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Quarta-feira, 17 de junho de 2009 - 21h04m

Agricultura > Tecnologia

Vamos salvar a colheita?



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Werner Uhlmann

Foto: Divulgação



Por Werner Uhlmann

Estamos em pleno período de colheitas. Nas milhares de fazendas que se dedicam à produção de grãos, as colheitadeiras não param. O movimento é intenso de caminhões, carretas, tratores, gente. É preciso se apressar para não perder o ponto certo de colheita e arriscar os ganhos previstos. Em alguns casos como o milho, por exemplo, a expectativa é em relação à safrinha que já foi plantada e cresce nos campos. Neste momento é intenso o trânsito de caminhões nas estradas, levando os grãos para os silos e armazéns, sejam dos próprios produtores, de terceiros ou de cooperativas. E neste momento, como acontece há muitos anos, o Brasil vai perder, segundo a Conab, cerca de 20% de tudo o que produz em termos de grãos. Perda esta que acontece entre o processo de colher passando pela armazenagem até o transporte para o destino final. Isto significa algo em torno de 27,52 milhões de toneladas. Se tudo isto fosse somente soja, perderíamos cerca de R$ 20 bilhões, valor que acredito, ninguém quer jogar fora! E o pior é que jogamos.

Parte destes 20% que perdemos está concentrada no setor de armazenagem e que, segundo especialistas, giram em torno de 7,5% do total. E para darmos mais números, cerca de 3% são perdidos dentro dos silos, por conta de contaminações, fungos, mofo, deteriorização e germinação dos grãos na camada que fica no topo da pilha de grãos ou nas laterais dos silos. É a chamada “quebra técnica”, aceita por todos que trabalham com estes equipamentos. Hora, seja por quebra técnica, ou qualquer outra razão, o fato é que existe a perda e ela representa prejuízos significativos para o produtor.

Apenas a título de curiosidade, mas que tem boa influência nos problemas que temos, o conceito de silos e armazéns que utilizamos no Brasil, veio de países do hemisfério norte, onde grande parte vive longos períodos do ano com temperaturas próximas ou bem abaixo de zero grau. Não houve a busca por soluções que fossem adequadas às condições dos climas tropicais e subtropicais que existem no Brasil. Soluções que evitassem, por exemplo, as perdas por condensações dos grãos nas camadas laterais ou do topo da pilha, em um silo. 

Se, de um lado, seria mais do que necessário o Governo Federal criar uma política que efetivamente resolvesse o problema de carência de unidades de armazenagem em todo o país, algo que é bem conhecido de todos os que operam neste setor, por outro é preciso que aqueles que possuem estes equipamentos ajam de forma a reduzir ao máximo estas perdas; ou seja, façam a sua parte. E, para tanto, não são necessários grandes investimentos. Podemos começar por realizar constantes treinamentos tanto para operadores dos silos quanto para seus proprietários. Treinamentos estes que mostrem não somente a parte operacional como também o que acontece dentro de um equipamento destes quando os grãos estão lá colocados.

Grãos são organismos vivos que se não forem bem armazenados, continuarão sua função biológica. Eles precisam de temperaturas adequadas para manterem-se em estado de dormência. Geralmente os silos ou armazéns sofrem constantemente a ação do clima, ou seja, aquecem e esfriam todos os dias, por causa do sol e da noite. Somada à temperatura que os grãos armazenados produzem, o calor interno de um silo pode ter pelo menos 13 graus a mais que a temperatura externa. 

Se este calor não for eliminado adequadamente, quando a noite vem, a chapa de aço e a massa de grãos esfriam, produzindo vapor que ao tocar na chapa, condensa, formando gotas d´água. Estas ao caírem podem provocar o mofo e outros problemas. E é isto que precisamos resolver. 

Já existem boas e práticas soluções para esta questão. Mas é preciso que os produtores e operadores dos sistemas de armazenagem se conscientizem da necessidade de mudança. De que não é mais possível continuar achando que é normal, “natural” ter 3% de perda da colheita, todos os anos, por conta dos problemas que acontecem nos silos e armazéns.

Cada vez que deixamos de vender este percentual, é menos renda que temos, menos alimentos para vendermos no mercado interno ou externo, menos divisas que o País ganha e lucros que você, produtor ganha. A condição social que o Brasil vive, não permite estes desperdícios. Tão pouco se pensarmos em relação à competitividade com outros concorrentes externos, também não podemos nos dar ao luxo de “queimarmos” este volume de grãos a cada safra que produzimos. E nós já estamos no final da colheita de 2008/09, projetando a próxima safra. 

Será que vamos continuar a persistir no erro? A cultivar um problema que se repete há anos, aceitando como normal perder dinheiro? Ou vamos mudar e resolver isto para sempre? Será que vamos perder mais uma vez, parte da nossa safra, ou vamos, finalmente, salvar todo o esforço e investimento que fizemos que começou lá no ano passado, com o preparo da terra e o plantio da cultura que escolhemos cultivar? Ou será que vamos definitivamente, tomar a atitude – o que me agradaria muito ver – de salvar a colheita já neste ano?


Diretor presidente da Cycloar Sistema de Aeração 

Email: diretoria@cycloar.com.br

 


Fonte: Página Rural
















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