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Segunda-feira, 04 de agosto de 2008 - 17h04m

Política Agrícola > Café

O papel das cooperativas de café no repasse do Pepro



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Gilson Ximenez, presidente do Conselho Nacional do Café

Foto: Divulgação



Por Gilson Ximenes

A política cafeeira no Brasil sempre foi muito ativa e polêmica. Diversos planos de sustentação de preços, que ora eram criticados por produtores, ora por exportadores, e algumas vezes por todos. Como exemplo, confiscos cambiais, cotas de contribuição, planos de retenção e, mais recentemente, programas de opções e Pepro.

O que nunca fica claro nestas situações é até onde estão realmente interesses coletivos ou até onde se disfarçam os interesses maiores em nome da defesa de interesses corporativos. Vejamos o Pepro, lançado no ano passado, com o objetivo de garantir renda aos produtores sem que houvesse a necessidade de compra de produto pelo Governo.

O Programa teve um enorme sucesso do ponto de vista da recuperação dos preços internos, da garantia da solvência dos produtores e do escoamento da produção no mercado. Com efeito, os preços que estavam sendo pagos aos produtores antes do Programa, a R$ 225,00, elevaram-se rapidamente para R$ 260,00, patamar que possibilitou o exercício do direito ao prêmio arrematado em leilões, no valor de R$ 40,00, complementando, assim, os R$ 300,00 do valor de referência — correspondente ao custo operacional médio levantado pela empresa de consultoria Agroconsult, em trabalho que havia sido contratado pelo Ministério da Agricultura.

Nestes níveis, possibilitou-se que os produtores cobrissem seus custos, evitando o aumento do endividamento já acumulado devido à venda abaixo dos custos em anos anteriores. Ao mesmo tempo, com esta remuneração, os cafeicultores rapidamente colocaram a safra no mercado, não deslocando a oferta para a seguinte, conforme comprovado pelos baixos níveis de estoques de passagem.

O Programa teve, ainda, outros méritos, diferentemente de programas anteriores, uma vez que não influenciou as cotações internacionais, não beneficiando concorrentes. Pelo contrário, deixou-nos mais competitivos no acirrado mercado mundial. O nível de satisfação dos produtores brasileiros foi imenso, pois nunca uma política de governo conseguiu, entre quem produz, tamanha unanimidade.

Infelizmente, o mesmo não pode ser observado em outros segmentos, que reclamaram daquelas que têm sido, nas últimas décadas, responsáveis pela sustentação dos produtores, especialmente os pequenos, as cooperativas. São estas que levam assistência técnica, difundem tecnologia, repassam financiamentos e geram escala para os pequenos produtores, tratando-os de forma igualitária com os grandes.

No Pepro, as cooperativas tiveram papel fundamental. O programa, com intrincadas exigências para sua comprovação junto à Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), só atenderia grandes e bem estruturados produtores, com elevado nível de controle organizacional. Entretanto, através das cooperativas, pequenos cafeicultores tiveram acesso.

O repasse foi feito da forma mais transparente e democrática, discutido e aprovado em Assembléias e divulgado em seus jornais. Se produtores cooperados gozaram de benefícios que os não associados não tiveram, se as cooperativas se fortaleceram, esta é uma prerrogativa facultada pela legislação, não por acaso, mas sim para incentivar a sua organização, gerando escala comercial para pequenos produtores poderem alcançar os grandes mercados.

Respeitamos os segmentos que criticaram o Programa, pois estão percebendo que os produtores organizados em cooperativas podem sim agregar valor e ganhar parte de seus mercados. Estão defendendo os seus interesses. Apenas achamos que seria mais sincero que assim declarassem e não disfarçassem suas insatisfações alegando a “defesa de pequenos produtores”.

Um instrumento como o Pepro, que verdadeiramente gerou renda para os produtores de forma inteligente, não pode ser destruído por informações distorcidas. O Brasil não precisa de “lobos travestidos de vovozinhas”. Está na hora dos segmentos do agronegócio café assumirem claramente seus interesses individuais, negociando, de forma madura, soluções que atendam a todos sem perder de vista o interesse maior, o coletivo. O interesse daqueles que produzem para alimentar a mesa dos brasileiros e gerar divisas, emprego e desenvolvimento para o Brasil.


Cafeicultor em Três Pontas/MG, diretor de produção da Unicoop (União Cooperativa Agropecuarista Sul de Minas) e presidente do Conselho Nacional do Café.


Fonte: P1 Agência de Notícias
















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