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Segunda-feira, 07 de janeiro de 2008 - 15h44m

Marketing Rural > Agronegócio

Latinidade no Agronegócio



Por Jose Luiz Tejon 

O recente anúncio pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) de que o Brasil alcançou a impressionante soma de US$ 58,4 bilhões nas exportações do agronegócio em 2007 foi amplamente comemorada. E com razão. Foi a maior soma da história do País no setor, com um aumento de 5,6% em volume e 12% em preço, em comparação ao ano anterior. Porém, embora hoje se veja um movimento mais organizado por parte tanto de instituições como da iniciativa privada de conquistar novos mercados, ainda temos que creditar boa parte desse desempenho ao crescimento da economia mundial nos últimos anos e à demanda por alimentos no exterior.



O Brasil ainda necessita de encontrar novos meios de evitar barreiras protecionistas e conquistar seu espaço no comércio internacional de alimentos. Para a eficiência e eficácia das exportações da agroindústria nacional é preciso que os produtos levem na “bagagem” um item imprescindível: valor agregado. Só dessa forma é possível não só conquistar, mas principalmente, manter os mercados para os quais fornecemos. Ao considerar alguns dos pontos básicos das leis do comércio – demanda, preço e qualidade competitivos – é fácil de se notar que ainda falta estabelecer estratégias de marketing mais efetivas com vistas a garantir a credibilidade dos produtos nacionais.

E exemplos de sucesso podem ser obtidos até mesmo em nossos principais “clientes”. Na União Européia, destino de mais de 35% das nossas exportações, são muitos os exemplos. Os conceitos de marketing de origem foram essenciais para propiciar uma valoração a altura de produtos como os vinhos e champanhas franceses, o presunto de Parma (Itália), vinhos do Porto (Portugal), entre outros. Aqui, criou-se o Circuito do Vinho, um trajeto turístico pela Serra Gaúcha, no qual o visitante conhece as belezas locais e prova os melhores vinhos ali produzidos.

Ao consideramos que muitos dos países citados têm um elo ancestral com o Brasil – a latinidade – que pode contribuir sobremaneira com o fortalecimento das relações comerciais. Há muitas características culturais e de comportamento que ligam todas essas nações, tendo em vista a origem única. Se definidas e devidamente aproveitadas podem contribuir com o estabelecimento de estratégias de marketing que tragam resultados mais significativos.

Recentemente, Brasil e Espanha assinaram um acordo para incrementar as ações de rastreabilidade animal como um adendo do protocolo de sanidade para exportação da carne aqui produzida para aquele País. Mas, será que é somente no campo político/burocrático que estão os “ventos” que balançam a corda bamba desse comércio bilateral? Vale lembrar que tratamos de um mercado que adquiriu do Brasil perto de 60 toneladas de carnes no ano passado, 58% mais do que em 2006, o que gerou US$ 152 milhões em divisas.

O produto brasileiro, produzido de forma mais natural, o boi de capim, a qualidade da carne e traços subjetivos comumente identificados nos latinos – amabilidade, hospitalidade etc. – não contam? Esses valores podem ser utilizados conceitualmente em ações de comunicação para criar identificação com o produto nacional, gerar mais credibilidade e propiciar aumento de vendas em volume e em numerários.

É claro que há uma série de intempéries – os chamados “gargalos” – na cadeia produtiva que precisam ser resolvidas. Mas a presença do planejamento estratégico de marketing ainda é desconsiderada por muitos agentes importantes do segmento. A avaliação dos conceitos que proponho neste artigo podem ser úteis para quem necessita se comunicar com diferentes povos. Diferentes na atualidade, mas com muitas semelhanças devido à origem comum. Itália, França, Portugal, Espanha, Romênia, estados menores como Mônaco e Moldávia, além de regiões da Bélgica e Suíça compõem uma parte significativa da Europa. Essas são áreas em que a língua corrente é latina. Temos que responder à pergunta: como nos idiomas, o que há de comum entre os povos latinos? Depois utilizar o resultado para direcionar uma ação mais efetiva na comunicação e no comércio bilateral.

E temos de ser rápidos, já que há interesse de todas as partes para que isso aconteça. Nos próximos dias 16 e 17 de maio acontece em Lima (Peru) a 5ª Cúpula União Européia-América Latina e Caribe. Chefes de Estado e de Governo dessas regiões vão se reunir para avaliar projetos de negociação de livre comércio e associação política entre UE, Comunidade Andina, América Central e Mercosul.

Já em dezembro de 2007, a Assembléia Parlamentar Euro-latino-americana (EUROLAT) realizou plenária tendo em vista o encontro. A EUROLAT é constituída por 120 deputados provenientes do Parlamento Europeu, do Parlamento Andino, do Parlamento Centro-americano e do Parlamento Latino-americano, bem como por representantes dos governos nacionais do México e do Chile e por membros da comissão parlamentar conjunta do Mercosul. A EUROLAT tem três comissões – Assuntos Políticos, Segurança e Direitos Humanos; Assuntos Econômicos, Financeiros e Comerciais; e Assuntos Sociais, Ambiente, Educação e Cultura. A disposição de representantes de tantas nações em reunirem-se em buscar relações equilibradas entre si, beneficiando povos sob os mais variados aspectos trazem perspectivas animadoras.

Como conseqüência, novas portas para o produto brasileiro podem ser abertas e uma transformação nas relações de comércio entre América e União Européia acontecerão. O Brasil – e seus representantes no segmento do agronegócio – não pode fechar os olhos para esse movimento. Diz a expressão latina que difficilior lecito potior (a lição mais difícil é a mais valiosa). A primeira fase da conquista de novos mercados já passou. Enfrentamos barreiras das mais diversas, problemas de infra-estrutura, entre outros. Alcançamos agora um novo estágio. Mas, ainda sim, dificuldades virão e precisamos estar preparados.

Mestre em educação, arte e cultura pela Universidade Mackenzie.
Professor de Pós Graduação da Fundação Getúlio Vargas (FGV)
Diretor do Núcleo de Agronegócios da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Membro do conselho do Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial (Pensa), da Universidade de São Paulo (USP). Presidente da TCA Internacional.

E-mail: tejon@tejon.com.br


Fonte: William Parron
















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