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Terça-feira, 03 de julho de 2007 - 15h19m

Agronegócio > Tecnologia

Biodiesel e alimentos



Por Mário Rivas *


Os biocombustíveis são processos irreversíveis, menos pela determinação da ação das indústrias e governos; e mais, bem mais, pela obrigação que a natureza nos impôs após anos de ataques irresponsáveis ao meio ambiente. Os relatórios do futuro das condições climáticas globais assim como a limitação do prazo de uso dos estoques de combustível fóssil, fazem indispensável todo desenvolvimento possível de alternativas renováveis.




Isso criou uma celeuma internacional em busca de alternativas confiáveis, levando países subdesenvolvidos como o nosso a se apressar; até pela grande possibilidade de ter um lugar de destaque no cenário político internacional como produtor de biocombustíveis. Essa necessidade fez com que houvesse mecanismos de incentivo econômico para esse desenvolvimento, criando uma tresloucada corrida para criar e implantar novas indústrias de etanol e biodiesel.

Os produtores de petróleo ameaçam diminuir suas produções se houver crescimento de oferta concorrente, por se sentirem ameaçados, já que aproveitam da sua exclusividade para benefício político dos dirigentes desses países. Exemplos desse uso há de todos os tipos: Venezuela, Arábia Saudita, Iran, Kuwait, assim como a cobiça dessa vantagem, levou os poderosos à guerra do Iraque.

No Brasil o álcool depois de anos de sofrimento de agricultores, industriais, pequenos e médios comerciantes, e principalmente, consumidores de automóveis movidos por este combustível (beneficiados pela política do pró-alcool - quem não lembra daquela época), pode se considerar em fase final de consolidação; hoje é real, com maior e melhor tecnologia, com o mundo exigindo mais e melhor desenvolvimento e principalmente com cuidados e planejamento para não agredir mais áreas de preservação e tratamento e/ou reaproveitamento de rejeitos industriais.

O caso do Biodiesel nos faz voltar a pensar no século XX, no Pró-alcool e suas conseqüências, e por isso, devemos avaliar com maior calma e concentração nos possíveis resultados, sejam eles econômicos, sociais e/ou ecológicos.

A ONU emitiu relatório onde diz que os biocombustíveis poderão diminuir ou prejudicar a oferta de alimentos no mundo, considero que o mais provável e que seja exatamente o contrário. Desde que o planejamento estratégico seja direcionado nesse sentido e que a política não continue atropelando a realidade.

Observamos uma seqüência de investimentos para direcionar os plantios de oleaginosas em prol da produtividade de óleo como base de biodiesel. Entretanto, a maioria levando em conta apenas aspectos diretos de produção de óleo sem tomar em conta os retornos de investimento nem da produção integralizada das culturas.

Considero a soja a grande alternativa para a produção de biodiesel, pela possibilidade de objetivo aproveitamento integral nas regiões adaptadas para alta produtividade desta cultura. Especificamente Sul, Sudeste, Centro e Centro Oeste do Brasil. Com alternativa de produção de outras culturas compatíveis em tempo de plantio e colheita como canola, milho e girassol.

Lamentavelmente os projetos e indústrias já em funcionamento foram direcionados apenas e somente para a produção de óleo, se aproveitando de uma estruturação agrícola, de produção e escoamento eficiente e de custo razoável.

Sem considerarem o aproveitamento integral do grão, partindo do pressuposto que o farelo e casca resultante, o mercado haveria de absorver; sem considerar que o aumento de oferta provocaria um gargalo estreito e inviável, uma vez que o aumento de consumo como ração animal precisa de tempo, consumidores e investimentos para acontecer.

Essa é a realidade, que atropelando a necessidade política, já provoca travamento de produção pelo aumento exagerado dos estoques de farelo nas indústrias do centro, norte e nordeste do País.

Ao mesmo tempo em que vemos investimentos crescentes nessa área, sabendo que são necessários recursos para desenvolvimento de novos produtos principalmente alimentícios, vemos diminuir, consideravelmente nos últimos anos, os investimentos oficiais em órgãos de pesquisa e desenvolvimento como a Embrapa. A partir dela, orgulho nacional pode ser alavancada uma seqüência de produção a partir do campo, passando pelo transporte e estocagem, até a chegada na mesa do consumidor com melhores custos e rentabilidade real para todos os elos da cadeia produtiva e de consumo.

Há desenvolvimento, mesmo com os limitados investimentos, de variedades de soja com maiores rendimentos em óleo e valores protéicos, assim como também, desenvolvimento de pesquisas em outras oleaginosas como girassol, mamona, pinhão manso, palma, etc.

Na área de alimentos de soja há ainda muito a ser produzido e desenvolvido, temos exemplos claros em países, que sem produzir grãos ou com produção insuficiente, exportam (inclusive para o Brasil-2º produtor mundial) produtos derivados que poderiam ser produzidos e exportados por nós.

Temos tempo para consertar esta situação, está mais propicio agora, com uma integração maior ao Biodiesel aproveitando os excessos de matérias primas, e, fundamentalmente, fazendo da soja a mais rentável das matérias primas de produção de biodiesel.

Dessa forma poderemos deixar de ser os grandes exportadores de matérias primas e alcançar o primeiro mundo em matéria de industrialização e, deixar a meta de ser o celeiro mundial para ser o “grande fornecedor de biocombustíveis e alimentos do mundo globalizado”.

* consultor técnico e comercial de alimentos de soja
E-mail: mario.rivas@proteinasdesoja.com.br


Fonte: Página Rural
















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