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Segunda-feira, 09 de junho de 2008 - 19h38m

Agronegócio > Feijão

Feijão irá ganhar manchetes novamente



Por Marcelo Eduardo Lüders

Estamos importando feijão da China e da Argentina bem como do Canadá e provavelmente importaremos dos Estados Unidos. Infelizmente, mundo afora ninguém produz feijão carioca. Apenas preto e algumas outras cores pouco consumidas ou conhecidas no Brasil. Até mesmo feijões considerados extremamente nobres degustados nos melhores pratos internacionais são desconhecidos do paladar brasileiro, ainda que muito parecidos com nossos feijões rajados, por exemplo.

O estranho nesta situação é que tudo isto ocorre apenas meses após vivermos preços recordes no feijão, que normalmente estimulam muito o plantio. Estamos novamente caminhando para um momento de dificuldade de abastecimento, novamente. Percebe-se que o mercado de alimentos está realmente mudando. Até hoje, um momento de preço alto imediatamente dava início a um período de super oferta, uma vez que, os produtores eram estimulados pelos bons preços do mercado.

O produtor não faz apenas a conta de custo de produção e sim, de resultado líquido de cada cultura. Hoje depende muito da liquides, da produtividade, custo de fertilizantes, disponibilidade de recursos para financiamento e garantia de preço.

Feijão com preço alto faz subir até mesmo as sementes e aí podemos entrar em um círculo vicioso de menos oferta por conta de menos plantio, que ocorre por custos elevados. 

Então se os números dos órgãos oficiais davam conta de uma boa safra, o que aconteceu? Ocorre que a maneira em que se faz a tomada dos números de maneira subjetiva, pode resultar em um erro enorme para mais ou para menos, e desta vez foi para menos.

Por maior que seja a vontade do burocrata que senta e analisa números em um gabinete, o resultado das lavouras é soberano. Como nossos números não são confiáveis, sofremos conseqüências como a que veremos nos próximos meses com preços oscilando bastante e o feijão novamente ganhando manchetes negativas no quesito preço.

A história seria outra se houvesse um sistema mais moderno de captação de informações, que permitisse que as empresas importadoras buscassem ofertas antes de fortes altas no mercado internacional, bem como permitiria que o Ministério da Agricultura estimulasse em tempo o plantio. Ou ainda, seria mais fácil resolver o problema se as mesmas variedades disponíveis no mundo estivessem disponíveis aqui para o maior consumidor de feijão do mundo.


Economista, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Legumes Secos (Ibrafe), membro da Câmara Setorial do Feijão do Ministério da Agricultura e por 20 anos corretor de feijão da Correpar Corretora de Mercadorias, sediada em Curitiba/PR.

E-mail: marcelo@correpar.com.br


Fonte: Página Rural
















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