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Terça-feira, 17 de junho de 2008 - 12h07m

Pesquisa > Plantas Nativas

Plantas nativas do Pampa: uma beleza a ser descoberta



Por Elisabeth Regina Tempel Stumpf (1), Cátia Maria Romano (2) e
Rosa Lía Barbieri (3)

O hábito de utilizar espécies ornamentais exóticas no Brasil acontece desde a época da colonização. As rosas, por exemplo, foram trazidas pelos jesuítas nas primeiras décadas de 1500. Ao mesmo tempo, o potencial das nossas plantas nativas tem sido muito mais reconhecido no exterior do que no próprio país. Várias de nossas orquídeas, begônias, bromélias e alstromérias são há muito tempo comercializadas em países com tradição em floricultura, como Holanda,  Estados Unidos, Itália, Japão, Inglaterra, Alemanha e Dinamarca.

Em endereços eletrônicos de empresas estrangeiras ligadas à floricultura é possível localizar diversas plantas brasileiras sendo comercializadas. Sementes de árvores como periquiteira, erva-mate, jacarandá, ipê, corticeira e jerivá, podem ser facilmente adquiridas via internet! 

As fruteiras nativas também mostraram ter boa aceitação no exigente mercado internacional, já que nestes sites são comercializados butiá, maracujá, feijoa, cereja-do-rio-grande, pitanga, araçá e jabuticaba. Até mesmo o brinco-de-princesa (Fuchsia regia), flor símbolo do nosso estado, parece fazer mais sucesso no exterior do que entre os gaúchos, já que por aqui não há produção desta espécie em escala comercial. 

Ainda que sejam raras as informações sobre o mercado brasileiro para plantas ornamentais nativas, é possível afirmar que a demanda não vem sendo atendida pelo setor produtivo. Também é sabido que nossa legislação proíbe a coleta e a comercialização de plantas nativas, e, apesar disso, quem já não se deparou com bromélias não cultivadas, extraídas das matas, e oferecidas livremente pelas ruas do Laranjal? E o que dizer das orquídeas vendidas na beira das rodovias gaúchas? Por acaso você não conhece ao menos uma pessoa que já comprou samambaias ou palmeiras obtidas de forma extrativista e ilegal? 

Pois estas plantas vêm sendo comercializadas apesar dos riscos de autuação e dos danos causados ao ambiente, e muitas delas sequer resistem fora de seu ambiente natural! De qualquer modo, este pode ser um indicativo de que, se inseridas na cadeia produtiva e dentro das leis ambientais e de proteção, as plantas nativas são capazes de ocupar um espaço crescente no mercado da floricultura. 

Já há consciência de que, nas cidades, as plantas nativas podem atrair animais desejáveis e cada vez mais raros, como pássaros e borboletas, além de pequenos insetos em busca de pólen e néctar. Na sinalização de rodovias, o uso de árvores nativas pode contribuir para a criação de corredores ecológicos. Na arte floral, flores e plantas nativas podem agradar a um público que está sempre procurando por novidades. 

Considerando o crescente interesse por plantas nativas, é preciso passar a incentivar a produção em escala comercial, em viveiros devidamente licenciados. Estimular a produção e o uso de espécies nativas em arranjos florais ou no paisagismo, no entanto, não deve ser encarado como um estímulo para o extrativismo, mas sim como um incentivo para a pesquisa. 

Em Pelotas, a Embrapa Clima Temperado vem desenvolvendo, juntamente com bolsistas de pós-doutorado do CNPq e da Fapergs, um trabalho de prospecção, de avaliação da potencialidade de uso, e de propagação de espécies ornamentais nativas do Bioma Pampa, com resultados bastante animadores. 

A indicação de espécies nativas para a arte floral ou para o paisagismo deve atender a alguns pressupostos básicos, que foram estabelecidos como ponto de partida destas pesquisas. Para a arte floral, as flores ou folhagens de corte devem apresentar beleza, inovação, arquitetura equilibrada, coloração que permita múltiplas combinações e comprimento de haste que atenda a diversas propostas de uso. 

Para o cultivo e a comercialização, é recomendado que a espécie seja de fácil produção, ao menor custo possível, apresente boa durabilidade após o corte, que suporte o transporte a longas distâncias e possa ser armazenada por um longo período, para ampliar o prazo de comercialização. Para o paisagismo, interessam especialmente a plasticidade, o porte, a textura, o tamanho e a coloração das flores, folhas e caule, a adaptação ao ambiente de uso, a resistência a pragas e moléstias, a atração da avifauna local e o tipo de sistema radicular, entre outros. 

Além de valorizar a biodiversidade local, a inserção de espécies nativas na floricultura é uma forma de fortalecer as identidades regionais, representando um diferencial em um mercado altamente competitivo, continuamente em busca de diferenciais e cada vez mais inclinado a produtos considerados de baixo impacto ambiental e ecologicamente corretos. A prospecção de novas plantas ornamentais, a partir das espécies nativas, representa um grande potencial de produção e comercialização, tanto para o mercado interno quanto para a exportação, que poderá crescer ainda mais a partir da criação de leis nas esferas municipal, estadual e federal.


(1) Engenheira Agrônoma, Doutora em Agronomia pela UFPel e Bolsista Pós-Doutor Junior do CNPq, com atuação na área de
floricultura e paisagismo. 
E-mail:
elisabeth.stumpf@gmail.com

(2) Engenheira Agrônoma, Doutora em Ciência a Tecnologia
Agroindustrial pela UFPel e Bolsista Recém-Doutor pela FAPERGS, com atuação na área de propagação de plantas. 
E-mail:
catiamromano@gmail.com

(3) Bióloga, Doutora em Genética e Biologia Molecular e
Pesquisadora da Embrapa Clima Temperado atuando na área de recursos genéticos vegetais. 
E-mail:
barbieri@cpact.embrapa.br


Fonte: Embrapa Clima Temperado
















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