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Terça-feira, 06 de junho de 2006 - 12h02m

Agroinformática > Internet

Informações do campo para o mundo digital



Por Sidivânia Peroza Silva *


RESUMO

O artigo tem o intuito de abordar uma analogia do Jornal ‘O Cooperalfa’ na internet. Também são elencadas informações relativas a tecnologia do mundo digital. Devido aos avanços tecnológicos as pessoas passaram a acompanhar o desenvolvimento que está cada vez mais digital. Esta participação no mundo virtual é muito importante para qualquer atividade profissional, principalmente para os profissionais do jornalismo que precisam estar atualizados a todo instante. A modernização dos sistemas de comunicação e o surgimento da internet facilitaram muito o acesso as informações e permitiram às empresas uma inserção no mercado global.



INTRODUÇÃO

Pertencer a uma cadeia mundial de informações é no mínimo uma iniciativa louvável e de alguém que está preocupado com as transformações que o mundo nos apresenta a cada segundo. Da maior cooperativa agropecuária de Santa Catarina não se podia esperar outra atitude, se não a de uma sociedade-empresa competitiva e vanguardista. Refiro-me aqui a inserção da Cooperativa Regional Alfa no mundo das tecnologias digitais da informação, mais especificamente do jornal "O Cooperalfa".
A Cooperalfa, com sede em Chapecó e filiais em 70 municípios de Santa Catarina, está na rede mundial de computadores há seis anos. Nos cinco primeiros anos manteve o mesmo site, com um formato bem mais modesto, pouco atrativo e que não contemplava todos os aspectos corporativos, técnicos, industriais, comerciais, ambientais, sociais e noticiosos da cooperativa. Visando uma participação mais atuante no ciberespaço, foi necessário buscar um novo formato para o portal eletrônico, dando-lhe muito mais cores, dinamismo e diversidade de links, entre os quais o do webjornal "O Cooperalfa".


UMA ANALOGIA DO JORNAL "O COOPERALFA" NA INTERNET

O jornal impresso da Alfa foi criado em 1º de junho de 1988 e é distribuído mensalmente as 14.800 famílias associadas, além de companhias agrárias, faculdades, educandários locais, ONGs, empresas conectadas ao agronegócio, cooperativas e outros segmentos da sociedade urbanizada, totalizando uma tiragem de 17 mil exemplares. É um veículo que foi ganhando adeptos com o passar dos anos, pela sua originalidade e compromisso com a seriedade na checagem das informações. Começou pequeno, sem cores e em papel jornal. Depois foi conquistando a fidelidade do público, ganhando corpo, cores, brilho no papel e finalmente pode ser visto na tela do computador de qualquer lugar do mundo. É a informação do campo para o mundo virtual.

Quem diria! Um jornal que nasceu com o propósito único de bem informar o associado, na sua maioria agricultores simples e completamente alheios ao mundo das tecnologias digitais, de repente sendo visto por pessoas do mundo inteiro e das mais diferentes culturas. Sendo parte do leque de opções oferecidas pelo portal da Alfa www.cooperalfa.com.br aos internautas. Parece muito, mas é apenas o começo.

O que temos na web não é uma versão on line do jornal O Cooperalfa, mas o jornal, tal como em sua versão papel sendo levado para a Internet. No entanto e apesar disso, sob o ponto de vista geográfico isso faz uma grande diferença. O jornal da cooperativa deixou de ter uma circulação limitada ao universo do papel e partiu para o rompimento de fronteiras, alcançando o ciberespaço. Até porque, em se tratando de público rural, a realidade é bem diferente daquela que se vive nas grandes cidades e disponibilizar um jornal on line interativo e multimidiático seria inoportuno e um desperdício de recursos. Afinal, um número muito restrito de associados possuem computadores e muito menos com internet banda larga.

Para a jornalista Suzana Barbosa, doutora em Comunicação e Cultura Contemporânea, da UFBA, "o jornalismo local sempre foi de grande relevância. O dado novo é que no jornalismo digital a estrutura de redes permite novas possibilidades para a geração dos conteúdos locais, ampliando o espaço para a sua veiculação. Cada vez mais iniciativas são direcionadas para expressar e fazer circular informações e serviços focados no interesse das comunidades. O novo esquema representativo do mundo assenta-se sobre um modelo de interação entre o global e o local - o glocal".

Uma pesquisa realizada em 2004 com os produtores rurais, que compõem o quadro de lideranças agrícolas na área de ação da Cooperativa Regional Alfa, revelou que apenas 5% dos cooperados dispunham de computadores para acessar a Internet e atualizar as planilhas de custos de produção. É um número ainda pouco expressivo, porém suficiente para servir de desafio para a Alfa, no sentido de evoluir no quesito da interatividade virtual, pois o assessor de imprensa da cooperativa, Julmir Cecon, é bastante otimista e acredita que em cinco anos o próprio associado deverá estar comprando adubos, fertilizantes, sementes e outros insumos, ou mesmo consultando saldos, Cota-Capital etc, tudo via rede. "Então, a Alfa urgentemente deverá estruturar um planejamento estratégico acerca desta futura necessidade que certamente virá".

Transformar o jornal O Cooperalfa, reproduzido na Internet, num verdadeiro jornal on line seria uma isca para transformar o leitor virtual passivo num leitor ativo e participativo, com a possibilidade, inclusive, de o leitor enviar mensagens para a redação através do correio eletrônico e outras modificações que apontem uma certa autonomia em relação ao suporte papel. Porém, para isso, a Alfa não dispõe atualmente de mão-de-obra suficiente na assessoria de imprensa para, permanentemente, atualizar o jornal on line. A direção entende que o mais importante é sermos eficazes na comunicação com a base associativa e corpo funcional. Para isso, utiliza outros meios para se relacionar com esses públicos: jornal impresso, informativo de rádio em várias emissoras, boletim interno semanal (Comunicalfa) e reuniões periódicas.

Gerir o conteúdo de um site corporativo não é exatamente como editar uma revista impressa ou um noticiário on line. Todo o conhecimento de um jornalista especializado em Internet pode ser inútil se ele ignorar as peculiaridades do ambiente corporativo: os processos de tomada de decisão, as motivações de cada departamento, as disputas de poder, quem realmente manda (não importa em quais caixinhas do organograma), as falhas de comunicação, os craques em tirar o corpo fora, as especificações malfeitas, e por aí vai.

O trabalho de um editor à frente de um site corporativo envolve muitas dimensões além da técnica, algumas delas invisíveis até que aconteça uma crise. Por isso, até se chegar a um site efetivamente on line para o jornal O Cooperalfa, será necessário investir em pessoal especializado, de preferência na mesma equipe que integra o jornal O Cooperalfa impresso, familiarizada com as peculiaridades do ambiente cooperativo. Não basta técnica, é preciso ter sensibilidade para transmitir ao mundo aquilo que convém para a cooperativa e seus cooperados.

Imagino que por uns cinco anos, não haja necessidade de intensificarmos os trabalhos, ou gastarmos mais "pólvora" nesta nova tecnologia da informação chamada Internet, mais especificamente, no webjornalismo. Quando chegar o momento tenho certeza que a Alfa saberá estruturar um planejamento estratégico acerca desta futura necessidade,

Enquanto não acontecer essa transformação no site atual do jornal O Cooperalfa para um site mais dinâmico e interativo, por razões já mencionadas anteriormente, é necessário se antenar para pequenas melhorias, que no meu entender, já serão suficientes para mantê-lo interessante, dentro das suas limitações.

A carência de pessoal interno especializado não nos impede de trabalharmos, em parceria com a BRSIS, empresa produtora do site da Cooperalfa, no sentido de melhorarmos aquilo que estiver dentro do nosso alcance tecnológico. Podemos, por exemplo, dar mais dinamismo para a página eletrônica inicial do jornal O Cooperalfa, abastecendo-a com manchetes da próxima edição, também poderíamos adicionar as últimas notícias e um link com endereços da redação para sugestões de pautas ou comentários sobre as editorias de sua preferência. Isso, por si só, já daria mais dinamismo e interatividade ao site do jornal "O Cooperalfa".

Atualmente a página inicial do jornal possibilita ao internauta selecionar a edição que ele deseja visualizar e isso é positivo, pois é um link que, além de dar a opção de escolha ao leitor, é um excelente banco de dados com as edições dos últimos 12 meses, proporcionando ao usuário da Internet pesquisar conteúdos publicados no último ano.

Apesar de todas as mudanças necessárias para a melhoria do site, não podemos negar que, para a realidade atual do público alvo (associados), o jornal eletrônico da Cooperalfa atende a expectativa a que se propunha o projeto inicial. Antes de a Alfa entrar para a rede mundial, já iniciavam pesquisas esporádicas de acadêmicos e outras pessoas sobre a cooperativa e toda vez era necessário, repetidamente, remeter os dados. Com a criação do site, essa tarefa foi encurtada.

Após cinco anos da criação do portal eletrônico da Alfa, percebia-se uma grande defasagem na apresentação visual. Com o tempo, as tecnologias de confecção de sites foram evoluindo e o da Cooperalfa já não era mais atrativo e também não contemplava todos os produtos, serviços e conceitos da cooperativa, inclusive o aspecto noticioso (jornal).

Por isso, ainda em 2004, iniciou-se uma nova construção através dos serviços terceirizados da BRSIS de Chapecó-SC, que se utilizou de ferramentas contemporâneas para esta edificação e, o mais importante, através de um amplo diagnóstico interno da Alfa, conseguiu-se reelaborar o conteúdo da página, atualizando-a à realidade atual desta sociedade-empresa.

Com as melhorias efetuadas nos designers e no conteúdo do site, as companhias agrárias, faculdades, educandários locais, ONGs, empresas conectadas ao agronegócio, cooperativas e outros públicos digamos "mais urbanizados", passaram a dispor de mais informações e ter acesso ao jornal "O Cooperalfa" via Internet. Com isso diminuíram o número de jornais impressos enviados pelos Correios.

Outro fator positivo de o jornal estar na rede mundial é a facilidade de mostrar o produto aos investidores (anunciantes) sem a necessidade de enviar um exemplar impresso e com rapidez (via fone, durante a negociação do anúncio publicitário).
Para que o site seja fortalecido no seu processo de interação para com os visitantes, Francielli Macagnan, da BRSIS Digital (empresa produtora do site), sugere a atualização contínua das informações, tanto de caráter institucional quanto noticioso. "A atualização de seções como Recursos Humanos são estratégicas para influenciar o internauta a buscar através do site informações que acabam incentivando-o a cadastrar seu currículo.”

Quanto às informações, atualmente elas são direcionadas ao site www.sc.24horas.com.br. Porém, quando as informações dizem respeito exclusivamente a cooperativa, seria interessante que elas estivessem inseridas no portal, valorizando e incentivando o portal da Cooperalfa a ser um site referência em notícias. Francielli Macagnan sugere ainda, em alguns locais, possibilitar ao usuário canais pra que ele comente ou emita opiniões, tanto para modificar a arquitetura das informações, como para fazer comentários sobre notícias e/ou artigos publicados.

Criar um acesso exclusivo para os associados da cooperativa, com o objetivo de fortalecer o website como um canal estratégico de comunicação. Neste espaço, através de login e senha, o usuário terá acesso a relatórios, dados e informações de caráter confidencial, visando facilitar o acesso dos cooperados a estas informações.
Ainda, visando aumentar o processo de interatividade do site, criar uma chamada na página inicial para que o usuário cadastre seu e-mail para receber informativos da Cooperalfa.

Para isso, é interessante padronizar um sistema de e-mail marketing para o envio do jornal on line regularmente, visando despertar no associado o hábito de ler o jornal digital e fortalecer o contato entre a cooperativa e os visitantes do site. Pollyana Ferrari defende em sua obra "Jornalismo Digital" (2003, p. 30) que o conteúdo jornalístico tem sido a principal ferramenta para atrair os usuários da Internet aos portais. "Pela possibilidade de reunir milhões de pessoas conectadas ao mesmo tempo, os sites do gênero assumem o comportamento de mídia de massa".

A tese de Polyana Ferrari reforça a certeza de que para transformarmos o site da Cooperalfa, haveremos de enriquecer (inovar) necessariamente o webjornal da cooperativa, explorando os diversos recursos que a Internet oferece, deixando a condição de site reproduzido do jornal impresso, para uma produção on line específica, divulgada em tempo real, ou pelo menos adaptada para o formato da rede.

Com o passar do tempo, a tendência é que o conteúdo estático do jornal O Cooperalfa passe a ser um conteúdo dinâmico, com uma seção de últimas notícias, atualizadas diariamente. Para isso, a Alfa terá de investir na capacitação dos profissionais do jornalismo, que compõem a assessoria de imprensa. No entanto, o jornal não é a atividade fim da cooperativa, por isso não se dedica tanto esforço (R$) na viabilização de um webjornalismo verdadeiro. Por mais que se queira utilizar os recursos da tecnologia multimídia, é preciso considerar a baixa (ou inexistente) disponibilidade de banda do internauta.

Com base nos gráficos (anexos) de visitação do site, fornecidos pela BRSIS, de abril de 2005 a janeiro de 2006, o número de acessos ao portal diminuiu de 2.662 para 1994 e o número de visitantes ao jornal digital da Alfa se manteve estável, em alguns casos com leve crescimento. Isso significa que praticamente não ganhamos novos visitantes, apenas mantivemos os mesmos usuários. Em abril de 2005 o jornal O Cooperalfa na web teve 343 visitas e em janeiro de 2006 aumentou para 392.

Com as propostas apresentadas nesse artigo, para a melhoria do formato, teremos condições de atrair novos olhares, desbancando a estagnação e promovendo o crescimento.


Até que os recursos tecnológicos se firmem no mercado, como é o caso da banda larga, é preciso ter uma certa precaução. Saber se os usuários possuem browsers que suportam essas novas tecnologias é um bom começo. Isso porque, o fato de as tecnologias existirem não quer dizer que os usuários poderão possuí-las imediatamente. Assim, é melhor esperar um pouco e abusar da criatividade. (PALÁCIOS, 2002).


A ponderação defendida por Marcos Palácios é coerente com a postura firme e profissional da Cooperalfa, uma cooperativa comprometida com a seriedade e a ética. É uma empresa que cresce, passo a passo, sem titubear.

É o homem do campo que guia o seu caminho. A mesma força que brota da terra, produz alimentos e garante o sustento da nossa gente, nos motiva a levar informações para o homem do campo. Comprometido com o agricultor, o jornal O Cooperalfa existe há 18 anos. Todos os meses milhares de exemplares chegam nas propriedades rurais do Extremo-Oeste, Oeste e Planalto Norte de Santa Catarina e para mais centenas de pessoas das mais variadas profissões que, através da Internet, têm a oportunidade de conhecer a realidade do associado da Cooperalfa e de reencontrar suas raízes agrícolas.



CONCLUSÃO

Não é mais possível para as empresas viverem desconectadas. A ferramenta computacional é extremamente importante para as corporações, pois permite a ligação direta entre parceiros de negócio em tempo real. Os associados da Cooperativa Regional Alfa, leitores do jornal "O Cooperalfa, podem ficar orgulhosos de tudo o que já foi feito até aqui. Os esforços para melhorar a inclusão digital deste veículo de comunicação vem se multiplicando ano a ano, gradativamente e de acordo com a evolução tecnológica (o acesso a computadores) de seus principais clientes - os cooperados.

Se, futuramente, o jornal da Alfa tiver que efetivamente praticar o jornalismo digital para continuar sua trajetória de sucesso, assim será. Os fins justificam os meios. Toda tecnologia que chega para melhorar o processo de comunicação será sempre bem vinda e a Internet veio para ficar. Se adaptar a ela é uma questão de tempo, não de opção. O presidente da Intel, Craig Barretti, estava certo quando disse: "Só haverá dois tipos de empresa: As que estarão na Internet e as que não existirão".



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PALÁCIOS, Marcos webjornalismo. Professor da Universidade Federal da Bahia. Fazendo jornalismo em redes híbridas publicado no site Observatório da Imprensa em 10/04/2002. Disponível no site<http://observatório.ultimosegundo-ig.com.br/artigos/e no 111220022.htm>. Acessado em 02/05/2004.

FERRARI, Pollyana. Jornalismo Digital. São Paulo, 2003.


* jornalista da Assessoria de Comunicação da Cooperalfa e acadêmica de Pós-Graduação em Jornalismo
E-mail: sidivânia@cooperalfa.com.br



Fonte: Página Rural
















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