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Segunda-feira, 01 de janeiro de 2007 - 11h29m

Biotecnologia > Outros

Plantas do futuro no presente



Por José Manuel Cabral de Sousa Dias *

O Ministério do Meio Ambiente anunciou a conclusão da primeira etapa do projeto “Plantas do Futuro”, componente do Probio - Programa de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira. Este importantíssimo projeto, que teve a duração de dois anos, foi desenvolvido por meio de cinco subprojetos, um para cada região geográfica brasileira.




A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia coordenou o levantamento efetuado na região Centro-Oeste, tendo contado com a colaboração de universidades públicas e privadas, institutos de pesquisa e outras Unidades da Embrapa. Após efetuar um levantamento abrangente, o número de “Plantas do Futuro” para a Região Centro-Oeste foi reduzido a 149 em uma reunião técnica em que diversos grupos de trabalho consideraram as plantas que se encaixavam no conceito proposto para a seleção: espécies com interesse regional já demonstrado e que poderão ser exploradas economicamente em escala mais ampla, tanto no mercado nacional como no internacional. As “plantas do futuro” da região Centro-Oeste foram divididas em cinco grupos: medicinais, florestais, ornamentais, fruteiras e aromáticas.

A metodologia descrita foi utilizada nas cinco regiões brasileiras e a compilação dos resultados, efetuada pelo Ministério do Meio Ambiente com a eliminação das duplicações e redundâncias, conduziu ao número aproximado de 775 espécies vegetais autóctones que apresentam potencial imediato de exploração racional ou plantio comercial em uma ou mais regiões nacionais.
Este número é elevado, quando considerado isoladamente, mas se pensarmos que a estimativa é de que há cerca de 50 mil espécies vegetais nativas do Brasil, percebemos rapidamente o alcance da seleção e da priorização efetuadas. Há necessidade de que essa importante iniciativa tenha continuidade e para tanto, deve-se consolidá-la, estabelecendo uma espécie de esforço concentrado para aprofundar os estudos realizados e, principalmente, para ampliar de forma organizada e racional a exploração das espécies listadas, agregando valor aos seus produtos e subprodutos, gerando ocupação, renda e desenvolvimento regional.

Os diversos Ministérios afetos ao assunto, como o do Meio Ambiente, o da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o da Ciência e Tecnologia, o da Saúde, o do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o de Minas e Energia, entre outros, deveriam unir-se em torno de programas integrados para estimular o aproveitamento e a valorização das espécies selecionadas, visando à aceleração do desenvolvimento regional e nacional.
Ao mesmo tempo, deve-se aproveitar o excepcional momento de posse dos novos governos estaduais (mesmo os re-eleitos) para incluir, em todas as agendas estaduais ligadas ao agronegócio, à agroenergia e à ciência e tecnologia, diretrizes, programas e projetos convergentes para os objetivos citados.

Seria de grande valia, também, que o IBAMA e o CGEN – Conselho de Gestão do Patrimônio Genético – criassem formas simplificadas de análise dos processos de acesso e desenvolvimento tecnológico que enfoquem alguma das 775 espécies que serão brevemente publicadas pelo MMA, assim como poderia haver um esforço consciente de avaliação da exploração de espécies em que haja conhecimento tradicional associado e perspectivas de repartição de benefícios. Por exemplo, nesse tipo de análise simplificada (“fast-track”) poderia ser considerada a descrição de cada “planta do futuro” que será brevemente publicada pelo Ministério do Meio Ambiente, sem que haja necessidade de agregar outras informações taxonômicas, de distribuição geográfica, de usos conhecidos e potenciais, etc.

A diversidade das 775 espécies vegetais selecionadas, o estágio de conhecimento e utilização de muitas delas e as oportunidades apontadas acima nos levam a pensar que o país tem chances concretas de transformar um número significativo das mesmas em “plantas do presente”, com a real possibilidade do aporte de impactos econômicos, sociais e ambientais muito positivos em nível regional e nacional, com repercussão previsível e desejável no mercado internacional.


* graduado em engenharia química pela Universidade de São Paulo, com mestrado e doutorado também em engenharia química pela mesma Universidade. É chefe geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen).

E-mail: cabral@cenargen.embrapa.br



Crédito da foto: Cláudio Bezerra


Fonte: Fernanda Diniz
















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