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Quinta-feira, 11 de dezembro de 2008 - 10h25m

Agronegócio > Suínos

2008, ano histórico para a carne suína brasileira



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Pedro de Camargo Neto

Foto: Divulgação



Por Pedro de Camargo Neto


Não fosse a crise financeira global, que está afetando o Brasil neste último trimestre, 2008 seria considerado excelente. Contudo, podemos dizer que este foi um ano histórico para a suinocultura brasileira, pois houve consolidação do mercado interno, pelo aumento das vendas, e as exportações cresceram em termos de preços.

Deveremos terminar o ano com uma produção de 3,03 milhões de toneladas, em relação a 2,98 milhões de t em 2007. Para o mercado interno, estimamos vendas de 2,46 milhões de toneladas, neste ano, e exportações de 570 mil t.

Em face da crise, a perda dos referenciais para a tomada de decisão tornam, neste momento, difícil apostar em qualquer cenário para 2009. A volatilidade dos mercados de moeda dificultam a normalidade do comércio. A falta de crédito permanece uma constante. Mesmo assim, esperamos mais um ano de estabilidade entre oferta e demanda, com alguma possibilidade de moderada retração da demanda, que deve ser compensada por custos mais baixos. No mercado externo, temos fortes possibilidades de obter acesso a novos mercados, em contrapartida às dificuldades de prever como se comportarão nossos principais clientes, sobretudo a Rússia. O setor trabalha com a perspectiva de abertura de mercados como Japão, China e Estados Unidos.

Estimamos a manutenção de nossas vendas externas no patamar de 600 mil toneladas. No mercado interno, o desempenho deve se manter bem próximo aos 2,5 milhões de toneladas. Em 2009, esperamos uma produção de 3,1 milhões de t, o que deverá significar uma ampliação de 2,3% em relação a 2008.

Resumindo: em 2008, houve bons preços, mercado interno em crescimento e exportações estáveis. Avançamos em todos os aspectos.

Entre os pontos positivos, que fizeram o setor avançar em 2008, destacamos:

- O Chile reconheceu Santa Catarina como região livre de febre aftosa sem vacinação;

- Os EUA enviaram ao Brasil missão veterinária para coletar dados com o objetivo de realizar análise de risco, que deve estar prestes a ser concluída;

- O Japão encaminhou extenso questionário como primeiro e decisivo passo para o processo de abertura do maior mercado importador de carne suína do mundo;

- É possível enxergar perspectiva concreta de abertura de alguns novos mercados, em particular a China;

- No Rio Grande do Sul, sob a liderança do Sindicato da Indústria de Produtos Suínos (SIPS), as ações de sanidade animal avançam muito bem, preparando o Estado para receber a missão da União Européia, que, acreditamos, deverá ocorrer no primeiro semestre de 2009. Não se exporta sem sanidade, que é ação pública, por meio dos serviços estaduais e federal, e com a participação do setor privado, apoiando e incentivando o poder público;

- Somos um dos mais importantes celeiros mundiais. Produzimos alimentos e isso é um dado que merece destaque, pois, pelo efeito elasticidade, o setor sofre menos abalos com a queda de renda resultante de menor crescimento e recessão;

- Em 2008, ocorreu uma maxidesvalorização no Brasil, o que sempre fortalece a nossa competitividade em relação aos concorrentes. O efeito não é imediato, pois alguns meses de exportação passada ainda tiveram câmbio fixo. No inicio de 2009, porém, seremos mais competitivos, sem sombra de dúvida;

- Nossa dimensão continental e excelentes condições climáticas permitem produzir grão para ração com grande competitividade, o mesmo acontecendo com a produção de suínos.

Ou seja, devagar, a carne suína brasileira começa a ir longe.

Também enfrentamos e continuaremos a enfrentar dificuldades na abertura de novos mercados. Assim, cito aqui alguns pontos negativos observados em 2008:

- Lentidão dos países em reconhecer Santa Catarina como detentora de status sanitário máximo, indicando a erradicação da aftosa. A OIE – Organização Internacional de Saúde Animal concedeu esse atestado depois de importantes ações dos serviços públicos de saúde animal, estaduais e federais, e de investimentos do setor privado por meio do ICASA – Instituto Catarinense de Agropecuária, em 2005 e 2006;

- Brutal falta de crédito para financiar a produção e o comércio, tanto no Brasil como nos países importadores.

- O México parece ter postergado, indefinidamente, a promessa de realizar missão veterinária ao Brasil;

- A Coréia do Sul, importante comprador de carne suína de União Européia, EUA, Canadá, México, Chile e Austrália, tem se recusado a iniciar entendimentos. Inúmeras reuniões ocorreram em Genebra, durante os periódicos encontros do SPS (Acordo Sanitário e Fitossanitário da OMC), e uma reunião do Ministério da Agricultura em Seul, neste ano. Mesmo assim, não conseguimos remover o protecionismo coreano;

- A ABIPECS voltou a solicitar ao Itamaraty o início de consultas no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC, visando eventual contencioso com a Coréia. É inaceitável assistirmos de maneira passiva o tratamento que vem sendo dispensado ao Brasil pela Coréia do Sul e, particularmente, à suinocultura nacional;

- A grande barreira continua sendo a sanitária, mas há também a questão da discriminação das nossas vendas de carne suína no mercado russo, o principal para as exportações brasileiras, tema que nos ocupou no final de novembro, durante a renegociação dos termos de ingresso da Rússia na Organização Mundial do Comércio (OMC). O assunto esteve em pauta com a vinda ao Brasil do ministro russo da Agricultura, Alexey Gordeev, e do presidente Dmitri Medvedev. Estamos acompanhando de perto as negociações entre as autoridades brasileiras e russas relacionadas à acessão da Rússia na OMC e à questão das cotas para a carne suína naquele mercado. A posição do setor, que o governo brasileiro apóia, tem sido a de defender que a Rússia passe a administrar as cotas sem privilegiar este ou aquele país. Deixaria, portanto, de existir cota para os EUA e cota para a União Européia (UE). O montante total de cotas seria distribuído dentro do que no jargão OMC se chama "nação mais favorecida", isto é, com base na melhor oferta.

Pecuarista e Doutor em Engenharia de Produção pela EscolaPolitécnica da Universidade de São Paulo e MSc. pelo MIT –Massachusetts Institute of Technology. É presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs)

E-mail: pedro@abipecs.org.br


Fonte: Página Rural
















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