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Sábado, 04 de agosto de 2007 - 22h30m

Animais > Bovinos

Adaptação animal: base biológica para o incremento de produtividade



Por Soraya Tanure*

A bovinocultura de corte tem se desenvolvido rapidamente nos últimos anos. Todavia, as pesquisas têm sido direcionadas, na sua maior parte, às áreas de nutrição, melhoramento genético e reprodução. Apesar dessas abordagens contribuírem muito, trazendo inúmeros benefícios para o setor pecuário, o animal acaba sendo comparado a uma “máquina produtiva”, dependendo essencialmente da nutrição para responder as necessidades da produção.
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Esta situação demonstra despreocupação com a biologia do bovino, o que tem limitado o entendimento de algumas respostas encontradas nos trabalhos de pesquisa direcionados ao aumento de produção e/ou a melhoria da qualidade da carne.

Além disso, a implantação de programas de qualidade de carne geralmente tem como ênfase apenas a obtenção de produtos de qualidade, com alta palatabilidade, ou seja, produtos que atinjam os níveis de maciez, sabor e suculência exigidos pelo consumidor. Entretanto, tais programas devem considerar mais do que as qualidades intrínsecas do produto, tendo em vista outras perspectivas, que devem orientar ao processo produtivo, compromissos com o elemento humano e a preservação ambiental.

Enfim, devem oferecer um produto seguro e nutritivo, produzido de forma sustentável com o compromisso de promover o bem-estar humano e animal, e que leve em conta a lucratividade do produtor.
Dentro deste contexto, o estudo de alguns conceitos como a etologia, a bioclimatologia e em especial a adaptação animal como resultante da interação entre estas duas bases, pode proporcionar uma nova perspectiva para o modelo convencional de abordagem científica zootécnica, discutindo situações até então não consideradas ou mal compreendidas.

De acordo com o conceito biológico, adaptação é o resultado da ação conjunta de características morfológicas, anatômicas, fisiológicas, bioquímicas e comportamentais, no sentido de promover o bem-estar e favorecer a sobrevivência de um organismo em um ambiente específico.

Do ponto de vista genético, a adaptação é o conjunto de alterações herdáveis nas características que favorecem a sobrevivência de uma população de indivíduos em um determinado ambiente, podendo envolver modificações evolutivas em muitas gerações (seleção natural) ou a aquisição de propriedades genéticas específicas (seleção artificial).

A adaptação é, portanto, um conceito relativo, e ao tentar compreendê-la, devemos ter em mente o seguinte questionamento: “Adaptação a quê?”.

Se a resposta a esta questão for o ambiente, então também é necessário o conhecimento do meio e a total compreensão dos fatores estressantes promovidos pelo mesmo. Afinal, um organismo qualquer é sempre uma conseqüência do ambiente onde vive.
Ao encararmos as propriedades rurais como empresas, dentro de um enfoque voltado ao processo produtivo intenso, não podemos esquecer que as interações vividas diariamente pelos bovinos nestes estabelecimentos afetam diretamente a qualidade do produto ofertado ao consumidor, e que por vezes o compromisso em aumentar os índices produtivos, promove um manejo inadequado que acarreta em prejuízos ao produtor.

Com esta abordagem, percebemos então que adaptação e manejo devem caminhar juntos, e que o estudo mais detalhado deste conceito pode auxiliar de forma efetiva e coerente o entendimento do processo produtivo, diminuindo a possibilidade de interpretações empíricas nas observações dos animais. Por conseqüência, facilitar o manejo, melhorar sua qualidade de vida e obter um produto final de qualidade.

Assim, é importante buscarmos o pleno conhecimento da biologia da espécie bovina, definindo quais recursos são importantes para esses animais e quais as necessidades dos mesmos em relação a eles.
A aplicação destes conhecimentos na rotina das propriedades é um desafio ainda maior. A falta de conhecimento associada à resistência humana a mudanças no trabalho, constitui um dos entraves a serem superados ao objetivar a implantação de programas que visem a maior e melhor utilização do meio através de animais capacitados a este processo.

Contudo, fica a lição de que em atividades como a pecuária, onde a margem de lucro é escassa e as dificuldades enfrentadas pelo setor não se resumem apenas ao ambiente, mas também a questões de cunho político e econômico, o correto entendimento do processo de produção tornou-se fundamental. Devemos, portanto, encarar este processo como um sistema dinâmico, que agrega inúmeras variáveis de diversas áreas, e que por conseqüência deverá objetivar o total equilíbrio entre a exploração animal e ambiental e a produtividade almejada, gerando assim máxima lucratividade ao produtor.

*médica veterinária formada na Ulbra Canoas e mestranda de zootecnia da Faculdade de Agronomia da Ufrgs, em Porto Alegre/RS.
E-mail: sorayat@terra.com.br


Fonte: Página Rural
















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