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Sábado, 09 de setembro de 2006 - 12h48m

Agricultura > Tecnologia

A importância da aviação agrícola no combate às doenças na agricultura



Por Jeferson Luís Rezende *

Primeiro foi a DFC (doença de final de ciclo) na soja; depois, a Ferrugem Asiática; e mais recentemente, a Cercospora no milho. Estas doenças surgiram de forma mais aparente há poucos anos no meio rural, que até então, não praticava nenhum manejo mais específico, pontual, para evitá-las ou combate-las.


No entanto, após as pesquisas realizadas pelas Cooperativas Agropecuárias e por Instituições como a Embrapa; Fundação MT; Fundação ABC; Fapa; Codetec; entre outras, se observou à necessidade de tratamento fungico para que sejam garantidas as produtividades, e no caso específico da ferrugem, a manutenção da colheita.

A partir desta nova “fase”, surgiu uma nova forma de manejo agrícola, que incluiu a aplicação de fungicidas nas lavouras de soja.

Com isso, se criou uma nova prática agrícola que incluiu a aviação agrícola, já que a aplicação de fungicidas ocorre normalmente numa fase em que as perdas por amassamento da lavoura são consideráveis; há necessidade de rapidez, e de maior eficiência no tratamento.

É importante e necessário ressaltar que a aplicação de fungicida é mais técnica, e exigente, em relação ao tratamento de inseticida – por exemplo. Exige precisão, e observação pontual das condições meteorológicas. Além do que, neste tipo de trabalho – no caso da ferrugem – não há espaço para “erros”. É uma missão de guerra!

Estas considerações precisam ser explicitadas porque ainda existe grande desconfiança no meio agrícola, em relação à eficácia do tratamento aéreo fungico. A grande maioria dos pesquisadores; agrônomos e produtores rurais; ainda tem um “pé atrás” com o uso do Avião para combater doenças, particularmente a ferrugem. Isso mesmo com todas as demonstrações de sucesso e eficácia que esta ferramenta tem promovido pelo Brasil afora. Estas dúvidas surgem numa escala bem menor no estado do Mato Grosso, onde a aviação já mostrou seus resultados de forma indiscutível.

Na última safra de verão no Paraná, ocorreram alguns problemas pontuais, relacionados à aplicação aérea de fungicidas contra a Ferrugem, na região de Guarapuava – por exemplo - que de certa maneira, ascenderam o “Sinal Amarelo” para a atividade. Isso porque se voava muito na região central do estado, e por alguns erros operacionais, a aviação teve a imagem abalada; fazendo com que grande parte dos produtores do estado optasse pela aplicação tratorizada. Embora este tipo de tecnologia não esteja imune a erros, muito pelo contrário. Mas, talvez, o produtor ache menos arriscado usar as suas máquinas e os seus funcionários, a deixar suas lavouras nas mãos de um Piloto que ele muitas vezes não conhece. Neste sentido, um erro eventual pode manchar toda a imagem da atividade aérea, como de fato isso já ocorreu no passado. Observa-se esta desconfiança em diferentes ambientes agrícolas, porém com níveis de desconhecimento e dúvidas sempre parecidos.

Uma demonstração clara disso ocorreu durante o 58° Deftara – Curso de Defesa Fitossanitária, Tecnologia de Aplicação e Receituário Agronômico; Evento promovido pela ANDEF e pelas Faculdades Integrada – dias 30 e 31 de agosto, na cidade de Campo Mourão (PR).

Falou-se insistentemente sobre os problemas crônicos que afetam a aplicação tratorizada, como o uso de equipamentos sem manutenção e desregulados; pessoal pouco qualificado para as operações – embora o SENAR esteja realizando um grande trabalho para reverter isso; contaminação ambiental: lavagem ou carregamento do pulverizador em córregos e rios, e falta de área própria para descontaminação da máquina; entre outros problemas. “115%” dos Pulverizadores vistoriados pela maior Cooperativa Agropecuária do Brasil apresentaram irregularidades, estavam fora de conformidade! Mas, mesmo assim, em nenhum momento foi abordada ou discutida a Tecnologia Aeroagrícola: sua qualidade; sua segurança operacional em relação às pessoas e ao meio-ambiente; etc.

Quando indaguei um dos Palestrantes sobre o assunto, tive a nítida impressão de que o mesmo pouco sabia a respeito.

Já num outro momento, durante uma Palestra sobre Treinamento e Educação; o palestrante ressaltou a “importância” que a aviação terá nos próximos anos, no combate a cercospora do milho. Porém, ele e, outros Agrônomos e Pesquisadores que conheço, estão com receio a respeito da eficiência da aviação agrícola para combater mais esta, e as outras doenças da agricultura. Os Palestrantes falavam ao público a respeito da aviação agrícola como se fosse algo de outro mundo ou uma tecnologia muito recente; nova; e com quase nenhuma informação técnica. E todos, demonstram algum receio do avião!

O fato é que precisamos de forma organizada ampliar a difusão das informações técnicas disponíveis sobre tratamentos fungicos e os outros serviços aeroagrícolas.
É imprescindível falarmos a mesma “língua” no meio agrícola e aeroagrícola. Todos, indistintamente. “Fomentando e popularizando os serviços aéreos junto aos diversos segmentos agrícolas”.

No mundo moderno; na Era de Informação, não existe mais espaço para aventureiros. Em qualquer atividade econômica, conhecimento técnico, qualidade e baixo custo são e serão sinônimos da boa condução do agronegócio; da Contratação de Serviços; Produtos; Tecnologias; ou Aquisição de Equipamentos.


* piloto agrícola e assessor aeronáutico do NATA/PR-UNICENTRO.
Email: dr_consult@ig.com.br


Fonte: Página Rural
















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