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Segunda-feira, 04 de junho de 2007 - 18h19m

Agroindústria > Trigo

O problema da farinha de trigo para o Brasil



Por Samuel Hosken *

O Brasil ainda não produz todo trigo que necessita, mas possui espaço agricultável para produção, que poderia suprir toda a necessidade brasileira de Trigo. Todo esse volume pode ser facilmente processado pela Indústria brasileira da Moagem de Trigo, considerada uma das mais modernas do mundo, mas que atualmente tem capacidade ociosa de 36%. Em outras palavras, há muito espaço para crescer, gerar empregos, impostos, investimentos, tudo isso sem gerar inflação.





A tecnologia brasileira permite produzir todos os tipos de farinhas de trigo e misturas para bolos, pães e outros produtos. Nosso mercado é plenamente atendido em variedades e os contratos de compra de trigo pelos moinhos brasileiros asseguram o permanente abastecimento de todos os clientes.

Em vista desse interessante perfil, a Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo), se posiciona favorável ao livre comércio entre Brasil e Argentina, mas não admite a concorrência desleal com produtos subsidiados e que prejudicam a competitividade do trigo brasileiro, além de estimular a indústria nacional a investir na Argentina ou tornar-se meramente "distribuidora" de produtos subsidiados importados daquele país.

Para ficar claro, o subsídio se dá diretamente ao produtor de trigo, que vende para o moinho argentino a US$ 120 a tonelada e recebe do governo 85% da diferença entre estes US$ 120 e o preço de exportação do trigo argentino. E isso volta a ocorrer na exportação das farinhas de trigo, quando o produto paga apenas 10% de Imposto de Exportação. Enquanto isso, o trigo que o Brasil importa para produzir farinha brasileira paga 20% de imposto de exportação. É uma concorrência muito desleal.

Se não bastasse isso, desde março os registros de exportação de trigo da Argentina para o Brasil estão suspensos e nossas necessidades plenas não serão atendidas por esse tradicional fornecedor, devido à política do governo vizinho. Felizmente temos acesso a outros mercados, como os EUA, Canadá e Rússia, que poderão complementar nosso abastecimento, visto que a produção nacional foi muito pequena na safra 2006/007.

O problema é que desses mercados temos de pagar TEC (Tarifa Externa Comum) de 10%. De países do Mercosul, como Argentina, somos isentos desse imposto. Além disso, ainda temos o custo do frete onerado em 25% para contribuir para o AFRMM (Adicional de Fretes para Renovação da Marinha Mercante Brasileira). Sem estes ônus adicionais o preço dos EUA e Canadá são competitivos com os da Argentina, cuja preço do trigo está no mais alto patamar, aproveitando-se da necessidade brasileira.

O Brasil não importa Farinha de Trigo destes países porque acreditamos que em igualdade de condições a indústria nacional é competitiva. Hoje temos esta limitação de importações de trigo da Argentina, imposta por aquele país, mas que será suprida por outros fornecedores. O que seria do consumidor brasileiro se ele dependesse substancialmente de Farinhas importadas da Argentina e eles fechassem as exportações? Ficaríamos sem o pãozinho do café? Seríamos obrigados a consumir produtos com outras características, feito com outras farinhas?

Felizmente nossa indústria está capacitada para assegurar o abastecimento nacional, mas gostaríamos de ter condições iguais aos nossos competidores para garantir a segurança alimentar e o atendimento dos desejos dos nossos consumidores.

* presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo)
E-mail: fshosken@abitrigo.com.br


Fonte: Paulo Tunin
















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