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Terça-feira, 23 de junho de 2009 - 16h20m

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Cultura de tecidos como ferramenta na produção de mudas



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Sebastião Pedro da Silva Neto

Foto: Divulgação



Por Sebastião Pedro da Silva Neto

A produção de material propagativo de boa qualidade genética e fitossanitária é a base da produção agrícola sustentada. Em princípio, qualquer tipo de planta pode ser propagada, seja por sementes ou por algum dos vários métodos clássicos de propagação vegetativa como: estaquia, enxertia, alporquia, divisão de brotos, etc. Entretanto, em algumas circunstâncias ambas as situações podem ser difíceis ou mesmo impossíveis. A propagação por sementes pode ser inviável quando as sementes não são formadas ou o são em pequena percentagem, e quando as sementes perdem a capacidade de germinação muito rapidamente. 

A propagação vegetativa (assexuada) é muito importante em programas de melhoramento quando linhagens parentais necessitam ser mantidas geneticamente puras para produção de sementes. Há, entretanto, ocasiões em que os métodos clássicos de propagação vegetativa podem não ser satisfatórios e a cultura de tecidos se apresenta como alternativa, por exemplo: i) quando a taxa de multiplicação da espécie é muito baixa; ii) quando novas cultivares são tecnicamente muito difíceis de serem propagadas pelos métodos clássicos; iii) quando estes são comercialmente muito caros.

O ramo da biotecnologia possui técnicas para propagação rápida por meio de cultura de tecidos, também conhecidas como micropropagação. Este termo é utilizado para a aplicação de técnicas de cultura de tecidos para clonar (propagar) espécies utilizando pequenas partes da planta mãe como meristemas, gemas apicais, laterais, axilares, etc., de forma asséptica, dentro de tubos de ensaios ou outros recipientes de vidro. Isso deve ser feito em laboratórios ou biofábricas com infra-estrutura adequada, contendo ambiente controlado para evitar a contaminação das culturas, áreas especificamente desenhadas para preparo de meios de cultura, e ambientes para crescimento das plântulas em condições de luz e temperatura adequadas. 

Os meios de cultura sob os quais os explantes são propagados são compostos por macro e micro elementos, fontes de carbono, vitaminas, reguladores de crescimento, agentes gelificantes como Agar e seus sucedâneos.

O método de micropropagação e o meio de cultura a serem adotados, dependem da espécie. Muitas espécies são micro propagadas comercialmente por meio da proliferação controlada de gemas apicais e brotações axilares, o que pode resultar em aumentos significativos no número de propágulos por cada subcultivo de algumas semanas. Dentro de um período de produção relativamente curto (6 a 8 meses), um laboratório comercial pode obter uma quantidade próxima a um milhão de mudas, partindo de um ou de poucos explantes, retirados de uma única planta matriz. 

A microprogação pode ser dividida em quatro fases: estabelecimento, multiplicação in vitro, enraizamento e aclimatação. Antes da fase de estabelecimento, as matrizes são submetidas a indexação de vírus para assegurar sua sanidade.

A micropropagação por meio do cultivo in vitro de gemas apicais, gemas axilares, entrenós e meristemas são os métodos mais difundidos para a propagação de plantas in vitro mantendo a integridade genética de um clone. Atualmente são aplicados numa larga gama de plantas, entre ornamentais como rosas, gérberas, orquídeas, etc.; frutíferas como banana, abacaxi, morango, etc.; e florestais como eucaliptos e pinus, etc. 

As mudas produzidas por este método possuem inúmeras vantagens em relação as mudas convencionais, entre elas destacam-se: uniformidade genética, maior vigor fisiológico, ausência de patógenos que podem causar doenças economicamente importantes como nematóides, bactérias e fungos de solo, que normalmente são transmitidos para novas áreas de plantio por meio de mudas contaminadas. Por sua vez, a cultura de meristemas permite a limpeza de matrizes elite que se apresentem infectadas por vírus.

A aplicação da microprogação propicia a produção de material genético de boa qualidade, o que permite projetos de produção agrícola com maior produtividade, qualidade e com menor uso de defensivos químicos, preservando o meio ambiente e contribuindo para a sustentabilidade da atividade agrícola.

Maiores informações sobre a utilização da cultura de tecidos na produção de mudas podem ser obtidas nas referências e sites abaixo:

Referencias Bibliográficas:

ANDRADE, S. R. M. Princípios da cultura de tecidos vegetais. Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 2002. (Documentos 58). 16 p. http://bbeletronica.cpac.embrapa.br/versaomodelo/html/2002/doc/doc_58.shtml Acesso em: 02 de junho de 2009.

MATSUMOTO, K. and SILVA NETO, S. P. Micropropagation of Bananas. In: Jain, S.M. and Ishii, K. (eds). Micropropagation of wood trees and fruits, 353-380. Kluwer Academic Publishers, Netherlands. 2003.

MURASHIGE, T.; SKOOG, F. A revised medium for rapid growth and bio assays with tobacco tissue cultures. Physiologia Plantarum, v. 15, p. 473-497, 1962.

TORRES, A. C; CALDAS, L. S; FERREIRA, A. T. Retrospectiva da cultura de tecidos de plantas. In: TORRES, A. C; CALDAS, L. S; BUSO, J. A. Cultura de tecidos e transformação genética de plantas. Brasília: EMBRAPA – SPI/EMBRAPA – CNPH, v. 1, p. 11-20. 1998.


Engenheiro agrônomo, PhD em Biotecnologia Vegetal pela Universidade de Agricultura de Tóquio (Japão), pesquisador da Embrapa Cerrados (Planaltina –DF). 

E-mail: sebastiao.pedro@cpac.embrapa.br


Fonte: Embrapa Cerrados
















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