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Quarta-feira, 16 de julho de 2008 - 16h59m

Política Agrícola > Bovinos

Quem quer boi pirata?



Por Amado de Oliveira Filho

Segunda-feira última a Conab tentou vender os bois piratas do ministro Minc. Não deu certo, entendo que é importante uma boa conversa de alguém do governo para um breve entendimento com certo rei do gado do Pará, aquele mesmo que também tem um banco, o Opportunity. Ou ainda, provocar mais deságio para que alguém do próprio governo compre o gado pirata do Pará.

Esta segunda hipótese é a lógica do próprio ministro do Meio Ambiente. No afã de esclarecer o fracasso da venda disse: "Minha esperança é que aconteça com o leilão do boi pirata o que aconteceu com o leilão do terreno da Ingá Mercantil", citando o caso de um dos maiores passivos ambientais do estado do Rio de Janeiro, arrematado pela Usiminas, no final de junho, por R$ 72 milhões, valor 40% inferior ao preço mínimo proposto. O quê? Quem é o dono da Usiminas? O próprio vice-presidente da República!

Bem, o vice-presidente, pelo que se sabe, não é do ramo da pecuária. Mas, provavelmente o já conhecido "Rei do Gado do Pará" terá grande interesse em arrematar este rebanho, afinal, seu projeto é alcançar um milhão de cabeças. A grande dificuldade é que ele anda muito ocupado, tentando se livrar de algemas que dificultarão a formalização de lances, pelo desconforto deste acessório.

Vale destacar que enquanto o governo envolve mais uma empresa pública federal em questões ambientais na Amazônia, e desta feita uma empresa responsável pelo abastecimento, está faltando comida para os brasileiros, e ainda, o meio ambiente do resto do Brasil vai de mal a pior. Afinal, onde estão as áreas de preservação permanente do Estado de São Paulo? E suas reservas legais? Os bois de lá não são piratas? E os do Rio de Janeiro criados na Mata Atlântica, que tem apenas 7% de reserva legal?

O meio ambiente do resto do Brasil precisa ser visto com os mesmos olhos do meio ambiente da Amazônia Legal. Nós aqui de Mato Grosso, um Estado que possui a porção mais dinâmica do agronegócio brasileiro, não suportaríamos a qualidade do ar da cidade de São Paulo. Isto também é crime ambiental! O Ministério do Meio Ambiente precisa exigir a implementação do Art. 225 da Constituição Federal, que diz: "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida".

O Brasil é um país de contrastes, onde as desigualdades regionais são latentes, inclusive na execução de políticas públicas. No caso do meio ambiente a forma diferenciada do tratamento que recebemos chega a ser absurda. Implantar algum projeto no Estado de Mato Grosso é tarefa hercúlea. Chegamos a concluir que o estado, sob o aspecto ambiental, está fadado ao engessamento de sua economia. Todo dia somos surpreendidos com medidas e projetos que serão barreiras ao nosso desenvolvimento econômico.

Seguramente os Estados da região Sudeste estão imunes à criação de bois piratas e tem crescimento econômico de forma privilegiada. Não em função da regularidade ambiental, mas esta garantia é dada pelo tamanho da bancada federal daqueles estados. A região Sudeste possui uma bancada de aproximadamente 180 deputados federais. Somente o Estado de São Paulo tem 70 deputados, portanto, um número muito próximo da bancada de toda a Amazônia Legal.

O princípio da proporcionalidade da representatividade na Câmara dos Deputados certamente que não mudará, então, resta-nos apenas nos mobilizarmos e exigir que produzir alimentos também é importante. Afinal o mundo precisa de alimentos, nós sabemos fazer!


Economista, especialista em mercados de commodities agropecuárias e direito ambiental

E-mail: amadoofilho@ig.com.br


Fonte: Famato
















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