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Quinta-feira, 06 de setembro de 2007 - 17h46m

Agronegócio > Bovinos

Rota de Colisão



Por Auler José Matias *

A exaltação dos resultados da pecuária brasileira, promovida vez ou outra por analistas de plantão, tem me deixado com a pulga atrás da orelha. Não sei por que, mas associo isto ao naufrágio do Titanic., o inexpugnável e “inafundável” navio britânico que soçobrou ao colidir com um desgarrado e imprevisto iceberg. Acho que também vamos trombar em algo muito grande em breve. Se não for pela proa, durante a próxima visita da “missão européia”, será pela popa, logo mais adiante, quando o mercado equilibrar a oferta e a demanda de bois.




Digo isso porque a comercialização de bovinos está mudando de forma rápida e a maioria dos pecuaristas ainda não percebeu. Através das compras a termo e do mercado futuro, os grandes frigoríficos promovem o alongamento das escalas de abate, prefixando a arroba no atacado. O pecuarista que vende no spot, isto é, da mão para a boca, terá dificuldades na comercialização e sempre venderá com deságio, premido pelo sufoco de caixa.

Para evitar a colisão será necessária uma bem arquitetada mudança de rumo, com o uso das mesmas armas para neutralizar a perda provável. Neste desenho cabem várias ações, mas as mais importantes são o conhecimento das regras do mercado e a avaliação do lucro desejado. Sem saber qual o comprador ideal para nosso produto e quanto esperamos lucrar com ele, fica cada dia mais difícil nossa sobrevivência nesta atividade.

A sazonalidade, que promovia picos de preços na entressafra, já não assusta mais os compradores, cada vez mais blindados no mercado futuro e abastecidos com animais oriundos de seus próprios confinamentos. O grande desafio é liberar o atavismo tradicional do produtor rural, que mantém estoques de seu produto como lastro financeiro, na esperança de uma pouco provável alta de preços, mesmo que isso lhe custe perda de poder aquisitivo.

As ferramentas estão aí disponíveis e funcionam como espelhos que refletem de forma inversa a estratégia dos compradores. Também temos que usar o mercado futuro e o contrato a termo para escalar nossas vendas. Como os velhos e experientes lobos do mar, devemos ficar com um olho no horizonte e o outro no convés, mesmo porque é o olho do dono que engorda a boiada.


* pecuarista e diretor da Associação Brasileira do Novilho Precoce (ABNP)

E-mail: auler.abnp@terra.com.br


Fonte: Texto Assessoria de Comunicações
















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