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Quinta-feira, 06 de setembro de 2007 - 15h38m

Biotecnologia > Leite

Leite: segurança, qualidade e consumo?



Por Maria Edi Rocha Ribeiro *

Enquanto o agronegócio do leite no Brasil passa por um período de ascensão, no qual o país está deixando de ser importador e passando a exportador, o leite passa por uma valorização que remunera melhor o produtor, permitindo-lhe reinvestir na atividade. São desenvolvidas ações conjuntas de melhoria da qualidade do produto como a normatização da produção por meio do Programa Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), seguido dos esforços de empresas, instituições de pesquisa, ensino e extensão na realização de um trabalho sério no sentido de capacitar produtores e técnicos ligados ao sistema produtivo do leite, para a obtenção de uma matéria prima de qualidade.



A Embrapa Clima Temperado desde 1986, vem investindo na pesquisa em Sistemas de Pecuária Leiteira. Em outubro de 2005, inaugurou o Laboratório de Qualidade do Leite (LABLEITE), o qual ficou completo em dezembro de 2006, com a aquisição do contador de bactérias que faltava para o mesmo fazer parte da Rede Brasileira de Laboratórios de Qualidade do Leite (RBQL) do MAPA.

O Laboratório possibilitará monitorar e qualificar a produção de leite, adequando a região aos padrões internacionais de qualidade, contribuindo com os esforços do MAPA para as questões ligadas ao controle sanitário e à segurança alimentar da sociedade. Será possível, também, desenvolver trabalhos de pesquisa e desenvolvimento que proporcionem melhorias nos sistemas de produção e, em conseqüência, na cadeia produtiva do leite.
Assistimos, recentemente, algumas pessoas, técnicos, profissionais considerados capacitados e/ou qualificados, adulterando o leite e causando um prejuízo a toda a cadeia produtiva, colocando em dúvida a qualidade do leite produzido no Brasil.

É importante salientar, que no Rio Grande do Sul, nada foi comprovado. Portanto, o leite produzido no Estado tem qualidade nutricional e sanitária. Logo, os consumidores não devem deixar de consumir leite, pelos benefícios que este traz a nossa saúde. Medidas de segurança e fiscalização estão sendo tomadas para assegurar a qualidade do produto ofertado ao consumidor.

O leite é, provavelmente, um dos únicos alimentos que tem como objetivo fornecer nutrientes e proteção imunológica (através dos anticorpos) para o recém nascido, o que pode explicar o seu elevado valor nutricional. A composição do leite dos animais, aliado a distribuição equilibrada de certos componentes e a elevada digestibilidade, fazem do leite um dos componentes mais importantes na alimentação humana.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as recomendações para o consumo de leite são:

a) crianças abaixo de 9 anos: 500 ml / dia (2 copos);

b) crianças de 9 a 12 anos: 750 ml / dia (3 copos);

c) adolescentes: 1 litro /dia (4 copos) e

d) adultos: 500 ml / dia (2 copos).


A composição média do leite de vaca é: proteína 3,3%, uma das fontes de nitrogênio mais importantes na nutrição humana; gordura 3,5%, essa gordura é de fácil digestibilidade, além de seu valor nutricional, o qual está ligado com as vitaminas A, D, E, K e caroteno, é rica em ácidos graxos essenciais, que apresentam como benefícios a inibição de alguns tipos de câncer ( intestino, mama e estômago), redução do colesterol total e níveis de triglicerídeos, diminuição da gordura corporal, aumento da massa magra em animais experimentais em crescimento e aumento da resistência à doenças.

Além disso, alguns componentes da gordura do leite apresentam características anti-carcinogênicas (evitam ocorrência de câncer), tais como ácido linoleico conjugado (CLA) e ácido butírico.

A lactose está presente em média 4,7% e sólidos totais 12,5%. A lactose é o açúcar do leite. Apresenta um poder adoçante baixo, é pouco solúvel e apresenta menor tendência de irritação das mucosas do estômago quando comparado a outros açúcares. A lactose atua no intestino promovendo o desenvolvimento de bactérias desejáveis e inibindo o desenvolvimento de bactérias patogênicas (causadoras de doenças). Também é importante, pois melhora a absorção de cálcio, tem efeito levemente laxante, é considerada uma fonte de energia persistente, pois é absorvida mais lentamente e acredita-se que não forme placas dentárias como os outros açúcares.

Existem pessoas que apresentam intolerância a lactose, que consiste na ocorrência de sintomas gastrointestinais (formação de gases, diarréia) em indivíduos com baixos níveis de lactase (enzima que degrada a lactose). Apesar disso, as pessoas com dificuldades de digestão de lactose não devem evitar consumir produtos lácteos, mas sim, se alimentar de produtos com baixos níveis de lactose (leite sem lactose, queijo e iogurtes), ou pequenas porções diárias para manter uma adequada ingestão de cálcio.

O leite também é rico em minerais, porém, é um alimento pobre em ferro. O leite de vaca possui uma concentração de minerais bem mais elevada que o leite humano, tornando-o uma excelente fonte de cálcio e fósforo, fundamentais para a formação e manuntenção de ossos e dentes.

A adequada ingestão de cálcio durante a infância e idade adulta, associada à atividade física regular, garante a formação de ossos mais densos, constituindo-se em uma medida eficaz para prevenir a osteoporose. Estudos indicam que crianças que não bebem leite têm mais chances de sofrer fraturas e de ter estatura inferior àquelas que bebem. Indicam ainda, que o consumo de cálcio, pela ingestão de produtos lácteos, está assocido a redução da hipertensão arterial. É ainda, atribuído a dietas ricas em cálcio a redução do risco de câncer de intestino, mama e pâncreas, possivelmente pela capacidade desse mineral ligar-se a substâncias que irritam o intestino, tornando-as menos tóxicas.

Embora o leite apresente todas estas propriedades nutritivas, por ser proveniente de animais ( normalmente a espécie bovina) se forem portadores de doenças transmissíveis ao homem, colocarão em risco a saúde humana. Para evitar isso, alguns cuidados deverão ser tomados desde a fonte produtora (controle sanitário do rebanho, higiene de ordenha, resfriamento do leite que deverá ser livre de antibióticos, desinfetantes, adultrantes e etc.) passando pelo processamento até a mesa do consumidor.

É importante salientar que...
Todo o leite animal para consumo humano deve ser pasteurizado, ou seja, não deve ser consumido cru.
O leite de qualidade, deve ser de origem conhecida associada a uma sanidade e qualidade assegurada, desde o produtor até a mesa do consumidor.

* médica veterinária, responsável pelo Laboratório de Qualidade do Leite (LABLEITE) e pesquisadora da área de sanidade
animal da Embrapa Clima Temperado, em Pelotas/RS

E-mail: dindi@cpact.embrapa.br


Fonte: Larissa Carvalho
















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