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Sábado, 09 de setembro de 2006 - 09h10m

Agronegócio > Economia

Gestão no setor agrícola exige aperfeiçoamento



Por Ricardo Polato*

É cada vez maior a produção e produtividade do setor agrícola brasileiro, e isso é influenciado pelo investimento do empresário rural que vem desenvolvendo sua empresa dentro da porteira, investindo no que há de mais moderno em técnicas de produção e no parque de máquinas.




Entretanto, este ciclo de desenvolvimento que passou pelo campo não foi suficiente para impedir uma grave crise em diversas áreas do setor, que vêm se arrastando há cerca de dois anos devido à combinação de vários fatores, tais como o aumento dos custos de produção, queda de safra, ataque de novas pragas à lavoura, juros e carga tributária nas alturas, precária infra-estrutura de transportes, queda dos preços internacionais e desvalorização do Dólar perante a moeda brasileira. Toda essa problemática ganhou uma maior dimensão pela sua crescente importância no país. O setor representa em média, 33% do PIB brasileiro, 42% de toda a exportação nacional e 37% dos empregos brasileiros segundo dados do MAPA.

Essa atual conjuntura impõe aos empresários rurais excelência na gestão dos negócios antes, dentro e depois da porteira. Na fazenda, o produtor rural tem que dar espaço ao empresário rural, cada vez mais, planejando, buscando conhecimento, atento aos riscos e entendendo do funcionamento dos mecanismos de comercialização a fim que possam fazer com que a empresa cresça com sustentabilidade. O planejamento e monitoramento dos riscos é que vão possibilitar ao produtor crescer com segurança.

Planejamento é apenas o primeiro passo na busca de alcançar a eficácia nos negócios. Sem implementação do que se foi esquematizado, o plano tem pouco ou nenhum valor, seja na opção pela cultura a produzir, investimento em máquinas, ou aquisição de novas terras. Avaliando se, de fato, vai representar um acréscimo de renda ou vai ser apenas mais um custo no futuro. O planejamento de qualquer empresa do agronegócio requer dados gerados por toda a cadeia produtiva, ou seja, antes, dentro e fora da porteira levando em consideração o longo prazo, analisando a conjuntura e as tendências mais prováveis. Sendo importante, a abrangência e a qualidade das informações utilizadas para a tomada de decisão, para só depois, fazer os investimentos necessários.

Outro ponto muito discutido atualmente na moderna agricultura é a importância da comercialização, que se relaciona diretamente com o desempenho agregado do setor. São muito importantes os mecanismos de mercado globais de commodities, para gerenciamento dos riscos ligados às oscilações de preços da atividade agrícola. Mas para que se faça bom uso dessa ferramenta é necessário acompanhar fortemente o mercado e conseguir aproveitar os dados que ele gera.

Destacam-se oportunidades de maiores ajustes na gestão da propriedade rural, como entre outras coisas, a reavaliação dos custos de produção. Principalmente no que se refere aos custos operacionais, tais como, combustível, manutenção de maquinários, fretes e mão-de-obra, os quais são difíceis de financiar e são imprescindíveis em todo processo produtivo. Esses custos representam cerca de 44% dos custos totais, ficando os outros 56%, a cargo de gastos com insumos e defensivos agrícolas, que apresentam maior abertura para negociação e facilidade de financiamento.

As qualidades nas operações realizadas em campo são cruciais para uma boa produtividade. Analisando algumas pequenas áreas agrícolas, podemos verificar que muitos empresários rurais ainda não dão tanta importância a princípios básicos, tais como a conservação do solo, evitando erosões e utilizando o sistema de plantio direto; a manutenção e regulagem correta dos maquinários, pois uma máquina mal regulada, gera desperdício e falhas de operações; aquisição de cultivares que atendam às necessidades da região, considerando clima, terreno, ciclo desejado e doenças propícias; adubação correta do solo e aplicação de defensivos agrícolas em períodos corretos, seguindo as regulamentações técnicas da cultivar plantada.

Dentre essa extensa lista de agravantes que os empresários rurais são obrigados a enfrentar, outra problemática que piora ainda mais o colapso do setor agroindustrial, a deficiência da logística nacional, não só nos transportes, como também na armazenagem. A infra-estrutura rodoviária se encontra em péssimas condições, o que aumenta ainda mais o custo de produção no momento da compra de insumos e no momento da venda da produção. Há uma necessidade de reestruturar a rede logística brasileira, atualmente baseada no transporte rodoviário, empregando recursos para a melhoria de outros meios de transportes mais econômicos como o hidroviário ou ferroviário.

Cabe ao empresário rural desenvolver estratégias logísticas que amenizem esse custo, utilizando-se de uma frota e equipamentos de armazenagem modernos, e verificando as melhores formas de conduzir a produção, desde a fazenda até a agroindústria de processamento ou portos para exportação.

Essa necessidade de inovar sucessivamente afeta de forma tão ampla a cadeia agroindustrial, que não apenas processos e produtos devem ser revistos, mas também a capacitação de gestão para evitar que as mudanças sociais, ambientais e econômicas que ocorrem rapidamente afetem o bom funcionamento do negócio.


* bacharel em administração, especializando em gestão empresarial e consultoria em agronegócios.
E-mail: ricardopolato@hotmail.com


Fonte: Página Rural
















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