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Terça-feira, 23 de junho de 2009 - 13h39m

Agronegócio > Cana-de-Açúcar

A humanização na cana-de-açúcar



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Marcos Morita

Foto: Divulgação



Por Marcos Morita

Será assinado pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva um acordo denominado “compromisso nacional da cana”, com o objetivo de melhorar as condições de trabalho dos cortadores de cana. Seja por pressões de sindicatos, compradores internacionais ou até pelo histórico do presidente, é inadmissível tamanho progresso e riqueza convivendo com tanta miséria e pobreza. Talvez essa seja a única mancha desta indústria na qual o Brasil é o maior e mais competitivo jogador.

Alguns autores têm estudado as razões pelas quais certas indústrias se desenvolvem com maior sucesso em determinados países e regiões, como os vinhos na França, a moda e o design na Itália ou a tecnologia da informação na Califórnia. Um dos modelos mais consistentes é o do pesquisador e professor da Harvard University, Michael Porter, denominado vantagem competitiva das nações, cuja aderência ao modelo brasileiro do etanol provou-se bastante consistente.

O autor lista quatro grandes fatores necessários para a introdução e manutenção de uma indústria: condições de demanda, indústrias correlatas e de apoio, recursos econômicos existentes e condições de fatores e estratégia. Com relação à indústria do álcool, um bom exemplo é a cidade de Sertãozinho, localizada a poucos quilômetros de Ribeirão Preto, apelidada como Vale do Silício do Etanol, em alusão ao seu congênere norte americano.

Uma das condições necessárias e talvez a mais visível, sejam as condições de demanda. Basta olhar ao redor para comprovar a base instalada de quase 6 milhões de veículos ou 20% da frota nacional que utiliza a tecnologia flex, a qual permite a utilização de álcool ou gasolina, em qualquer proporção. Some-se a demanda externa de países como o Japão, interessados no etanol para mistura a gasolina, auxiliando a segunda maior frota do planeta a atingir as metas estabelecidas pelo protocolo de Kyoto para redução da emissão de gases que provocam o aquecimento global.

Seja ou não por ironia do destino, Sertãozinho assistiu ao nascimento e morte do Proálcool, programa lançado em 1975 pelo governo brasileiro para substituir a dependência dos derivados de petróleo. O preço do barril havia aumentado em mais de 300%, provocado pela reação da OPEP - Organização dos Países Produtores de Petróleo - devido ao apoio dos Estados Unidos a Israel durante a guerra do Yom Kippur.

Foi em Sertãozinho que se fundou a Zanini, primeira empresa do setor especializada na montagem de usinas, fechada nos anos 80 por falta de interesse governamental. Seus ex-funcionários, técnicos e especialistas, foram os embriões de inúmeros empreendimentos que propiciaram a existência de indústrias correlatas e de apoio, necessárias e únicas neste segmento.

Seria de se esperar que os maiores eventos do setor ocorressem na região. A Agrocana (feira de negócios e tecnologia da agricultura da cana-de-açúcar) e Fenasucro (feira internacional da indústria sucroalcooleira), têm seu palco na terra vermelha em que se encontram os canaviais, com negócios e participantes cada vez mais internacionais.

Destacam-se também as parcerias das universidades, fundações de amparo à pesquisa e órgãos ligados ao ministério da agricultura, pecuária e abastecimento para aprimoramento genético e planejamento da produção em larga escala. A fórmula: universidade, governo e empresa, quando se consegue coloca-la em prática, têm se demonstrado bastante virtuosa em diversos países.

O último fator aborda as condições de fatores, recursos físicos e mão-de-obra. Basta uma viagem pelo centro do estado de São Paulo para se comprovar a extensão da monocultura em que se transformaram as plantações. Terra fértil, abundante, boa infra-estrutura de transportes são essenciais e felizmente existentes. Adicione propriedades que adotam práticas sustentáveis, orgânicas, preservando matas ciliares, sem desmatamento.

Estariam atendidas todas as condições para uma indústria de naipe internacional, estariam... Isso caso fossem adotadas condições mínimas de trabalho, evitando-se longas jornadas, falta de proteção, transparência nas negociações, enfim, eliminando séculos de atraso nas relações trabalhistas. Apesar de não ter caráter de lei, o acordo que será assinado pode ser considerado um avanço caso seja adotado pelos produtores, elevando a indústria do etanol brasileira a patamares internacionais, em todos os sentidos. Finalmente.

Marcos Morita é mestre em administração de empresas e professor das disciplinas de planejamento estratégico e gestão de serviços na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Executivo há 15 anos em multinacionais.

E-mail: marcos.morita@interair.com.br .


Fonte: Página Rural
















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