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Sexta-feira, 09 de março de 2007 - 14h12m

Animais > Outros

O estudo econômico dos animais



A Embrapa Cerrados tem um forte núcleo de pesquisa em bovinocultura de corte. Apesar da preocupação dos pesquisadores não focar o aspecto clínico do rebanho, o estudo de doenças é importante pelos seus efeitos na produção e como justificativa das vantagens ecológicas e ambientais dos sistemas integrados.
A preocupação econômica subjacente a uma doença animal é decorrente da sua capacidade em reduzir a satisfação produzida pelo consumo do animal. Isso inclui desde a saciedade da fome do consumidor final, de forma segura, nutritiva, sem danos à sua saúde, até a sustentabilidade ambiental, o risco epidemiológico para os demais animais e mesmo a questão de saúde pública.


Percebe-se que o valor econômico dos impactos não se circunscreve à propriedade rural. Um simples cálculo de custos dos medicamentos e do tratamento, a quantificação da produção que se deixa de realizar, ou a queda dos níveis de eficiência produtiva, não são suficientes para determinar o real prejuízo econômico e, assim, tomar uma decisão.

A doença pode ser resolvida de duas maneiras básicas: uma curativa e outra preventiva. Nas doenças sintomáticas (agudas), a decisão curativa predomina. Nos casos assintomáticos (crônicos), dada a prolongada permanência da doença, as perdas são maiores, seja pelo tratamento freqüente dos momentos agudos, seja no monitoramento dos indicadores de controle da doença. Em ambos os casos, contudo, há indícios de que a decisão preventiva é a mais correta do ponto de vista econômico, independentemente da forma da doença.

Com os casos de doenças como a “vaca-louca” (encefalopatia espongiforme) e a gripe aviária (vírus da influenza), dado o risco epidêmico para os rebanhos e de saúde pública para os humanos, a “cura” (abate e incineração ou enterro das carcaças) é adotada mesmo que o custo final seja elevadíssimo. A necessidade de muitos (saúde dos humanos e dos demais animais) é maior do que a necessidade dos produtores rurais, justificando essa decisão econômica.

Com isso, percebe-se que a decisão econômica não deve se reduzir a uma abordagem de custos de produção. Esta não é suficiente para se decidir como intervir na doença, pois não permite avaliar os efeitos externos à propriedade. A decisão econômica pode se basear em uma questão técnica, como é a decisão pela atitude preventiva diante da doença. A decisão econômica pode não redundar em lucro financeiro algum também. Afinal, o que está em jogo é a maximização da satisfação das necessidades e não simplesmente a minimização de custos ou a maximização da rentabilidade.

* engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Cerrados
Email: kinpara@cpac.embrapa.br


Fonte: Embrapa Cerrados
















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