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Terça-feira, 05 de setembro de 2006 - 18h08m

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Tocantins, uma Mesopotâmia no coração do Brasil



Por Antônio Oliveira*


Neste 5 de outubro, o estado do Tocantins completou seus 18 anos de emancipação política. Desmembrado do estado de Goiás, a partir da promulgação da atual Constituição brasileira, a mais nova unidade da Federação é, nestes últimos 5 anos, uma das que mais se destacam no ranking da economia nacional, principalmente nos setores da agropecuária e do agronegócio – estes, suas reais vocações econômicas -, representando 82% de sua economia.


Não era para menos. Afinal, o Estado tem mais de 277 mil quilômetros quadrados de área (cerrado plano), dos quais 60% são agricultáveis e, aproximadamente, mais de 24% têm possibilidades de serem melhorados com a utilização de tecnologia disponível; está incluído nesta área cerca de 3 milhões de hectares contínuos de várzeas nos vales dos rios Araguaia e Tocantins, sendo que deste total, 61 mil hectares fazem parte dos projetos Formoso do Araguaia e Javaes, abranjendo 5 municípios tocantinenses. Os projetos, irrigados por inundação e subirrigação, produzem frutas como melancia, abóbora e melão e grãos como o arroz e o feijão, além de produzir, na entressafra, a melhor semente de soja do Brasil, segundo opinião de sementeiros brasileiros.

Interessante notar que, no caso do feijão, a Embrapa Arroz e Feijão e o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) surpreenderam-se, recentemente com a alta produtividade e sanidade do feijoeiro daquela região, mesmo plantado com grãos, sem nenhum critério de seleção e com poucas ou sem nenhuma aplicação de defensivos. Esses projetos têm se destacado também no experimento de outras culturas, tais como o girassol, o amendoim, o gergelim, o milho, o algodão, o tomate industrial e a hortaliça.

Nas áreas de sequeiro, o destaque é para a soja. O Tocantins saltou de uma produção de 160 mil hectares, ou 190 mil toneladas, em 2003, para mais de 900 mil toneladas, ou cerca de 500 hectares na safra 2005/2006, sendo, hoje, o maior produtor do grão em todo o Norte do País. Várias tradings já atuam aqui na compra e exportação do produto. Pelo menos duas delas planejam investir na construção de plantas para o esmagamento e industrialização da soja no próprio Estado.

Ultimamente, o Tocantins tem despertado as atenções de investidores nacionais e internacionais para outra de suas grandes potencialidades: o cultivo de matéria-prima para a produção de bioenergia. “Temos mais de 6 milhões de hectares de área disponíveis para a produção de cana-de-açúcar e oleaginosas como o mamona, o pião-manso, entre outras. E isto sem precisar abrir novas áreas”, garante o secretário de Agricultura do Tocantins, o agrônomo Roberto Sahium.

Todo este potencial é reforçado por uma das melhores logísticas existentes, hoje, no País: o Estado é cruzado de norte a sul e de leste a oeste por rodovias pavimentadas que o ligam às demais regiões do Brasil, principalmente ao Nordeste, com seus mais de 40 milhões de habitantes e sem água suficiente para produzir alimentos. Está em construção um dos mais ousados projetos de escoamento da produção no Brasil, que é a Ferrovia Norte-Sul, ligando a região Centro-Oeste, a partir de Anápolis, em Goiás, cortando toda a “espinha dorsal” do Tocantins em direção ao Porto de Itaqui, no Maranhão.

No sentindo norte-sul (de Açailândia, no Maranhão, para o Tocantins) a ferrovia está pronta até as proximidades de Babaçulândia (TO), com previsão de chegar a Araguaína, importante pólo comercial e pecuário no norte do Tocantins, no final deste ano e até Palmas, na região central, no final do ano que vem.

Outros grandes projetos de logística são a viabilização das hidrovias Araguaia-Tocantins (dois grandes rios que cortam o Tocantins no sentido região Centro-Oeste/Norte e Nordeste), e a implantação, no Aeroporto Internacional de Palmas – sua capital -, de um modal para o transporte de cargas áreas. Ambas as hidrovias estão na dependência de soluções para problemas ambientais apontados por ambientalistas e órgãos governamentais.

Por falar em rios, estes se apresentam como os grandes sustentáculos do desenvolvimento do Estado. O Rio Tocantins, por exemplo, tem capacidade para mover pelo menos cinco grandes hidroelétricas, só neste Estado. Duas já estão funcionando: a do Lajeado, na região de Palmas, com capacidade para mais de 900 MW e de Peixe-Angical, no sul, com 450MW.

Com apenas 18 anos de criação, a cada ano o Tocantins comemora novas e importantes conquistas no campo de seu desenvolvimento econômico. “Estamos comemorando, hoje, os US$ 157 milhões em exportações somente nos oito primeiros meses deste ano. Pela primeira vez o nosso rebanho bovino ultrapassa os 8 milhões de cabeças e a produção do milho e do arroz atinge seus melhores resultados. E não é só: a soja se consolida, registrando um crescimento anual de 75%”, comemorou, neste 5 de outubro, o governador tocantinense, Marcelo Miranda, reeleito para mais 4 anos de mandato. O Tocantins é isto e com sua extraordinária oferta natural de água é visto, pelos mais atentos, como uma verdadeira Mesopotâmia brasileira.


* jornalista, diretor e editor-geral da revista Cerrado Rural Agronegócios.
E-mail: iscatajoan@hotmail.com


Fonte: Página Rural
















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