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Sexta-feira, 02 de fevereiro de 2007 - 07h06m

Agronegócio > Arroz

A hora da virada



Por Valter José Pötter *

A lavoura de arroz do Rio Grande do Sul vive um momento de grande expectativa com relação à 17ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz. Realizamos grande esforço para fechar um ciclo de dois anos e meio com preços, em média, abaixo do custo de produção. E em boa parte deste período, abaixo até mesmo do preço mínimo estabelecido pelo governo federal, de R$ 22,00 para a saca de 50 quilos. Sobrevivemos, pela união de forças do setor e a luta obstinada pela sobrevivência. E ainda conseguimos, com muito esforço, agregar tecnologia e qualidade à nossa produção, com ganhos em produtividade.




É uma equação que não fecha, mas a explicação é simples: o setor está trabalhando com um alto grau de endividamento. Para cada R$ 28,00 aplicados na safra passada na produção de uma saca de arroz, foram recebidos pouco mais de R$ 18,00, em média, na hora da comercialização. Dentro da porteira estamos fazendo nossa parte, com investimentos em tecnologia, busca de melhor qualidade e produtividade. Isso acontece com recursos de outras atividades, como a pecuária, que também não obtém a valorização que merece, ou com um crescente endividamento.

Temos, em 2007, que pagar uma safra e meia de custeio com apenas uma safra em produto. Além disso, a lavoura opera no vermelho há dois anos e meio e isso depende de um arranjo pactual para ser resolvido, no qual a ação e a boa vontade do governo federal são importantíssimas. Esperamos colocar este assunto em debate com o ministro Luís Carlos Guedes Pinto e na reunião da Câmara Setorial do Arroz, em São Gabriel.

Do lado de fora da porteira, só conseguimos nos fazer ouvir depois de intensas mobilizações da categoria, fechando fronteiras, com o tratoraço e outros movimentos, além de dezenas de audiências com autoridades estaduais e federais. Enfim, neste ano aconteceu algo inédito: antes mesmo da safra o governo federal liberou R$ 700 milhões para os mecanismos de comercialização da safra. Além disso, somando os estoques remanescentes e a nossa produção, mais as importações, não teremos produto suficiente para atender o consumo de 13,1 milhão de toneladas previsto pela Conab.

Assim, com o produtor consciente de que deve aproveitar os mecanismos de sustentação de preços e jogar a comercialização de volumes mais significativos para o segundo semestre, nossa expectativa para a safra é mais positiva. Por isso, acreditamos que esta 17ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz será a “Hora da Virada”, o momento em que a classe produtiva, unida, dará resposta aos problemas com uma boa estratégia de vendas. Poderemos recuperar preços, ao menos para o nível do razoável. Este setor, que abastece o Brasil com o principal componente de sua cesta básica precisa de rentabilidade urgente, de valorização, de respeito. Se o arroz é vida, a lavoura é a fonte desta vida. Então, que seja reconhecido o seu papel. E valorizado.

* médico-veterinário, agropecuarista e presidente da Federação das Associação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz)
E-mail: valterjose@estanciaguatambu.com.br


Fonte: Cleiton Santos
















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