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Quarta-feira, 26 de novembro de 2008 - 18h24m

Animais > Ovinos

Resistência da verminose ovina aos antihelminticos



Por Francelino Goulart da Silva Netto

A exploração de ovinos em Rondônia nos últimos anos vem se intensificando, por meio da iniciativa dos próprios criadores e a criação de entidades que os congregam tornando-os mais fortes, facilitando as ações de apoio a exploração por parte do governo, seja municipal, estadual ou federal. Nesta situação encontra-se a Associação de Criadores de Ovinos e Caprinos ( AORO ) com sede em Porto Velho.

Como toda exploração pecuária a ovinocultura exige do produtor maior conhecimento das ações que dizem respeito a obtenção de um maior retorno financeiro favorável àquele que se decide para este investimento. Neste aspecto deve-se chamar a atenção para uma das maiores causas de perdas ou baixo desenvolvimento dos ovinos que são as verminoses, ou seja, ao ataque de helmintos ou nematódeos que não são mais do que parasitos encontrados ao longo do trato gastrointestinal, concorrendo com a alimentação ingerida pelo hospedeiro e além disso, sofrendo danos devido à ação espoliativa do agente cursando com irritações e lesões da mucosa abrindo uma porta de entrada para possíveis infecções secundárias, causadas por microorganismos existentes, agravando o quadro pela diarréia, desidratação, emagrecimento progressivo e morte do animal.

Como combate da verminose o criador lança mão dos anti-helmínticos, que nada mais são do que medicamentos usados tanto na prevenção, como no tratamento curativo da enfermidade. Isto quando realizado por meio de tratamentos múltiplos, muitas vezes a intervalos mensais ou quinzenais, ao longo dos anos, aliado a sub-dosagem e rotação rápida dos vermífugos, resultará no surgimento de cepas resistentes aos vários princípios ativos das drogas existentes no mercado de produtos veterinários.

O posicionamento mais utilizado pelos criadores e muitos técnicos é a de elegerem somente os produtos químicos como o único controle dos parasitos, preocupando-se somente com o parasitismo do animal, não se preocupando com as formas de vida livre que infestam a pastagem, representando até 95% do grau de parasitos que certamente voltarão aos animais, se não houver qualquer cuidado de manejo na forma de divisão das mesmas para os procedimentos de rotação dos animais, onde serão processadas as fazes de ocupação e descanso promovendo com isto, a diminuição das larvas pela falta de alimento e ações do clima, como alto calor e baixa umidade. Esta medida é de muita importância para evitar as reinfecções.

Portanto, deve-se tomar medidas que permitam a utilização de fármacos que sejam utilizados sem que se processe a resistência dos vermes aos anti-helmínticos, porque os princípios ativos são poucos e em tempo reduzido pode-se ter vários produtos com pouca ou sem ação quando utilizado no controle da verminose do rebanho.

Entretanto, pode-se preservar o rebanho utilizando o vermífugo em épocas determinadas de acordo com os estudos de pesquisas realizados. Associar métodos de manejo da pastagem, com a introdução de outras espécies animais em conjunto ou alternado e outros que estão em estudo e que logo estarão a disposição dos criadores.

O importante é que devemos preservar o próprio animal, pela indicação farmacológica correta, evitando maiores prejuízos com a utilização indiscriminada de produtos que tragam gastos desnecessários, atingindo ainda a saúde das pessoas e o meio ambiente. Desta forma vai ocorrer a proteção econômica, social e ambiental da exploração ovina.


Médico veterinário e pesquisador da Embrapa Rondônia
E-mail: goulart@cpafro.embrapa.br


Fonte: Embrapa Rondônia
















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