fazer, por causa da falta de estrutura.

“Durante o dia somos fiscalizados e a noite roubados”. Esta frase de um agricultor revela a situação desesperadora, em que muitos não sabem mais o que fazer.

Somando estes fatores com a crise econômica ora vivida, a interferência é direta na capacidade de pagamento das empresas rurais. Como conseqüência, para manter-se no setor, o endividamento cresce a cada dia, atingindo níveis desesperadores.

Quando o governo diz que os “chorões” da agricultura não precisam de ajuda, é porque está faltando um pouco de atenção a um setor estratégico ao país. Com a crise no campo, haverá menor oferta de alimentos, elevando sobretudo os custos da cesta básica, além de inchar as cidades de ex-produtores.

O próprio governo admite que a reforma agrária é a saída ao país. Como poderá ser possível, se nem os “amigos do presidente”, os assentados, recebem apoio para produzirem. Se os atuais produtores, estruturados à produção, não conseguem sobreviver, como um assentado, sem recursos para comprar sementes ou construir sua casa, conseguirá?

Conclui-se portanto, que a atual forma em que vem sendo tratado o agronegócio brasileiro, não permitirá desenvolvimento ao setor. Pelo contrário, a cada dia, novas forças ajudam a sufocar o setor, permitindo aos heróicos sobreviventes uma triste realidade para continuar no ramo, produzindo “o pão nosso de cada dia”.


* engenheiro agrônomo, mestre em administração rural, assessor e agronegócio da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA), professor universitário e consultor

E-mail: maia@aiba.org.br


Fonte: Assessoria de Comunicação da AIBA
















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