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Quinta-feira, 06 de setembro de 2007 - 14h10m

Agricultura > Soja

Antes tarde do que nunca!



Por Ricardo Arioli *

Os produtores de soja de Mato Grosso cansaram de levar paulada dos ditos "ambientalistas", como sendo os grandes culpados pelo desmatamento da Amazônia. Não reagimos antes, pois não tínhamos organização. Agora temos a Aprosoja. Nestes últimos dois anos, investimos tempo e dinheiro tentando apagar os incêndios da crise cambial e do apagão logístico que consumiram toda a nossa renda e deixaram-nos enormes prejuízos no Contas a Pagar . Sem renda não há sustentabilidade. Produtor no vermelho não pode cuidar do verde. O silêncio sobre as questões ambientais foi a nossa estratégia até agora. Finalmente temos outra. Percebemos que a maioria das acusações ambientais que nos imputam não são verdadeiras. Percebemos que temos muito mais a mostrar do que a esconder. Percebemos que os serviços ambientais que já prestamos - e de graça! - são maiores que os supostos crimes que cometemos. Agora, queremos mostrar.



A soja na Amazônia. A tática ambientalista de atribuir o desmatamento da Amazônia à soja é um engodo. Segundo a ABIOVE (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), só temos 0,27% da Amazônia com soja. Número insignificante. Uma cultura que ocupa menos de um milhão de hectares numa área de 419 milhões de hectares não pode ser acusada de ser culpada pelo desmatamento. Plantio direto. A tecnologia do plantio direto, onde plantamos sem revolver o solo, economiza metade do combustível usado no plantio em relação ao sistema de plantio convencional. O plantio direto diminui a velocidade de decomposição da palhada, ou seja, diminui as emissões de carbono para a atmosfera. O plantio direto protege o solo contra a erosão, que leva a terra fértil para os rios. O plantio direto aumenta a matéria orgânica do solo e consequentemente sua fertilidade. Desde a ECO 92, convertemos 25 milhões de hectares a este sistema. O Brasil tornou-se campeão mundial em plantio direto. Mais um serviço ambiental sem muita divulgação.

Reciclagem de embalagens de agroquímicos.
Em 2003, o Brasil aprovou uma lei obrigando produtores e empresas a reciclarem as embalagens dos defensivos usados nas propriedades rurais. Em quatro anos, nos tornamos campeões mundiais em reciclagem de embalagens de agroquímicos. O Brasil recolhe e recicla 87% das embalagens utilizadas. Os Estados Unidos reciclam 20%. O Mato Grosso é o campeão brasileiro, com reciclagem de 92%. São dados do INPEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias). Vamos chegar em 100% nos próximos três anos. Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)

O Índice de Desenvolvimento Humano é uma medida comparativa de riqueza, alfabetização, educação e esperança de vida. Muitas atividades econômicas pioram os índices. Outras melhoram. A soja melhora. Dos 15 maiores IDHs do estado de Mato Grosso, 14 são de municípios onde a agricultura empresarial de soja é a maior fonte de renda. O maior IDH é do município de Sorriso, não por acaso o maior produtor de soja do Brasil. Destes 14 municípios, nove têm menos de 21 anos de emancipação política. Ou seja, foram criados na época de chegada da soja no estado. Em Mato Grosso, a soja veio e fez a diferença econômica e social. Isto é desenvolvimento sustentável.

Evolução Tecnológica
Outro serviço ambiental que prestamos é o uso de tecnologias modernas. Nos últimos 20 anos, a produtividade de soja no Mato Grosso aumentou 46%. Isto equivale a uma economia de 2,3 milhões de hectares de áreas com soja. O uso da tecnologia evitou a incorporação de área equivalente a toda a superfície territorial de Israel ou duas vezes a área do Líbano para a produção de soja em Mato Grosso. São dois milhões e 300 mil campos de futebol, como gostam de comparar alguns noticiários da televisão. Na visão de alguns ambientalistas, seria o "desmatamento evitado". Mas isto eles não dizem. Preferem nos acusar pelo "desmatamento realizado".

Reserva Legal
A não ser o Paraguai, nenhum outro país tem a figura da reserva legal em sua legislação ambiental. Muitos outros estados produtores de soja no Brasil também não têm. Nós temos. Temos que deixar entre 20 e 80% das propriedades como reserva legal, dependendo do bioma. Na compra da terra, é preciso pagar por toda a área. Compra-se também a reserva legal. Ninguém vende só a área utilizável. Nem é permitido. Precisamos pagar anualmente os impostos sobre a reserva legal. Precisamos cuidar da integridade da reserva legal. E não recebemos nada por isso. O que temos são custos. A reserva legal é um grande serviço ambiental que nós, produtores, prestamos a toda a sociedade, sem recebermos nada por isso. Área privada prestando serviço a toda a sociedade.

A reserva legal foi definida por medida provisória, e permanece assim até hoje. Ainda não virou lei. É provisória. Mas a medida provisória mudou e agora exige 35% ao invés de 20% de reserva legal. E não interessa se, quando abrimos a propriedade há 20 anos atrás, cumprimos o que dizia a medida provisória da época: 20%. Temos que nos adequar à nova medida provisória. Você se adequaria? Correria o risco? O que vai acontecer quando finalmente virar lei? Estaremos adequados? Ou seremos novamente acusados de algum crime? Você, que mora na cidade, comprou um terreno e construiu sua casa, toparia deixar 20% como reserva legal, se aprovássemos uma lei semelhante hoje? Destruiria parte da sua casa ou aceitaria comprar um terreno em outro lugar, para compensar? É isso que se exige dos produtores. Vamos também discutir esta medida provisória para que possamos finalmente nos adequar.

Licença Ambiental Única
A Licença Ambiental Única (LAU), exigida em Mato Grosso por lei estadual, utiliza imagens de satélite para o licenciamento das atividades das propriedades. Nesta imagem, é possível quantificar a reserva legal das propriedades licenciadas. As imagens devem ser atualizadas periodicamente. As propriedades licenciadas estão no site da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA). É o único Big Brother ambiental do mundo. Qualquer um pode espiar. Venha espiar as propriedades licenciadas no endereço http://monitoramento.sema.mt.gov.br/simlam/template.aspx?destino=Mapas.aspx. Depois, clique em "Mapa de Informação das Propriedades Rurais em Licenciamento e Licenciadas", e veja. Como eu disse, é único no mundo. Este sistema será copiado por outros estados e por outros países. Como eu também já disse, agora queremos mostrar. Venha ver.

Temos muito orgulho do que fizemos aqui. Não temos vergonha. Não temos o que esconder. Nosso trabalho tem qualidade ambiental. Quando for conhecido, será reconhecido. Já tornamos este estado o primeiro colocado em produção e produtividade de soja e de algodão. O primeiro em produção de gado de corte. Tudo isto em apenas 20 anos. Algo sem igual no mundo. Vamos torná-lo também o primeiro em produção sustentável. É só uma questão de tempo. O Pacto Ambiental que assinamos com o governo do estado, onde nos comprometemos com a adequação ambiental das nossas propriedades não é um Atestado de culpa. É uma mudança estratégica rumo a esta produção sustentável. E este será o passaporte dos nossos produtos para qualquer mercado do mundo. Aliás, passaporte com exigências ambientais sem precedentes na maioria dos países que hoje nos acusam. É possível produzir e crescer com preservação ambiental. Vamos mostrar isto. Você verá.


* engenheiro agrônomo, agropecuarista, diretor da Aprosoja e coordenador da Bienal dos Negócios da Agricultura. A Bienal é realização da Famato e co-realização da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso), Ampa (Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão) e Senar-MT (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Mato Grosso).

E-mail: ricmas@terra.com.br


Fonte: Famato
















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