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Segunda-feira, 09 de abril de 2007 - 09h27m

Animais > Bovinos

DEPs e a escolha do touro ideal



Por Gabriela Giacomini *


O uso das DEPs – Diferença Esperada na Progênie - transformou a seleção de gado de uma arte para uma ciência. Antes do cálculo das DEPs, os pecuaristas se baseavam no pedigree e no olho para determinar quais eram os melhores reprodutores. Claro que selecionadores experientes tinham grande porcentagem de acertos, mas os erros e acertos só eram comprovados, em média, 3 anos depois da decisão pelo uso do reprodutor. Caso fosse feita a escolha errada, esse erro acabava sendo perpetuado por várias gerações. As DEPs causaram uma verdadeira democratização no mercado de touros da pecuária moderna.





DEP é a forma de expressar a Diferença Esperada na Progênie, isto é, o que esperar dos filhos de um determinado reprodutor. A DEP é uma ferramenta poderosa de comparação, ou seja, DEPs são valores relativos. Quando falamos em DEPs, sempre estamos comparando determinado reprodutor (dono da DEP) com um animal de DEP zero ou com a base genética da população avaliada. O cálculo das DEPs leva em conta uma série de fatores, de forma a isolar o valor genético dos efeitos do ambiente e de manejo. É importante lembrar que não é possível comparar DEPs calculadas por programas de seleção diferentes pois as bases genéticas das avaliações são diferentes. Para exemplificar, um touro com DEP de peso ao desmame de 12 kg significa que, em média, seus filhos serão 12 kg mais pesados na desmama do que os filhos de um touro com DEP zero.

O uso correto das DEPs leva o pecuarista a tomar decisões que terão impacto direto na lucratividade, que deve ser o objetivo maior da seleção. O pecuarista deve se manter longe de modismos, sempre focado em objetivos de seleção bem traçados: precocidade, musculosidade e ganho de peso a pasto. Decisões incorretas com o uso da genética se refletirão durante muitos anos na propriedade, por isso, todo o cuidado é pouco na hora de escolher um fornecedor de touros. Infelizmente, ainda hoje, existem pecuaristas que se baseiam no olho ou pedigree para escolher reprodutores. Esses são os pecuaristas que estão mais sujeitos a perder (muito) dinheiro no médio e longo prazo.

Um ponto importante para se avaliar é o sistema de seleção do fornecedor de touros. Deve-se dar prioridade para rebanhos que tenham o sistema de seleção mais parecido com o seu. Não adianta buscar animais selecionados num ambiente fora da realidade da sua fazenda, como sistemas baseados em suplementação ou confinamento. Claro que outros fatores influem no resultado anual de uma propriedade, como chuvas, temperatura, disponibilidade de alimento, mas, com o uso das DEPs, é possível afirmar que, ao usar um touro melhorador, o potencial genético da bezerrada será proporcional à qualidade do reprodutor. Se dermos os recursos mínimos para esse potencial se expressar (água, pasto e sal mineral adequado), o resultado é garantido.

Atualmente, vários programas de melhoramento genético calculam DEPs de seus reprodutores e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) oferece a chancela do CEIP – Certificado Especial de Identificação e Produção - para os programas bem embasados em princípios científicos e com verdadeiro progresso genético, que comprovem que as novas gerações são mais produtivas que as anteriores. Por isso, animais com CEIP possuem as mesmas vantagens de animais registrados em associações de raça, como isenção fiscal e acesso à financiamentos.

Muita atenção vem sendo dada às DEPs de peso e carcaça, mas poucos programas de seleção têm sua atenção voltada aos critérios reprodutivos. Aspectos relacionados à reprodução têm um impacto até 10 vezes maior na lucratividade do que aspectos relacionados à carcaça. A Agro-Pecuária CFM é pioneira no trabalho de seleção para precocidade sexual e longevidade das fêmeas, com cálculos de DEP PP14 e DEP Stayability.

A DEP PP14 é a Probabilidade de Prenhez aos 14 meses. Uma novilha que emprenha aos 14 meses de idade tem um impacto positivo de 16% na lucratividade da propriedade, graças à diminuição do período de recria. A Stayability ou Longevidade é a capacidade de uma matriz de permanecer no rebanho por mais de 6 anos. O ponto de “breakeven” de uma matriz no rebanho é de 5 a 6 anos, portanto fêmeas que saem do sistema antes dessa idade estão perdendo dinheiro, mas se conseguirmos fêmeas longevas no nosso rebanho (mais de 6 anos de idade – alta Stayability), estamos melhorando nossas margens e economizando na reposição.

O touro ideal para trabalhar nos rebanhos do país deve reunir todas estas características, isto é, deve possuir avaliação genética, CEIP e ser oriundo de um programa de seleção sério, que leva em conta tanto as características de peso e carcaça como as características de reprodução.

E ainda, para escolher o touro ideal, o pecuarista deve fazer uma “lição de casa” de 4 passos:

- Conhecer o mercado da sua região;
- Traçar objetivos, isto é, definir que tipo de animal vai oferecer à esse mercado;
- Conhecer seu rebanho de vacas;
- Identificar as características que precisam de intervenção para melhoria.

Com esses 4 itens atendidos é possível escolher o reprodutor ideal para cada realidade.

* zootecnista da Agro-Pecuária CFM
E-mail: ggiacomini@agrocfm.com.br


Fonte: Página Rural
















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