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Sexta-feira, 07 de julho de 2006 - 13h08m

Política Agrícola > Agricultura Familiar

Dia do Colono ou do Agricultor?



Por Jorge João Lunardi *

No dia 25 de julho, comemora-se o dia do colono, e no dia 28 do mesmo mês, o dia do Agricultor.Por que duas datas diferentes para pessoas que tem a mesma funç ão, e talvez, a mais importante profissão do mundo?


É! Sem dúvida alguma, até nas datas comemorativas a sociedade moderna coloca os colonos/agricultores em um emaranhado de contradições, paradoxos, incógnitas, senão vejamos:
Eles produzem a maior, a mais inteligente riqueza que a humanidade pode acessar, no entanto, estão cada vez mais desvalorizados, excluídos, com menos possibilidades de permanecerem viáveis e sustentáveis em seu meio de nascença e existência - meio rural.

Estão envolvidos na produção de alimentos e matérias-primas que fazem girar continuamente o ciclo da vida, no entanto, são geridos por normas, barreiras sanitárias e comerciais, legislações providenciarias, trabalhistas econômicas e ambientais, regras, programas governamentais, emaranhados de armadilhas que são a antítese da sua importância profissional.

Foram taxados por outros e por si próprios de “colono grosso”, “pequenos agricultores”, “pobres coitados” e tantos outros absurdos, em contradição evidente a real importância econômica que sempre tiveram.

São eles que geram mais de 40% da matéria-prima que viabiliza a indústria, o comércio, os serviços, no entanto, ficam com migalhas e prejuízo, senão vejam o que sobra do PIB gerado, da renda per capita existente. A renda per capita dos agricultores da região é menor que meio salário mínimo mensal, e isso é uma vergonha nacional.

Vem o Governo Federal anunciar que disponibilizará para o plano safra 2006/2007, cinco vezes mais dinheiro para a agricultura patronal em relação a familiar, embora cante em verso e prosa, a prioridade para a agricultura familiar.

E, quando se fala em políticas públicas é bom que o agricultor e
suas representações fiquem muito atentos pelo que pode representar em suas vidas o projeto de lei de segurado especial da Previdência Social em tramitação na Câmara Federal, e no Decreto Presidencial de n° 5.741(SUASA). Ambos dificultam ainda mais a participação dos agricultores na comercialização.

A agricultura atual pode ser considerada igual as palavras ditas por um agricultor: “os ratos roubam menos milho do que os gatos”, e isto fica evidente quando se compara a disparidade de preços do milho, do trigo, da soja, do arroz, do leite, do suíno...em relação ao elevado custo de insumos, máquinas/equipamentos, sementes, agroquímicos, enfim da tecnologia necessária para a produção. Na verdade, todos ganham na cadeia produtiva da agropecuária, menos os agricultores, que ainda tem que viver num ambiente insalubre ( veneno, esterco, etc...).

E, cadê a infra-estrutura rural, a saúde, a educação, a possibilidade de permanência no rural, especialmente da mulher rural que está saindo com uma velocidade maior do meio rural? Como ficará e se constituirá o núcleo familiar sem a presença feminina?

Devido a isto, a grande maioria dos agricultores estão cada vez mais pobres, com as terras esgotadas, com as construções/casas caindo de velhas, com os equipamentos/máquinas obsoletos, e cada vez mais, usam menos tecnologia, diminuindo as produtividades e a renda rural.

Embora com todas essas adversidades, a região possui 181,1 mil pessoas vivendo em 52 mil propriedades rurais, numa área de 1,5 milhões de ha e embora, tendo concentração na produção de soja, milho, trigo e leite, buscam uma diversificação de produção.

Neste sentido a agricultura familiar pode, deve e tem potencial de ampliar a matriz produtiva em trabalhos como feijão, mandioca, cana-de-açúcar, canola, aveia, girassol, hortigranjeiros, frutas, abelhas, peixes, aves, ovelhas, bovinos, suínos, alfafa, agroindústrias diversas, bioenergia e turismo rural.

Mas para isto, precisam de mais assistência técnica, crédito orientado para a propriedade rural e não para produtos selecionados pelo governo, seguro mais efetivo, por que não subsídios, políticas públicas mais definidas e claras, incentivo para mais produção de mercado interno...

Por isso, eles precisam de mais apoio real dos governos, lideranças e setores da sociedade, pois o agricultor já encheu as mãos de calos, deu suor e sangue à vontade para gerar divisas e dar superavit para a balança comercial do país.

Nós todos, precisamos fortificar o processo de sustentabilidade da agricultura familiar, pois ela, ainda é “a galinha dos ovos de ouro da sociedade”.

Prezados agricultores!
Recebam o abraço carinhoso e de apoio dos 200 empregados da Emater/RS-Ascar desta região e, tenham todos, Coragem! Fé! Entusiasmo! E sobretudo, Boa Sorte!


* médico veterinário e gerente regional da Emater/RS-Ascar
E-mail: lunardi@emater.tche.br.


Fonte: Conceição Salomão
















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