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Quinta-feira, 06 de setembro de 2007 - 15h13m

Biotecnologia > Bovinos

Espermatozóide em pó: mitos e realidade



Por Carlos Frederico Martins*

A conservação de espermatozóides oferece relevantes alternativas para a pecuária, biotecnologia e conservação de espécies, por isso, faz-se necessário o desenvolvimento de sistemas mais eficazes de conservação de gametas.

Os métodos convencionais de criopreservação dos espermatozóides dependem da conservação em nitrogênio liquido a uma temperatura de – 196ºC, obrigando maior atenção no armazenamento e transporte, além de tornar mais caro o processo propriamente dito. Por isso, tem-se pesquisado alternativas mais simples e econômicas, que preservem o genoma animal e facilitem o armazenamento à temperatura ambiente ou geladeira.




Desta forma, o processo de liofilização tem surgido como método alternativo para conservar espermatozóides de diferentes espécies à temperatura ambiente ou apenas resfriados. Este processo fundamenta-se na retirada da água interna da célula por sublimação, ou seja, evaporação da água do gelo. Portanto, os espermatozóides são inicialmente diluídos com substâncias protetoras e logo após, congelados em nitrogênio liquido a uma temperatura de – 196°C e submetidos a uma alta pressão de vácuo. Durante todo o processo, que dura aproximadamente 16 horas, a água vai sendo retirada da célula que está no estado sólido devido ao alto vácuo aplicado.

No Brasil, o pesquisador Carlos Frederico Martins, da Embrapa Cerrados -DF, estudou de forma inédita o processo de liofilização espermática nos bovinos. Neste estudo foram testadas diferentes substâncias protetoras dos espermatozóides tais como: o soro fetal bovino; a trehalose, um açúcar produzido por leveduras que sobrevivem em condições de desidratação; e uma solução que resgata cálcio do meio, denominada de EGTA.

Neste estudo, os espermatozóides após a liofilização e hidratação acabaram perdendo o movimento em todos os tratamentos, como vinha acontecendo em todos experimentos realizados no mundo. Porém, pela primeira vez, estruturas responsáveis pela fecundação e movimento espermático, como o acrossoma e mitocôndrias, respectivamente mantiveram-se intactas após a desidratação e hidratação. O núcleo também foi bem conservado nos meios protetores contendo a trehalose e a solução de EGTA, e mesmo sem movimento, utilizando-se a técnica de injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI) foi possível observar a ocorrência de desenvolvimento embrionário.

Estes resultados foram animadores para a continuidade dos estudos desta importante técnica, pois o domínio desta tecnologia poderá ser útil em diversos campos de atuação, sendo possível citar as seguintes vantagens: (1) facilidade de transporte dentro do país ou entre países, proporcionando importação ou exportação de importantes linhagens genéticas; (2) custo de armazenamento menor, pois não há necessidade de nitrogênio liquido; (3) para estudos em biologia molecular e reprodução assistida animal e humana; (4) conservação de linhagens com genética superior, espécies e raças raras ou linhagens transgênicas (estabelecimento de banco de recursos genéticos); (5) estudo de caracterização de espécies e raças por meio de marcadores genéticos e (6) maior intercâmbio de material genético entre populações ameaçadas de extinção, proporcionando maior diversidade genética.

Sendo assim, novos estudos devem ser realizados, e a melhoria da técnica de liofilização espermática passa necessariamente pelos avanços nos meios de liofilização e da técnica de ICSI.


* médico veterinário e D.Sc. Reprodução Animal. É pesquisador da Embrapa Cerrados, em Planaltina/DF

E-mail: carlos.frederico@cpac.embrapa.br


Fonte: Embrapa Cerrados
















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