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Quarta-feira, 08 de abril de 2009 - 11h26m

Política Agrícola > Milho

Posição mundial de milho brasileiro pode ser afetada



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Odacir Klein

Foto: Divulgação / Abramiho



Por Odacir Klein


A Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) acaba de alertar para uma iminente crise alimentar global, na medida em que a produção agrícola diminui e também diminuem os estoques mundiais de grãos. Entre os fatores determinantes, a FAO elenca a falta de crédito destinado ao plantio que, como consequência, está caindo e as condições meteorológicas ruins. Com isso, o número de pessoas ameaçadas pela fome poderá superar 1 bilhão ainda este ano, segundo a agência.

Apesar de figurar entre os três maiores fornecedores de milho para o mercado mundial, o Brasil não está se preparando para o atendimento dessa demanda - tanto sob forma de grãos, como de carnes, ovos e lácteos - motivada pela queda dos estoques. Pelo contrário, o Brasil pode ter a sua posição atual enfraquecida, caso não haja políticas públicas incentivadoras do plantio, da comercialização e do financiamento dos setores que transformam milho em proteínas animais. Tais políticas devem ser duradouras e não apenas circunstanciais, ou a oferta do milho brasileiro no mercado pode se agravar em 2010. Basta analisar o quadro atual - com plantio e produção em queda -, que fica fácil entender a gravidade da situação.

Depois de ter acumulado um estoque de passagem de milho recorde em 2008 (11,87 milhões de toneladas), o Brasil chegará a dezembro deste ano com um estoque cerca de 35% inferior (7,82 milhões de toneladas) - na melhor das hipóteses - segundo dados de março da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Isso se deve principalmente a uma quebra de safra estimada, também em março, de 14,1%, devida em parte a uma diminuição de área de plantio de 3,2%.

Apenas dois meses atrás, em seu relatório de acompanhamento da safra brasileira 2008/09, referente a janeiro, a Conab afirmava que a produção poderia representar "o maior suprimento de milho da história", podendo atingir 64,5 milhões de toneladas em 2009, incluindo os 11 milhões do estoque de passagem. Hoje a mesma Conab nos informa que o suprimento será de 62,54 milhões de toneladas.

Já em janeiro, a Abramilho alertava que era possível observar uma diminuição de área na primeira safra, estiagem em importantes regiões produtoras no Sul e dificuldades de ordem tecnológica por falta de financiamento oportuno em algumas regiões. E, principalmente, que era "fundamental que o produtor se visse estimulado a plantar, ou dificilmente superaríamos a marca de 50 milhões de toneladas". Estamos hoje com uma previsão de produção de 50,36 milhões de toneladas, sem contar o estoque de passagem.

A Abramilho reitera a necessidade de manutenção de políticas de plantio e comercialização que fortaleçam a situação brasileira no mercado, com garantia de preço compensador para quem planta milho sob pena de em 2010, com a retomada mundial do comércio de proteínas animais o Brasil não ter produção suficiente do grão para atender demandas interna e externa.

Presidente-executivo da Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho)


Fonte: Abramilho
















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