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Terça-feira, 16 de dezembro de 2008 - 17h17m

Agronegócio > Bovinos

O pecuarista não especula. Ele produz



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Paulo de Castro Marques

Foto: Divulgação



Por Paulo de Castro Marques

A nova ordem econômica mundial pega a pecuária brasileira no seu melhor momento. Os preços do boi gordo giram em torno de R$ 90,00 a arroba, os bezerros estão com preços no mínimo 50% superiores aos praticados no início de 2008, os projetos de ampliação de produção estão em andamento e os investimentos em genética, nutrição, sanidade, gestão e capacitação nunca foram mais evidentes. Ou seja, tudo caminhando para um ano extremamente vibrante e motivador, em que pese a elevação dos custos.

Mas o primeiro sinal da crise global de crédito sobre a cadeia da carne bovina veio muito antes do previsto, provocando redução das exportações e desativação de algumas plantas frigoríficas flagradas pela instabilidade com caixa em baixa.

Do lado externo, a retração dos embarques no trimestre final de 2008 não deve alterar significativamente o resultado das indústrias, já que a reação do dólar compensa, pelo menos em parte, a queda em volume. Assim, o ano deve fechar com exportações ao redor de US$ 5 bilhões, um recorde indiscutível.

O problema de caixa de algumas unidades frigoríficas é que mais preocupa a atividade. Afinal, analisando a situação sob o ponto de vista do produtor, ninguém imaginava que o primeiro reflexo da instabilidade viesse do setor mais favorecido pela conjuntura e que, supostamente, mais ganhou com o período de vacas gordas.

A pecuária é uma atividade de ciclos. Neste momento, ela está no início do período de alta. Os investimentos feitos em genética, especialmente, permitem prever aumento da oferta de bezerros e, portanto, da produção de carne até 2011. Se os preços do boi gordo vão ajudar não se sabe. Mesmo com a instabilidade econômica, as cotações têm se sustentado e é o que se espera.

De certo mesmo é que ser pecuarista é uma profissão de fé. Nós não sabemos especular. Nosso negócio é produzir e é o que estamos fazendo. A pecuária não consegue pensar a curto prazo. O investimento feito há alguns meses, quando o cenário era absolutamente positivo, não pode ser simplesmente esquecido. Os bezerros vão nascer, crescer e se tornar bois gordos. Por outro lado, os selecionadores permanecem aprimorando os seus plantéis, apurando melhor o gado, incorporando novas linhagens, trabalhando para ter animais mais precoces e mais produtivos.

Não é possível prever neste momento todos os efeitos das turbulências econômicas sobre a cadeia da carne. Mas como os primeiros sinais já apareceram é possível que haja novos reflexos na atividade. Porém, não se pode esquecer que carne é insumo de primeira necessidade e as pessoas cortam uma série de gastos antes de reduzir o alimento à mesa.

Que os especuladores estão sofrendo nós já sabemos. A questão é torcer para que quem vive da produção e dá o seu suor pela oferta de carne de qualidade pelo menos desta vez consiga passar ao largo da crise sem muitos hematomas. Já vimos em outros tempos o produtor ser o primeiro a sofrer em períodos de instabilidade. Mesmo assim, não mudamos o nosso ofício e seguimos em frente, produzindo mais e mais, sem nos importar com os lucros exorbitantes – porém efêmeros, como se vê – daqueles que preferem apostar no dinheiro virtual.

A pecuária brasileira é um colosso de 10 milhões de toneladas de carne/ano, 170 milhões de cabeças e negócios superiores a R$ 70 bilhões por obra e arte dos pecuaristas, que insistem em cumprir uma nobre missão: fortalecer a economia rural e do País, colocando um alimento rico à disposição dos pobres e dos mais abastados. E não vamos mudar a essência do que somos, mesmo que a conta a pagar novamente seja pesada.

Proprietário da Casa Branca Agropastoril, empresa pecuária que investe nas raças Angus, Brahman e Simental em Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso.

E-mail: casabranca@casabrancaagropastoril.com.br


Fonte: Texto Assessoria de Comunicações
















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