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Terça-feira, 03 de junho de 2008 - 09h56m

Agricultura > Trigo

Novas perspectivas para controle da mancha amarela do trigo



Por Flávio Martins Santana (1) e  Timothy Lee Friesen (2) 


A mancha amarela do trigo é uma das maiores doenças dessa cultura no sul do Brasil. É causada por Pyrenophora tritici-repentis, um fungo necrotófico, que sobrevive em palha de trigo deixada entre uma estação de cultivo e outra. A capacidade de sobrevivência nos restos culturais está associada ao sistema de plantio direto, que torna a doença importante, especialmente se o produtor não pratica rotação de culturas. Os anos chuvosos são mais propícios ao desenvolvimento da doença, dificultando o controle por meio de fungicidas.

Para controle da mancha amarela têm sido utilizados três métodos:

1. Controle químico: obtido por meio de aplicação de fungicidas, como triazois, estrobilurinas ou a mistura destes. Para as doenças causadas por Bipolaris sorokiniana, Stagonospora nodorum, ou Septoria tritici, que produzem sintomas semelhantes à mancha amarela, recomenda-se a aplicação de fungicidas quando a incidência de doença atingir 70%; mas para mancha amarela, causada por P. tritici-repentis, fungo mais agressivo, é recomendado a aplicação de fungicidas nos primeiros sintomas;

2. Manejo cultural: a rotação de culturas reduz o inóculo primário do fungo, o qual sobrevive na palha do trigo. O período de decomposição desta palha pode chegar a 18 meses, funcionando neste intervalo como fonte de inóculo primário da doença;

3. Cultivares resistentes: está entre as estratégias de controle mais indicada para diversas doenças, por não causar danos ambientais, entretanto, há poucas cultivares disponíveis no mercado com níveis satisfatórios de resistência à mancha amarela, embora muitos ainda possam ser utilizados como fonte de resistência, como BH 1146, BR 8, BR 32 e BR 34.

Identificação
Raças de Pyrenophora tritici-repentis têm sido estudadas por mais de 10 anos por vários grupos de pesquisa na América do Norte. O método de identificação é baseado no desenvolvimento de sintomas sobre linhas diferenciadoras de trigo. Cada raça pode produzir uma ou mais toxinas, que podem causar sintomas de necrose ou clorose em hospedeiro suscetível. No campo, a doença normalmente é identificada pela presença de lesões necróticas circundadas por halo clorótico. A Embrapa Trigo, localizada em Passo Fundo, RS, está começando a aplicar esta abordagem para identificação de raças no Brasil, juntamente com a caracterização molecular do patógeno, em colaboração com pesquisadores do Departamento de Agricultura do Estados Unidos (USDA-ARS).

O conhecimento das prováveis raças e seu monitoramento no campo, juntamente com a caracterização molecular, são de grande importância para o processo de obtenção de cultivares com bons níveis de resistência à mancha amarela. Tal abordagem é mais precisa que a metodologia atual, baseada em seleção massal independente do isolado do fungo, e pode auxiliar os pesquisadores na avaliação de novas cultivares com resistência a um grupo específico do patógeno.

Com tal ação, espera-se encontrar genes efetivos para resistência à manha amarela nas cultivares da Embrapa, contribuindo assim para o menor uso de fungicidas e, consequentemente, redução na poluição ambiental.


1 - pesquisador da Embrapa Trigo em Fitopatologia
E-mail: fsantana@cnpt.embrapa.br

2 - pesquisador do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos em Fitopatologia
E-mail: Timothy.Friesen@ARS.USDA.GOV


Fonte: Embrapa Trigo
















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