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Sexta-feira, 02 de fevereiro de 2007 - 11h38m

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Purpurina na gestão



Por Julmir Cecon *

Uma senhora de São Paulo aparentando ter mais de 50 anos, viu quebrar o suporte de ombro de sua fantasia de carnaval minutos antes de entrar no sambódromo. Emocionada, decidiu por conta própria (e não por ordem de seu diretor de ala), ficar de fora do desfile, “para evitar que sua escola perdesse pontos na contagem geral”, disse ela à TV. Consciência pura! No Rio de Janeiro, um funcionário de uma escola de samba declarou: “se eu pudesse trabalharia aqui o ano todo”. Detalhe: estava ali apenas para contribuir.





Pessoas anônimas que, às vezes, as denominamos de “comuns”, fazem do Carnaval brasileiro talvez a maior e mais bela festa do planeta, simplesmente porque amam abraçar tal desafio. Nos porões donde brotam incríveis alegorias que dão água na boca aos estrangeiros, há sim um plano a ser seguido, um rumo pré-arquitetado, mas é a sensitividade que os governa. O que não há, são limites para que a criatividade de cada um melhore o sonho até então rascunhado. Nos labirintos do samba, os encarregados arregaçam mangas conjuntamente aos operários e assim, some a distância entre os cargos. Por ali, entre uma batucada e um churrasquinho, há gente disposta a comemorar o resultado do esforço, participando de fato da festa, escolhendo os mais apropriados adereços, vibrando do início ao fim e não apenas, “assistindo”.

Os integrantes dos blocos vão pro palco, que o chamamos de avenida, para brilhar diante das câmeras e o mundo todo vê-los; quem empurra o pesado carro com os próprios músculos, reconhece o seu valor e assim o espetáculo é completo; nos guetos, o indivíduo ‘suburbano’ é 100% coletivo: sua alma não lhe pertence e, por mais que o pulsar seja solitário, é a agremiação que precisa ganhar. A razão de tanto empenho é o produto final, qual seja, a alegria alheia, inegavelmente construída a partir da alegria de cada integrante, que não é limitado pelo "vigilante" relógio-ponto. As ações avidamente executadas nos barracões vêm da "liberdade amadurecida", esta, geradora de muitas horas de trabalho por dia, provavelmente todas prazerosas, muito prazerosas!

Com os agogôs a tiracolo, cada um sabe o quanto é prejudicial a ‘cara feia’, o rancor e o "trabalhar por obrigação"". Guiados pelo som dos tambores, os sambistas já comprovaram desde outros carnavais que as vitórias memoráveis nascem de semblantes felizes e de idéias sabiamente socializadas no plano horizontal. É por isso que inimagináveis feitos, são o supra-sumo do afeto e do humanismo, onde a palavra “diferença” só existe no dicionário.

Depois de assistir aos desfiles, bem que o conceito de "empresa moderna" poderia ser: "uma comunidade anti-burocrata, com prévia noção do risco, dotada de alta dose de inovação, harmonia e adrenalina, com rápida capacidade de adaptar seus processos, provocando assim emoção e surpresa ao cliente".

O milagre da motivação das empresas do samba advém das "baterias" auto-carregáveis. Que bela escola aos líderes de outros setores do empreendedorismo.


* Especialista em Comunicação Social, professor de Estratégias Competitivas na Faculdade SENAC/Chapecó e assessor de Imprensa da Cooperalfa.
E-mail: imprensajc@cooperalfa.com.br


Fonte: Página Rural
















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